Foram apenas 45 dias no cargo. O mandato de Liz Truss,
primeira-ministra do Reino Unido, não resistiu à crise iniciada após o anúncio
do ousado plano de redução de impostos divulgado em setembro. A premier
renunciou nesta quinta-feira (20).
Com o anúncio, feito nos arredores de Downing Street, o
mandato de Truss passou a ser o mais curto da história do Reino Unido. Segundo
a BBC, antes dela, a gestão menos longeva foi a de George Canning, que
permaneceu no cargo por 119 dias, antes de morrer, em 1827.
A premier disse que sua decisão se deu em função da atual
conjuntura. Mas ela não deixará o governo imediatamente. Liz Truss afirmou que
permanecerá no cargo até que um sucessor seja escolhido. “Dada a situação, não
posso cumprir o mandato pelo qual fui eleita pelo Partido Conservador”, justificou,
durante pronunciamento.
Um dia antes, no Parlamento britânico, a mandatária ressaltou
que era “uma lutadora, não uma desertora”. Na ocasião, ela indicou que não estava
em seus planos deixar o governo. Pouco depois, sua ministra do Interior, Suella
Braverman, renunciou, tecendo duras críticas duras à gestão de Truss.
Inflação – Conforme o
site Infomoney, o chamado miniorçamento, que previa corte de impostos de até 45
bilhões de libras, desagradou os mercados e vários economistas. Para os
especialistas, era um movimento demasiado arriscado, em um momento de elevado patamar
de inflação, o que não era visto há 40 anos. A atual conjuntura econômica
britânica também é marcada por riscos crescentes de recessão e custos de
empréstimos mais altos nas economias avançadas.
Além disso, a libra, moeda local, caiu para um nível mais
baixo em relação ao dólar, ao passo que os rendimentos dos títulos do governo
subiram velozmente. Isto “obrigou o Banco da Inglaterra (BoE) a laborar um
programa de recompra de até 65 bilhões de libras em títulos de longo prazo (gilts)”, diz a publicação.
A pressão política que se seguiu foi imensa. O ministro das
Finanças, Kwasi Kwarteng, caiu, na última sexta-feira (14). O fato levou a
pedidos de renúncia da própria Liz Truss. A primeira-ministra chegou a ir à BBC,
pedir desculpas à população. Na última segunda-feira (17), o substituto de
Kwarteng, Jeremy Hunt, anunciou sua primeira medida: reverter quase todo o
pacote fiscal anterior.
No entanto, ontem (19), conforme o Infomoney, a renúncia de
Suella Braverman, por uso de um celular pessoal para guardar documentos
confidenciais, deixou evidente a perda de poder do grupo político de Truss,
inclusive dentro de seu gabinete.
Truss perdeu apoio entre os conservadores e amargou a derrota
de uma votação sobre a liberação do “fracking” no país. A medida visava a
exploração do gás de xisto.