Com mais de 40 anos de história, a Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) tem enfrentado uma grave crise, nos últimos anos, desde que o Governo do Estado, mantenedor da instituição, reduziu o repasse de verbas, causando prejuízos no Ensino, Pesquisa e Extensão. A comunidade acadêmica, composta por alunos, docentes e servidores, tem feito os mais diversos protestos e cobranças, buscando formas de sanar os diversos problemas vivenciados pela universidade.
Teve início, no dia 26 de fevereiro, a campanha eleitoral que irá eleger o novo reitor e vice para a instituição. A votação, que será realizada entre os dias 1 e 3 de abril, terá resultado divulgado no dia 5 do mesmo mês. A aprovação do Conselho Universitário (Consu) será realizada em 15 de abril.
Diante da atual situação, o pleito ganha ainda mais importância, sobretudo devido à grande expectativa de solução para os problemas enfrentados pela universidade. Intitulada Nova Uefs, a chapa dos professores Koji de Jesus Nagahama (candidato a reitor) e Telma Cristina Silva Teixeira (candidata a vice) promete uma forma diferente de encarar as dificuldades financeiras enfrentadas pela instituição.
Com duras críticas à atual gestão, comandada pela chapa Mais Uefs, que tem o professor Evandro do Nascimento como candidato à reeleição, a chapa Nova Uefs acredita que, ao longo dos anos, a reitoria da instituição se fez apática diante da situação enfrentada pela Uefs.
Candidato à reitor, Koji avalia o atual momento vivido pela universidade. “A Uefs é um patrimônio de Feira de Santana e região há mais de 40 anos e, como tal, deve ser defendida e sustentada tanto pela comunidade universitária quanto pelas comunidades feirense e baiana. Entretanto, na última década e, especialmente nos últimos cinco anos, a Uefs tem passado por sérias dificuldades para manter e ampliar as suas ações de Ensino, Pesquisa, Extensão, inovação e cultura. A inabilidade da administração superior atual da Uefs, junto ao Governo do Estado, para negociar a liberação de recursos orçamentários da universidade, bem como a redução dos recursos federais para a educação, ciência e tecnologia, atingem, de maneira profunda, o funcionamento da Uefs”, considera.
Koji aponta problemas que necessitam de uma rápida solução. “De forma muito objetiva, a Uefs precisa de melhor planejamento, de transparência, garantia de condições de trabalho adequadas e dignas para servidores, com especial atenção aos técnicos e analistas, além dos terceirizados. A Uefs precisa retomar o seu protagonismo na região de Feira de Santana, integrando-se com a comunidade, apoiando e apresentando soluções para problemas apresentados e também participando ativamente da vida cultural da cidade”, pondera.
ATUAÇÃO NA UEFS – Professor da instituição desde 2003, Koji comenta sua atuação na universidade. “Sou Engenheiro Civil formado pela Uefs e, desde 2015, sou professor Pleno, no Departamento de Tecnologia, tendo ingressado, em 2003, como Professor Visitante e, em 2005, como Professor Adjunto. Desde que entrei na Uefs, tenho ministrado disciplinas na Graduação, principalmente para os cursos de Engenharias de Alimentos, Engenharia Civil e Engenharia da Computação, e na Pós-Graduação, especialmente no Mestrado em Engenharia Civil e Ambiental. Orientei estudantes de Iniciação Científica Júnior, Iniciação Científica, Estágio Curricular, Trabalho de Conclusão de Curso de Graduação, Mestrado e Estágio Pós-doutoral”, informa.
O docente ressalta ainda que, mais recentemente, vem atuando “na inovação tecnológica, com vistas à transferência de tecnologia, com o desenvolvimento de softwares como produto de dissertações de mestrado”. Além disso, ele enfatiza que também participa de diversas comissões dos conselhos de colegiados de curso, departamental, superiores e da reitoria. “Sou avaliador de cursos de graduação, junto ao Inep/MEC, desde 2006. Na administração, já exerci diversos cargos para os quais fui eleito”, afirma.
Essa é a primeira vez que o professor Koji Nagahama se candidata ao cargo de reitor da Uefs. “A indicação do meu nome e da professora Telma surgiu a partir de uma proposta coletivamente construída por um grupo da comunidade acadêmica com a participação de docentes, técnicos, analistas e estudantes de toda Uefs. Assim como das demais vezes em que exerci cargos na administração, meu nome surgiu como uma indicação coletiva. Para a Reitoria, essa é a minha primeira candidatura”, explica.
Se eleito, o docente promete tratar de forma mais responsável os problemas enfrentados pela instituição e a planejar para se antecipar às crises. “A comunidade pode esperar uma universidade renovada, reinventada. Uma universidade transparente, democrática, inclusiva, competente, sustentável e responsável. Nossa atitude será sempre de não nos omitirmos diante de problemas, de nos anteciparmos às crises, evitando, entre outras coisas, essa quantidade enorme de paralisações que a universidade tem vivido nos últimos anos”, garante.
Koji tem como candidata à vice a professora da área de Economia, Telma Cristina, que está na instituição desde 1994. “Antes de ser professora da Uefs, Telma é uma mulher de fibra, estudante dedicada do interior da Bahia e que ganhou o mundo, estudando em Salvador, no Rio de Janeiro e na França. Telma tem uma história de dedicação continuada à Uefs por quase 25 anos. Em todo esse tempo, ela tem colocado suas energias para o estudo de temas relacionados à gestão de recursos naturais, o que tem tudo a ver com as nossas preocupações de sustentabilidade”, enaltece.
