A construção do Shopping Popular foi o grande destaque da sessão de ontem na Câmara Municipal de Feira de Santana. Comerciantes e camelôs participaram da sessão, pedindo explicações do Governo Municipal sobre o empreendimento.
O advogado da Associação Feirense dos Vendedores Ambulantes (AFEVA), Rodrigo Lemos, afirmou que desde 2014 contam a história da revitalização e reorganização do centro da cidade, mas nada é feito.
“Aí vem esse empresário e sugere a construção do Shopping popular, um projeto baseado em erros, equívocos e fraudes”, disse.
A Prefeitura concedeu o prazo de cinco anos ao consórcio para acomodar os 1800 camelôs cadastrados, mas segundo estudos realizados pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), só no centro de Feira trabalham mais de 9 mil ambulantes.
“O Município entregou o Centro de Abastecimento e R$ 13 milhões nas mãos de um empresário que responde por inúmeros processos em São Paulo, Minas Gerais e Manaus”, diz se referindo ao empresário Elias Tergilene.
O vereador Roberto Tourinho (PV), afirmou que não é contra a construção do Shopping, mas sim contra as “maracutaias e malandragens feitas nesses contratos”.
Segundo o edil, a Prefeitura “encontra um malandro e entrega R$13 milhões do dinheiro público. Queremos uma audiência pública para discutir o assunto”.
O líder da bancada governista, Marcos Lima (Patriota), defendeu a proposta da realização de uma audiência pública na Casa.
Edvaldo Lima (PP) se declarou favorável as reivindicações dos vendedores. Ele enviou à Casa um requerimento convocando o empresário Elias para prestar explicações sobre o número de ambulantes cadastrados e o tamanho real do espaço cedido pelo Município.
Por sua vez, o vereador e ex-camelô Luiz da Feira (PPL), enalteceu o trabalho da categoria, destacando que trabalham enfrentando intempéries e ressaltou que os 13 mil camelôs que existem na cidade, movimentam muito dinheiro e contribuem para o crescimento da cidade. Ele criticou o valor de R$800,00 que será pago mensalmente pelos ambulantes que estarão alojados no Shopping Popular.
“Uma categoria tão forte e importante não é reconhecida. Já um empresário que veio do outro lado do mundo é mais valorizado que os camelôs. A maioria não vai conseguir pagar e será despejada em poucos meses”, reclamou.
José Menezes Santa Rosa (Zé Filé, PROS) também se colocou a favor dos ambulantes.
Hostilizado pelos presentes na Galeria da Câmara Municipal, Luiz Augusto de Jesus (DEM), afirmou que a base governista nunca se negou a realizar uma audiência ppublica para discutir o tema.
“Eu fui camelô e sei o que é estar do outro lado. Na base do grito não se resolve nada”, disse.
O edil Luiz Augusto de Jesus, Lulinha (DEM) também foi vaiado pelos presentes.