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Dagoberto e Lílian disputam reitoria da Uefs pela chapa Uefs de Todos

Lana Mattos - 30 de Março de 2019 | 07h 40
Dagoberto e Lílian disputam reitoria da Uefs pela chapa Uefs de Todos
Foto: Divulgação

Quem conhece a Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) de perto, sabe que seus problemas são imensos e que os mesmos se constituem como um grande desafio ao reitor que será eleito no início de abril. Dentre as chapas concorrentes, estão: a Mais Uefs (atual gestora), a Uefs de Todos e a Nova Uefs. Nessa reportagem, enfatizaremos as propostas da chapa Uefs de Todos, composta pelos professores doutores Dagoberto da Silva Freitas, candidato a reitor, e Lílian Carla Lopes Wanderley, candidata a vice.

Dagoberto Freitas é professor titular do Departamento de Física (Dfis), onde desenvolve pesquisa na área de Óptica Quântica. Participa também do Programa de Pós-Graduação em Astronomia da Uefs, ministrando disciplinas e orientando alunos de mestrado.Candidato pela primeira vez ao reitorado da Uefs, Dagoberto é professor da instituição há 25 anos. Foi coordenador da Área de Física do Departamento de Ciências Exatas; diretor do Departamento de Física; coordenador de Pós-Graduação, na Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PPPG); coordenador de Iniciação Científica, naPPPG; coordenador da área de Física do Programa Universidade para Todos (UPT); coordenador geral do UPT, no âmbito da Uefs; coordenador do Colegiado do Curso de Física e coordenador de pesquisa na PPPG.

Professora adjunta do Departamento de Ciências Humanas e Filosofia (DCHF), Lílian Wanderley integra o Conselho Superior Universitário (Consu) e coordena o Grupo de Estudo, Pesquisa e Extensão de Desenvolvimento Humano (Gepedeh). Ingressou na Uefs em 1995, no Departamento de Educação (Dedu); participou da criação do Núcleo Brasil Canadá (Nubrac), por meio do qual integrou uma pesquisa e um projeto de extensão, que envolveram o Dispensário Santana e a Associação de Proteção à Infância (API). Foi coordenadora do grupo que implantou a Brinquedoteca; coordenou a Área de Fundamentos do Dedu; o Colegiado de Pedagogia, por duas vezes; e o Colegiado de Psicologia, também por dois períodos. Foi assessora da Pró-Reitoria de Graduação (Prograd); integrou a comissão responsável pelo Processo Seletivo de Ingresso ao Ensino Superior (ProSel).

Há 32 anos na Uefs, Luciano Paganucci de Queiroz, professor do Departamento de Ciências Biológicas (DCBio), conhece Dagoberto há mais de 15. Ele conta que o candidato tem uma longa ligação com a Universidade. “Sua mãe foi funcionária da Uefs. Ele foi estudante da Uefs, onde se formou em Engenharia Civil e depois se tornou professor e galgou todas as escalas da carreira docente. Assim, ele conhece a Uefs como poucos, a partir de várias perspectivas e de sua atuação irrequieta e comprometida com a universidade”, comenta.

Sobre Lílian Carla Wanderley, Luciano Paganucci diz que a conheceu mais recentemente e destaca a sua atuação na criação do curso de Psicologia. “Vi sua luta para criar condições para a implantação do curso de Psicologia e, hoje, testemunho a sua preocupação com um ambiente mais humanizado e inclusivo, em nossa universidade”, declara.

O professor do Departamento de Tecnologia (DTEC), Geraldo José Belmonte dos Santos também conhece os candidatos da chapa Uefs de Todos. “Pude acompanhar a atuação de ambos em vários momentos, mas, principalmente, quanto estive como diretor do DTec e pró-reitor de Ensino de Graduação da Uefs. “Ninguém chega à chefia de departamentos e coordenação de colegiados de cursos sem ter o reconhecimento de sua comunidade (professores e estudantes), pois os cargos são exercidos via eleição”, destaca.

Muitos estudantes, no entanto, desconhecem os candidatos da chapa 2, como é o caso de Cássia Cardozo. Ela, todavia, pesquisou a respeito de Dagoberto e descobriu que, ainda quando aluno de Engenharia, integrou o Diretório Acadêmico (DA) do curso, sendo “muito atuante no que diz respeito às lutas, a fim de criar condições dignas para atender à demanda estudantil, conquistando muitos benefícios para o corpo discente”, dentre as quais, a criação da Residência Universitária da Uefs.

