Está em curso o projeto de revitalização do centro comercial de Feira de Santana. O objetivo é realizar várias melhorias em termos de uso e ocupação do solo, como ampliação das calçadas e outras adequações condizentes com os preceitos estabelecidos pelo Estatuto da Cidade, documento que prima pelo direito pleno à mobilidade nos centros urbanos. A previsão é de que o projeto comece a ser colocado em prática em fevereiro ou março do próximo ano, quando a prefeitura pretende entregar o Shopping Popular à comunidade feirense.
O secretário municipal de Trabalho, Turismo e Desenvolvimento Econômico, Antônio Carlos Borges Júnior, destacou que o projeto conceitual foi encaminhado à Caixa Econômica Federal e ao Banco do Brasil, para solicitação de um empréstimo no valor de R$ 130 milhões.
Ele ressaltou que, do valor total, até R$ 100 milhões virão da Caixa Econômica, através do Financiamento à Infraestrutura e ao Saneamento (Finisa). Os outros R$ 30 milhões virão do Banco do Brasil.Borges Júnior disse que, após a assinatura do empréstimo, serão feitas as licitações, para início imediato das obras.
Segundo o gestor, o dinheiro será empregado em obras de mobilidade, com o intuito de melhorar a qualidade de vida dos cidadãos feirenses. Dentre muitas outras ações, o projeto prevê a construção de ciclovias. Obras de saneamento básico também deverão ser realizadas.
De acordo com Borges Junior, uma das prioridades será a requalificação da Rua Sales Barbosa, hoje tomada pelos vendedores ambulantes. “Esse local exige uma maior adequação. Queremos dar um ar de modernidade ao calçadão, melhorando não só o saneamento, mas também toda parte elétrica e a mobilidade. A ideia é criar uma nova artéria, na qual as pessoas possam ter seus direitos de ir e vir assegurados, em atendimento ao Estatuto do Pedestre, ao Estatuto da Pessoa com Deficiência e também ao Estatuto do Idoso”, afirmou.
Conforme o secretário, o Governo Municipal também quer melhorar a Rua Marechal Deodoro e a Avenida Senhor dos Passos. “São as áreas mais críticas de Feira e precisamos de uma solução urbanística eficiente, porque, na nossa percepção, a retirada dos ambulantes, para o Shopping Popular, deixará essas áreas degradadas. Foi o que aconteceu com o Mercado de Arte Popular (MAP). Quando as barracas do entorno foram retiradas, para o início da reforma, percebemos o quanto o piso estava danificado. Até poços artesianos encontramos em locais impróprios”, afirmou.
Antônio Carlos Borges Júnior disse ainda que a prefeitura priorizará a melhoria dos passeios, a construção de rampas de acesso e a colocação de pistas táteis. Obras de drenagem e de recuperação de pisos também serão executadas, bem como a instalação de jardins e de equipamentos de iluminação “Usaremos novas tecnologias em favor da cidade e da população, como a iluminação por meio de lâmpadas LED”, completou.
Borges Junior acredita que as mudanças darão mais qualidade à vida dos cidadãos que circulam, diariamente, nessas vias. No seu entendimento, as obras de requalificação também vão valorizar o patrimônio histórico da cidade, já que, nesse eixo, há equipamentos já tombados, que precisam de atenção. Exemplo disso são os coretos de algumas praças. “Essas ações atenderão a várias necessidades do centro da cidade”, enfatizou.
OPERACIONALIZAÇÃO – Ainda de acordo com o secretário Antônio Carlos Borges Júnior, o empréstimo já foi aprovado pelas entidades financeiras, o que já dá condições de operacionalização ao Governo Municipal. “Estamos aguardando a finalização das obras do Shopping Popular e a transferência dos ambulantes para o local, a fim de termos uma melhor noção de quanto será preciso intervir nesses espaços”, justificou.
