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Ex-ministra alemã diz que mundo reagirá a qualquer tentativa de manipulação das eleições no Brasil

02 de Outubro de 2022 | 13h 07
Ex-ministra alemã diz que mundo reagirá a qualquer tentativa de manipulação das eleições no Brasil
Foto: Paul Zinken/DPA

A eleição presidencial no Brasil está sendo encarada como fundamental à estabilização da democracia no mundo. Em função disso, Herta Däubler-Gmelin, ex-ministra da Justiça da Alemanha, que atuou no cargo entre 1998 e 2002, tendo sido também deputada, entre 1972 e 2009, alerta que a comunidade internacional irá reagir se “um evento impensável” ocorrer no Brasil, neste domingo (2).

Professora de ciência política da Universidade Livre de Berlim, a alemã integra a equipe de observadores internacionais, formada por especialistas em direitos humanos, que atua, de forma independente, nas eleições brasileiras. O grupo também conta com acadêmicos dos Estados Unidos, da Argentina e de outros países latino-americanos.

Em entrevista ao jornalista Jamil Chade, colunista do Uol, Herta disse que confia no sistema de votação eletrônica do país, mas que o mundo está atento às ameaças antidemocráticas proferidas por Jair Bolsonaro. "As eleições no Brasil são muito importantes para os países que estão tentando estabilizar a democracia e o estado de direito, assim como para os direitos humanos em todo o mundo. Sabemos bem que, nos últimos anos, o regime de Bolsonaro não foi um modelo de tais aspectos. E, por isso, a eleição é tão importante. Ela pode promover uma mudança. Se Bolsonaro não for eleito, o processo pode fazer a diferença", observou.

A advertência, diz Chade, vem no momento em que a comunidade internacional proliferou apelos para que a democracia seja respeitada no Brasil. Isto sinaliza que qualquer ruptura democrática significará um isolamento do país no cenário mundial. "Muitos observadores internacionais estarão no Brasil. Nossa torcida é para que as instituições nacionais sejam inteligentes e consistentes o suficiente para evitar todos os esforços de manipulação da eleição ou para retirar os resultados da eleição. Que possam evitar a falsificação dos resultados. Mas o segundo nível é a reação da comunidade internacional. Estou convencida de que ela vai reagir de maneira adequada se houver manipulação, violência ou eventos impensáveis", destacou a ex-ministra.

A violência política no Brasil, segundo Herta Däubler-Gmelin, é um dos pontos de maior preocupação. "As informações que temos apontam que os procedimentos técnicos são confiáveis. Mas os níveis de violência de algumas pessoas estão aumentando e isso é um acontecimento problemático. Isso faz as pessoas ficarem com medo de ir votar. Por isso é importante que todos aqueles que são favoráveis à democracia e ao estado de direito façam um apelo para que a violência seja parada e a manipulação freada", frisou.

Conforme Jamil Chade, em apenas uma semana, cinco comunicados e medidas foram adotados por entidades e governos estrangeiros, todos em tom de advertência. O fato sinaliza que o mundo não aceitará que a democracia seja maculada no Brasil. A comunidade internacional entende que os líderes brasileiros devem apelar para a manutenção da paz no país. Dezenas de declarações com o mesmo teor também oram emitidas por grupos estrangeiros de ativistas e da sociedade civil.

A pressão internacional, conforme o jornalista, é inédita no período democrático brasileiro. E, para os diplomatas locais, este fato reflete a desconfiança que existe, atualmente, em relação ao Brasil. Chade aponta que a esperança é que tamanha pressão acabe criando um constrangimento contra qualquer tentativa de desrespeitar o resultado das urnas.

Os pedidos de respeito à democracia vêm se multiplicando, nos últimos dias. Conforme Jamil Chade, na semana passada, pela primeira vez, oito relatores da Organização das Nações Unidas (ONU) se uniram para fazer um chamado, nesse sentido, às autoridades brasileiras. Poucos dias depois, o Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos demonstrou preocupação com os casos de violência política ocorridos no Brasil. A cúpula do organismo internacional apontou que ataques contra as urnas eletrônicas e o sistema eleitoral seriam encarados como “ameaças à democracia”.

Os Estados Unidos também emitiram um alerta veemente. Na última quarta-feira (28), o Senado norte-americano aprovou uma moção, instando o Brasil a respeitar a democracia, sob pena de suspensão de todos os acordos militares, caso a eleição fosse fraudada.

Além disso, de acordo com Chade, 50 deputados europeus enviaram uma carta para a Comissão Europeia, cobrando do bloco um posicionamento, em caso de qualquer tentativa de golpe no Brasil. Entre as medidas, estaria a adoção de severas sanções comerciais.

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos também fez um apelo ao Brasil, na última quinta-feira (29). Segundo Chade, a entidade convocou o país "a realizar eleições pacíficas, com o maior respeito à democracia representativa e aos direitos humanos".



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