A professora Telma Cristina já foi candidata à vice-reitora em outra oportunidade. Em 2003, compôs a chapa da professora Eneida de Morais Cerqueira. A candidata aponta de que forma tem participado da vida acadêmica da instituição. “Ingressei na Uefs, em 1994, como professora substituta e fui aprovada em concurso, em 1996, como professora auxiliar. Sou professora adjunta do Departamento de Ciências Sociais Aplicadas (DCIS) na área de Economia. Na Uefs, já fui coordenadora e vice-coordenadora do curso de Ciências Econômicas, por vários anos, além de ser, atualmente, representante do Departamento em comissões de Internacionalização e Monitoria”, observa.
Além disso, a docente possui graduação e mestrado em Economia, realizados na Universidade Federal da Bahia (Ufba), e doutorado, realizado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na área de recursos hídricos e saneamento, com estágio de pesquisa na AgroParisTech, em Paris, França. “Como pesquisadora, estendi a experiência adquirida ao longo de minha formação acadêmica, criando o Grupo de Estudos em Recursos Hídricos e Sustentabilidade (RHIOS), que discute temas relacionados à gestão e planejamento de recursos naturais, energias renováveis e sustentabilidade. Orientei dezenas de monografias de conclusão de curso de estudantes de Economia da Uefs”, informa.
EQUILÍBRIO FINANCEIRO – Indagada sobre as propostas da chapa Nova Uefs, a docente salienta a necessidade de equilibrar as contas da instituição. “Nossa proposta, coletivamente discutida, fundamenta-se em oito diretrizes básicas, que buscam: valorizar a imagem institucional e dos servidores da Uefs; equilibrar as finanças, por meio de projetos sustentáveis e de menor custo; planejar a Universidade para o futuro, não para uma gestão; e decidir tudo isso de forma democrática e transparente, como proposto, mais detalhadamente, em nosso Programa de Gestão”, destaca.
Para Telma Cristina Teixeira, a atenção aos trabalhadores terceirizados da instituição é uma das prioridades e necessita de medidas urgentes. “Acredito que uma das demandas mais urgentes é o tratamento digno e adequado dos funcionários terceirizados. Vivemos de paralisação em paralisação, que nada mais são do que gritos de socorro dessa comunidade, que precisa ser respeitada. Outra questão extremamente urgente a se tratar é a melhoria do plano de carreira e a efetivação da ascensão na carreira dos servidores técnicos e analistas. Mas a universidade é ampla e não podemos olhar apenas uma ou duas categorias, toda a comunidade tem suas urgências. Mas, para sair das urgências e dessa cultura de apagar incêndios, precisamos abraçar o planejamento como elemento central de nossas práticas”, aponta.
NECESSIDADES E EXPECTATIVAS – São muitas as necessidades apontadas como mais urgentes pelas diferentes categorias que compõe a comunidade acadêmica, além da expectativa para a nova gestão.
A Professora Inalva Valadares Freitas, farmacêutica Mestre em Saúde Coletiva e doutoranda na mesma área, docente do curso de Farmácia, acredita que esse momento de eleições é muito importante para a instituição. “Considero o pleito para o cargo de reitor como um momento de reflexão, de discussão da comunidade acadêmica, dos assuntos e dos temas que permeiam a vida dessa comunidade. Creio que, durante um tempo, a comunidade deixou de discutir os assuntos mais prementes para a manutenção da qualidade da universidade e, agora, com o pleito eleitoral, isso ressurge, portanto é um momento importante da vida acadêmica”, avalia.
Diante da falta de recursos, a docente acredita que é necessário buscar formas de se obter renda para a instituição, no entanto, sem privatização. “Em tempo de parcos recursos há sempre muita demanda, muita coisa pendente na vida universitária, mas, diante das discussões que se estabeleceram, considero que a transparência é uma necessidade urgente, além de encontrar formas de captação de recursos, porque a fonte mantenedora da universidade, que é o Estado, só faz diminuir esses recursos. Assim, precisamos, sem nem sonhar em privatização, captar recursos, através das pesquisas de extensão, que venham contribuir com a manutenção da qualidade de ensino da Uefs”, sugere Inalva.
Para a estudante Rosemeire Silva de Paiva Santos, 8º semestre do curso de Licenciatura em Química, as maiores demanda dizem respeito ao corpo docente e à falta de material. “Duas grandes dificuldades são a falta de professores e a inexistência de materiais para aulas práticas nos laboratórios”, aponta, almejando que a situação seja revertida, com a nova gestão. “Espero que melhore em alguns aspectos, principalmente em relação à convocação de professores e técnicos administrativos, principalmente para atuação nos laboratórios”, disse.
Aluno do 8º semestre do curso de Letras com Inglês, Matheus dos Reis Lima ressalta a necessidade de mais investimento em pesquisa e de melhorias na infraestrutura. “Investimento em pesquisa, melhoria das condições básicas de infraestrutura (banheiro, bebedouros, etc), promoção da integração efetiva dos recém-chegados, permanência estudantil (Restaurante Universitário, infraestrutura e qualidade da comida), políticas públicas para a conscientização da comunidade sobre questões étnico-raciais, minorias”, ressalta.
Analista universitário, Pedro Silvestre aponta a captação de recursos como uma grande dificuldade, no momento, e uma necessidade urgente para a instituição. “Uma das maiores dificuldades enfrentadas pela administração central são os sucessivos cortes orçamentários perpetrados pelo Governo do Estado e o próximo reitor terá de buscar meios de captar recursos, com a finalidade de manutenção dos serviços de Pesquisa, Ensino e Extensão de excelência”, avalia.
O servidor ressalta ainda que é preciso dar uma maior atenção à categoria. “No que diz respeito à carreira do servidor, é fundamental que seja implantado um processo maior de valorização, a partir de um processo contínuo de capacitação, aliada a uma maior participação em cargos de gestão”, enfatiza.