O prefeito Colbert Martins Filho viajou, recentemente, até a cidade de Teresina, a fim de conhecer a Central de Abastecimento do Piauí (Ceapi), mais conhecida como Ceasa Nova. O equipamento da capital piauiense passou por uma profunda transformação, a partir de uma Parceria Público-Privada (PPP), e Colbert Martins voltou disposto a fazer o mesmo na cidade de Feira de Santana. “Meu objetivo é promover melhorias importantes no nosso Centro de Abastecimento, que tem características muito próximas às do entreposto que visitamos em Teresina”, afirmou o prefeito.
A Ceasa Nova da capital do Piauí superou, com a sua nova conformação, graves problemas de limpeza, segurança e infraestrutura, melhorando, significativamente, seus espaços e serviços, para comerciantes e consumidores.Atualmente, o equipamento é considerado uma referência pela Organização das Nações Unidas (ONU).
No início do mês de agosto, o prefeito de Feira de Santana realizou um encontro com os permissionários do Centro de Abastecimento e apresentou a proposta de transformação do entreposto local. Na ocasião, Colbert explicou que a Ceasa Nova, de Teresina, tem estrutura semelhante ao equipamento feirense. “Hoje, são 1.800 permissionários. Houve uma profunda mudança de perfil, o que resultou numa maior quantidade de negócios, melhores condições de trabalho, além de movimentar, diariamente, algo em torno de R$ 60 milhões”, ressaltou.
Colbert destacou ainda que o primeiro passo para realizar uma mudança desse porte é a participação de todos os permissionários. “Temos que ter o pensamento de organização e profissionalização”, completou.
LOCAL NÃO DEFINIDO – O secretário de Planejamento de Feira de Santana, Carlos Brito, destacou que o setor de atacado será realocado para uma grande Central de Abastecimento, ainda sem localização definida. “Precisamos evitar qualquer tipo de especulação imobiliária. Se falarmos que um equipamento desses vai para alguma área, os preços dos terrenos chegarão a níveis estratosféricos. Estamos buscando uma alternativa exequível, que seja melhor para todo mundo”, ponderou.
Brito ressaltou que ainda não existe um projeto pronto para tal obra. Ele salientou que, no momento, o Governo Municipal está construindo uma modelagem de como o projeto irá acontecer: se será permissão, concessão ou uma Parceria Público-Privada. “Só após a conclusão desses estudos é que serão definidos os melhores caminhos a serem seguidos”, enfatizou.
Segundo o secretário, o novo Centro de Abastecimento será, provavelmente, construído por meio de uma PPP. “O Município não pode ter um local com atividade comercial construído apenas com verba pública. Assim, o novo Centro de Abastecimento precisa ser edificado junto com quem explora esse mercado”, ressalvou.
Carlos Brito também disse que conviver com tantos caminhões na Avenida Padre Anchieta, mais conhecida como a Avenida de Canal, durante a semana, é algo que já beira o impossível. “Durante o dia, perturbam o tráfego; de madrugada, perturbam os moradores da vizinhança. A área central da cidade não comporta mais esse tipo de atividade. A mudança é necessária não só para quem atua nesse ramo, mas também para as pessoas que trabalham ou vivem naquele entorno ou que precisam passar, diariamente, por aquela região. Não há tranquilidade, em função do volume de caminhões nas imediações do Centro de Abastecimento”, avaliou.
Conforme o secretário, também não há qualquer estimativa de quando a Administração Municipal começará as obras do novo Centro do Abastecimento. “Não temos ainda um cronograma estabelecido. O que sabemos é que, no entreposto atual, ficarão apenas o varejo e o novo Centro Comercial Popular”, esclareceu.
O QUE DIZ O SINDICATO – Na opinião de Reginaldo dos Santos, presidente do Sindicato Intermunicipal dos Trabalhadores Autônomos de Feiras Livres, Barracas, Boxes, Artesãos e Movimentação de Mercadorias de Feira de Santana (Sindifeiras), a construção da nova Ceasa feirense será benéfica para os pequenos comerciantes do atual Centro de Abastecimento, que têm como concorrentes os caminhões que vendem tanto no atacado quanto no varejo.
O sindicalista destacou que a mudança é uma reivindicação constante da categoria. “Não tem condições de os caminhoneiros, além de entregarem suas cargas, disputarem as vendas com os varejistas. Como entidade sindical, digo que não há mais como os caminhões permanecerem naquela região”, protestou.
Por esse motivo, surgiu a proposta de criação de um novo local para as vendas em atacado. “Seria um centro de cargas, que serviria para desafogar a região do atual Centro de Abastecimento. A medida acabaria com os problemas gerados pelos caminhões. Só que não sabemos ainda onde ficará a nova Ceasa. A cada dia, dizem que será construída em um local diferente. Estamos lutando por nossa liberdade, porque não temos mais condições de transitar naquela área”, comentou.
Reginaldo dos Santos salientou ainda que a categoria vem participando das discussões, mas disse que as cobranças dos trabalhadores não estão sendo levadas em conta. “Eles nos privam. O Governo sempre está à frente e tentando ocultar algumas questões. A única coisa que sabemos é que nossa reivindicação será atendida, com a construção da nova Ceasa. Nada mais”, observou.
CÂMARA MUNICIPAL – O vereador Luiz da Feira, do Partido Pátria Livre (PPL), é ligado aos vendedores ambulantes da cidade e se autointitula representante da categoria, na Câmara Municipal de Feira de Santana. Ele destacou que, embora faça parte do grupo político ligado à Administração Municipal, não tem sido informado sobre quais intervenções e mudanças serão realizadas no entreposto comercial. “Fiz uma visita recente ao local, ocasião em que voltei a conversar com os comerciantes. E, mais uma vez, eles pontuaram as demandas do Centro de Abastecimento, reivindicações estas que já apresentei ao prefeito”, garantiu.
Luiz da Feira afirmou ainda que o Centro de Abastecimento é um assunto debatido, com frequência, na Câmara Municipal. “Já solicitei explicações ao nosso gestor sobre as obras do Shopping Popular, equipamento que ocupa uma grande parte do entreposto, mas cujo projeto, até o momento, não está bem claro”, apontou, destacando o fato de estar sendo bastante cobrado pela população, nesse sentido. “As únicas informações que nos chegam são aquelas que a própria imprensa feirense divulga”, lamentou.