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Primeira-ministra do Reino Unido não resiste à crise econômica e renuncia ao cargo

20 de Outubro de 2022 | 13h 20
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Primeira-ministra do Reino Unido não resiste à crise econômica e renuncia ao cargo
Foto: Daniel Leal/Pool via Reuters

Foram apenas 45 dias no cargo. O mandato de Liz Truss, primeira-ministra do Reino Unido, não resistiu à crise iniciada após o anúncio do ousado plano de redução de impostos divulgado em setembro. A premier renunciou nesta quinta-feira (20).

Com o anúncio, feito nos arredores de Downing Street, o mandato de Truss passou a ser o mais curto da história do Reino Unido. Segundo a BBC, antes dela, a gestão menos longeva foi a de George Canning, que permaneceu no cargo por 119 dias, antes de morrer, em 1827.

A premier disse que sua decisão se deu em função da atual conjuntura. Mas ela não deixará o governo imediatamente. Liz Truss afirmou que permanecerá no cargo até que um sucessor seja escolhido. “Dada a situação, não posso cumprir o mandato pelo qual fui eleita pelo Partido Conservador”, justificou, durante pronunciamento.

Um dia antes, no Parlamento britânico, a mandatária ressaltou que era “uma lutadora, não uma desertora”. Na ocasião, ela indicou que não estava em seus planos deixar o governo. Pouco depois, sua ministra do Interior, Suella Braverman, renunciou, tecendo duras críticas duras à gestão de Truss.

InflaçãoConforme o site Infomoney, o chamado miniorçamento, que previa corte de impostos de até 45 bilhões de libras, desagradou os mercados e vários economistas. Para os especialistas, era um movimento demasiado arriscado, em um momento de elevado patamar de inflação, o que não era visto há 40 anos. A atual conjuntura econômica britânica também é marcada por riscos crescentes de recessão e custos de empréstimos mais altos nas economias avançadas.

Além disso, a libra, moeda local, caiu para um nível mais baixo em relação ao dólar, ao passo que os rendimentos dos títulos do governo subiram velozmente. Isto “obrigou o Banco da Inglaterra (BoE) a laborar um programa de recompra de até 65 bilhões de libras em títulos de longo prazo (gilts)”, diz a publicação.

A pressão política que se seguiu foi imensa. O ministro das Finanças, Kwasi Kwarteng, caiu, na última sexta-feira (14). O fato levou a pedidos de renúncia da própria Liz Truss. A primeira-ministra chegou a ir à BBC, pedir desculpas à população. Na última segunda-feira (17), o substituto de Kwarteng, Jeremy Hunt, anunciou sua primeira medida: reverter quase todo o pacote fiscal anterior.

No entanto, ontem (19), conforme o Infomoney, a renúncia de Suella Braverman, por uso de um celular pessoal para guardar documentos confidenciais, deixou evidente a perda de poder do grupo político de Truss, inclusive dentro de seu gabinete.

Truss perdeu apoio entre os conservadores e amargou a derrota de uma votação sobre a liberação do “fracking” no país. A medida visava a exploração do gás de xisto.



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