Paulino Pereira Oliveira, biólogo e analista universitário há 21 anos, também cita a luta pela implantação da Residência, quando Dagoberto integrava o movimento estudantil, além de recordar sua atuação como docente. Dentre as contribuições à Instituição da professora Lílian, o servidor destaca o fato de ela ser “uma das responsáveis pela implantação do curso de Psicologia da Uefs e da Brinquedoteca, que acolhe crianças da comunidade universitária, enquanto os pais desenvolvem suas atividades na instituição”.

Sheila Leão Ferreira cursou graduação e mestrado na Uefs e, hoje, é analista universitária, na instituição. Ela diz que sentiu necessidade de conhecer as propostas apresentadas por cada chapa. “Tive a oportunidade de conhecer a professora Lílian. O professor Dagoberto já conhecia, informalmente, por conta de eventos promovidos pela universidade. Sei que ambos possuem muito tempo de casa e são pessoas atuantes”.

ANSEIOS DA COMUNIDADE – Dentre as muitas questões a serem resolvidas de maneira urgente, na Uefs, a necessidade de “descentralizar a gestão, dando mais autonomia a departamentos e colegiados, para tomarem decisões que facilitem e agilizem a administração da Uefs”, é a principal, segundo Luciano Paganucci.

Há 25 anos na Uefs, Geraldo Belmonte defende que é necessário “substituir o atual desgoverno por uma gestão mais inteligente dos recursos institucionais, revisando instrumentos legais, implementando a descentralização das decisões, fortalecendo os espaços democráticos de deliberação, propiciando maior transparência das ações e ampliando a captação de recursos, através da diversificação das parcerias e convênios institucionais”.

Aluna de Letras com Francês, Cássia Cardozo lembra a questão dos aparelhos de ar-condicionado, que estão alojados na Uefs desde 2015, mas que nunca foram instalados. A estudante não vê a hora de ter “salas climatizadas, para assistir às aulas com maior conforto”. “É humanamente impossível assistir às aulas num calor insuportável como o que estamos vivenciando”, enfatiza, salientando que os ventiladores, quando não estão quebrados, “produzem um barulho que se sobrepõe à voz do professor”, reclama.

Geisa Oliveira, aluna de Letras Vernáculas, deseja, da próxima gestão, mais comprometimento, ressaltando a necessidade de atendimento psicológico aos alunos. Ela também declara que a Residência Universitária, onde mora desde 2015, tem vários problemas e que a mesma “precisa de assistência, organização, manutenção e atenção”.

Sua colega de curso, Adelly Rouse de Lima Ferreira, cita “aquela fila desrespeitosa” do Restaurante Universitário. “Mais de mil pessoas numa fila para entrar por uma porta só, com quatro caixas para atender àquela demanda enorme”, reclama.

Aluno egresso da Uefs, Paulino Oliveira defende a criação, junto ao governo, de políticas de valorização e permanência dos técnicos universitários, já que a evasão de servidores da instituição é a maior dentre as universidades estaduais. “Hoje, diversos colegas estão adoecidos com o abandono e o descaso para com a nossa categoria”, lamenta. Segundo ele, também falta humanização no tratar com os terceirizados. “É necessário acabar com os constantes atrasos de salários, que afetam diretamente os trabalhadores, mães e pais de família, que trabalham de sol a sol, na instituição”. Ele ainda conta que “muitos colegas são assediados pelos chefes, com ameaças e comentários pejorativos, em momentos de manifestações por melhorias das condições de trabalho e melhores remunerações”.

Sheila Ferreira, que é bióloga, acrescenta ainda “o troca-troca de empresas terceirizadas, que findam por deixar esses trabalhadores por três e até cinco anos sem férias; a redução da oferta de vagas na creche, decorrente da redução do número de educadoras, além da impossibilidade de ampliação dessas vagas, por conta do abandono ao projeto de construção do novo prédio do Centro de Educação Básica (CEB), tão esperado pela comunidade; o corte da insalubridade dos servidores técnicos, com base em um ‘laudo técnico’ que apresenta aberrações, como afirmar que um laboratório de pesquisa com microrganismos não trabalha com material biológico; a falta de manutenção nos laboratórios; a falta de vagas para promoção e/ou progressão na carreira dos servidores técnicos; a atual política de permanência estudantil, que, por vezes, favorece quem não precisa e exclui, ou atende parcialmente, quem realmente precisa; a ausência de espaços de convivência e de restaurantes que atendam à demanda da comunidade; problemas no fornecimento de internet e no funcionamento dos sistemas administrativos e acadêmicos utilizados; e o problema da segurança no campus”.

