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Surto infeccioso de gripe do tomate é registrado na Índia

24 de Agosto de 2022 | 12h 06
Surto infeccioso de gripe do tomate é registrado na Índia
Foto: Scimex/Divulgação

Uma doença infecciosa conhecida como gripe do tomate está se espalhando pela Índia. O nome alude ao formato e cor das lesões bolhosas, que também podem chegar ao tamanho do fruto.

A enfermidade foi detectada, pela primeira vez, há três meses, na cidade de Kerala, onde afetou 82 crianças menores de 5 anos. De acordo com o Correio Braziliense, o Ministério da Saúde indiano informou que, inicialmente, o vírus migrou para os vizinhos Tamil Nadu, Haryana e Odisha. Agora, as autoridades sanitárias locais já registram mais de 100 casos.

Considerada rara, a virose afeta, principalmente, crianças pequenas e adultos imunossuprimidos, não chegando a ser letal, conforme indica um estudo publicado na revista científica Lancet Respiratory Medicine.

No entanto, a infecção, que é “extremamente contagiosa”, pode causar lesões muito dolorosas. Pesquisadores de duas universidades indianas e de uma australiana destacam que as crianças com menos de 5 anos, particularmente, mais propensas a contrair a doença. Isto porque estão mais sujeitas ao contato direto com o patógeno, seja pelo toque em superfícies contaminadas, seja pela introdução de objetos na boca, algo bastante comum entre os pequenos.

Ainda conforme o Correio Braziliense, a comunidade científica também alerta que o vírus precisa ser identificado e estudado. Há suspeitas de que o microrganismo seja uma versão do enterovírus coxsachkievirus A16, cuja transmissão ocorre pelo contato direto com saliva ou muco infectados. “A enfermidade aparenta ser como uma variante clínica da doença mão-pé-boca, uma infecção comum que atinge, principalmente, crianças pequenas, de 1 a 10 anos, e adultos imunocomprometidos”, observa o Ministério da Saúde da Índia.

Por meio de um comunicado, o órgão também chama a atenção para o fato de não haver tratamento. “A gripe do tomate é uma doença autolimitada e não existe nenhum medicamento específico para tratá-la”, diz o documento.

Cientistas e governos enfatizam que não há relação entre a infecção, o Sars-CoV-2, que causa a Covid-19, e o monkeypox, que provoca a varíola dos macacos. Todavia, alguns sintomas são semelhantes. Febre, fadiga e dor nas articulações podem ocorrer de forma similar aos sinais clássicos da Covid. Também da chikungunya e da dengue. E isto tem dificultado o diagnóstico. Aventa-se, inclusive, a possibilidade de, ao invés de uma infecção viral, a gripe do tomate ser efeito posterior das duas arboviroses citadas. Mas estudos mais aprofundados ainda são necessários.

Segundo o professor Vasso Apostolopoulos, da Universidade Translacional da Universidade de Victoria, que também assina o artigo científico sobre a doença, nas próximas semanas, já será possível determinar o agente causador enfermidade.

O acadêmico destaca, ainda, que o vírus parece estar restrito ao país asiático. E salienta que os efeitos em pessoas idosas ou com baixa imunidade ainda são desconhecidos. “No momento, parece que o vírus é leve e desaparece sozinho, mas a maioria das pessoas que tiveram essa infecção é jovem e realmente não sabemos o que pode acontecer em uma pessoa imunocomprometida ou se o micro-organismo se espalhar para idosos. Ainda está isolado e não parece ter se espalhado para além da Índia”, frisou.



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