A Equipe de Estudo e Educação Ambiental (EEA) da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) acredita que, apesar da legislação vigente, o município de Feira de Santana demonstra pouco comprometimento com as questões concernentes ao problema dos resíduos. E isso se agrava com a baixa participação da população e dos setores da sociedade civil no enfrentamento dessa grave demanda.
“Não há, na cidade, um sistema de coleta seletiva que abarque todo o seu território. E as pessoas, na grande maioria das vezes, não contribuem com o descarte apropriado do lixo. Isso ocorre por inúmeras razões, que vão desde o desinteresse pelo tema até o desconhecimento de sua importância, passando ainda pela ausência de condições para a realização de um processo de separação que seja consequente em outros estágios, para além do território doméstico”, diz a EEA.
Conforme a equipe, não adianta a população separar o lixo, em casa, e ver esse mesmo lixo seguir para um único espaço de descarte, que é o aterro. “Há importantes iniciativas de coleta de recicláveis, na cidade, mas estas acabam se tornando ações isoladas e de pouco impacto no município, tanto na zona urbana quanto na zona rural”, observa.
A EEA não tem dados acerca do comprometimento da população com a separação do lixo. Mesmo assim, avalia que há bastante informação sobre a importância da separação dos resíduos, principalmente em programas de rádios, televisões e outras mídias e setores. “As instituições formais já tratam desse tema, em seus currículos, em todos os níveis de escolaridade. As iniciativas não formais de educação e os órgãos públicos e privados estabelecem regras ou fazem parcerias para, pelo menos, formalizar a coleta seletiva em seus espaços”, considera.
No entanto, para a Equipe de Educação Ambiental da Uefs, essas ações devem ser de múltiplas dimensões. “É preciso abranger diversos campos, como o pessoal, o institucional, o político e o cultural, criando, além de legislações, condições estruturantes de efetivação das políticas, de modo a educar, efetivamente, a população em torno do tema”, destaca.
TRABALHOS SOCIOPEDAGÓGICOS – A EEA tem uma longa trajetória de estudos e ações, no campus da Uefs, em torno dos temas ligados à Educação Ambiental, ao Gerenciamento de Resíduos Sólidos e ao Saneamento Ambiental. “Aqui, desenvolvemos, no dia a dia, a separação dos resíduos de acordo com o sistema de coleta seletiva: papel, plástico, metal, isopor, vidro, orgânico e resíduo aterro. Os recicláveis são separados, pesados e utilizados nos trabalhos sociopedagógicos realizados junto ao Projeto de Coleta Seletiva do Campus”, informa.
Segundo a EEA, o material orgânico coletado das cantinas e do Restaurante Universitário (RU) é transformado em composto orgânico, através da montagem de pilhas de compostagem, monitoradas, diariamente, pelo técnico responsável. E o resíduo aterro, de natureza não reciclável, é encaminhado ao aterro sanitário da cidade.
No que concerne à questão educacional, o setor recebe, anualmente, centenas de estudantes e professores dos ensinos Fundamental, Médio, Superior e Técnico. O trabalho realizado junto ao público consiste na apresentação de propostas pedagógicas que abordam temas ligados à Educação Ambiental, em nível local e global. Além disso, os visitantes também são informados sobre os impactos e consequências para a população. “Não abordamos a mera questão do lixo pelo lixo. Antes, falamos sobre os resíduos enquanto produtos de uma sociedade de consumo desenfreado, que precisa repensar suas formas de produção e relação com o trabalho, o ambiente e a natureza”, esclarece a EEA.
A Equipe de Educação Ambiental da Uefs também é constantemente contatada para ministrar cursos e palestras. “Ao longo de 28 anos de existência, temos conseguido despertar a curiosidade do público escolar acerca do tema Educação Ambiental. Ano após ano, trabalhamos para manter o interesse das visitas institucionais escolares ao nosso espaço. E, muitas vezes, tivemos a grata surpresa do retorno dos adultos, já professores ou pesquisadores, que tiveram alguma experiência junto à EEA como fator marcante na formação da consciência ambiental. É um trabalho de ‘formiguinha’, difícil de mensurar, mas, com certeza, edificante, tanto no campo da educação, quanto da consciência social e ambiental”.