PRIORIDADES – Dagoberto Freitas acredita que “a ideia de uma Uefs de Todos passa pela necessidade de não hierarquizar os coletivos que integram a universidade, isto é estudantes, docentes, servidores técnico-administrativos e terceirizados, porque todos são igualmente importantes para a sobrevivência da instituição”. Ele diz que, por se tratar de uma instituição de ensino, a maior preocupação é assegurar a qualidade dos cursos de graduação e pós-graduação.

Para tanto, o candidato a reitor salienta que é imprescindível realizar uma requalificação das Políticas de Permanência Estudantil e promover uma retomada do apoio às atividades acadêmicas de pesquisa. “Tudo isso, no entanto, exige que busquemos a ampliação do orçamento e promovamos uma retomada da política de valorização dos servidores técnicos, que são dois dos maiores desafios”, observa.

Conforme Dagoberto, as cotas mensais do orçamento já aprovado para as universidades estaduais não têm sido repassadas, pelo Estado, à Uefs. Para regularizar esses repasses, ele pretende construir um diálogo com o Governo, o que, segundo ele, não tem sido feito pela atual gestão. O candidato também defende a captação de recursos por meio de projetos submetidos a editais publicados pelas agências de fomento.

“Não podemos pensar no orçamento da Uefs dependendo, exclusivamente, do Governo do Estado da Bahia. Existem fontes de recursos para o apoio à Pesquisa e à Pós-graduação, que também podem ser exploradas. A maior parte da infraestrutura de pesquisa e pós-graduação da Uefs foram implementadas a partir de convênios com o Finep, agência de fomento ligada ao Ministério de Ciência e Tecnologia. A Uefs não pode abrir mão desses recursos, como tem sido feito, nos últimos quatro anos. Só para termos uma ideia, a Uefs devolveu um valor próximo a R$ 5 milhões, em recursos de convênios para a Pesquisa e a Pós-graduação, em 2017, e deixou de captar, pelo menos, R$ 2 milhões, em 2018”, denuncia Dagoberto.

Ele enfatiza que a sua gestão, caso eleito, também buscará ampliar os recursos, “dialogando com os membros dos poderes Executivo e Legislativo, em diversas esferas, e apresentando projetos exequíveis e de interesse da sociedade a parlamentares da região, em busca de Emendas que possam contribuir, significativamente, com o orçamento da Universidade”, garante.

 

PRINCIPAIS PROPOSTAS:

• Consolidar as atividades de Ensino, Pesquisa e Extensão, melhorando as condições de trabalho e de oferta dos cursos e das atividades;

• Criar políticas para manutenção dos museus e espaços culturais e de difusão do conhecimento da Uefs, permitindo seu pleno funcionamento, de forma a atender, mais e melhor, a sociedade feirense;

• Fortalecer as Políticas de Ações Afirmativas e Inclusão, melhorando sua gestão, de forma a permitir sua ampliação e qualificação;

• Melhorar as condições de trabalho dos servidores (docentes e administrativos);

• Implementar uma política de valorização dos servidores técnicos;

• Criar espaços de convivência e restaurantes, para atendimento da comunidade universitária, em geral;

• Desenvolver, de forma preventiva, ações de manutenção da infraestrutura instalada;

• Descentralizar a gestão e fortalecer a administração adstrita (departamentos e colegiados);

• Ajustar o horário de funcionamento de espaços administrativos, para contemplar o atendimento noturno;

• Implementar uma Política de Inovação Tecnológica e Empreendedorismo;

• Promover parcerias com setores públicos, econômicos e organizações sociais, permitindo que a Uefs seja agente de transformação da realidade local e regional;

• Implementar um projeto de Uefs aberta à comunidade, utilizando os espaços do campus para lazer, esporte, cultura e arte;

• Implementar uma Política de Segurança no Campus



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