Questionado se os ambulantes deixarão realmente as principais ruas do centro da cidade, o gestor disse que “todos os comerciantes que têm barracas fixas foram contempladas com um espaço no Shopping Popular”. Segundo ele, apenas os vendedores que trabalham com carrinhos de mão ficaram de fora desse projeto. “Para estes, temos dois planos: o primeiro é que voltem a vender seus produtos no Centro de Abastecimento; o segundo é a realização de uma feira livre itinerante. Estamos fazendo um chamamento público nesse sentido. A ideia é atrair quem queira participar dessa ação, que visa montar uma feira, uma vez por semana, em cada bairro”, esclareceu.
Segundo Borges Júnior, no caso da feira itinerante, o transporte das barracas ficaria a cargo da própria Secretaria de Trabalho, Turismo e Desenvolvimento Econômico. Os comerciantes ficariam responsáveis apenas por levar suas mercadorias para o bairro determinado naquele dia. “Já estamos levantando os custos e estudando a forma como acontecerá. Vamos viabilizar tudo, para que o projeto comece em 2019”, assegurou.
No Centro de Abastecimento, o secretário salientou que algumas ações já estão sendo realizadas. Ele disse que um estacionamento já foi feito no local e que os banheiros foram terceirizados pela Associação dos Comerciantes e Trabalhadores do Centro de Abastecimento (ACT - Centro).
Além disso, a artéria que dá acesso à Avenida de Canal, um pleito da Polícia Militar (PM), para melhor atender os objetivos de segurança, também foi fechada. “Estamos fazendo o esgotamento sanitário, para melhorar as condições de higiene no entreposto, e, futuramente, asfaltaremos a via principal. Outras questões serão resolvidas quando fizermos o arruamento, que se chamará Augustinho Vieira e que trará benefícios para aquele ambiente de comércio”, afirmou.
TRÂNSITO – Ações no trânsito de Feira de Santana também serão realizadas, por conta da requalificação do centro da cidade. De acordo com o superintendente Municipal de Trânsito, Maurício Carvalho, o órgão está desenvolvendo um projeto, em função da construção do Shopping Popular, para que, no entorno do Centro de Abastecimento, o tráfego flua melhor. “Colocaremos em prática algumas medidas, como a proibição de estacionamento em determinados locais; a mudança de sentido de algumas vias; e a colocação de sentido único em outras ruas. Aquela região é um grande problema”, constatou.
Segundo Maurício Carvalho, na parte da Ceasa, área comercial que corresponde às vendas em atacado, circula uma grande quantidade de caminhões e o movimento de carros, principalmente às quartas-feiras e aos sábados, também é intenso. Conforme o superintendente, os problemas surgiram porque a quantidade de veículos aumentou, mas a estrutura física permaneceu a mesma. “Nosso setor de engenharia está fazendo esse projeto para ajustar e diminuir o impacto que existe, hoje, naquelas imediações. As retenções, os conflitos, tudo está sendo devidamente estudado”, informou.
Ele salientou ainda que também há uma proposta de melhoria de tráfego para a Rua Marechal Deodoro. Maurício Carvalho disse que, para resolver os problemas nessa via, a ideia é retirar o canteiro central e mudar os postes de iluminação para as laterais, o que incorrerá no seu alargamento, podendo até mesmo se tornar de mão única. “Isso irá melhorar bastante a fluidez e a segurança no trânsito. Mas tudo tem sido muito estudado, junto com a Secretaria de Trabalho, Turismo e Desenvolvimento Econômico. O reordenamento dos ambulantes facilitará muito a questão do trânsito e, para isso, estamos desenvolvendo essas ações conjuntamente”, completou.
Maurício Carvalho citou ainda outro projeto desenvolvido pela Superintendência Municipal de Trânsito (SMT), com a finalidade de democratizar o espaço no centro da cidade: a Zona Azul. “Em 2019, já deve estar sendo licitado”, concluiu.