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Polícia Federal tem quatro inquéritos instaurados para apurar ameaças e ofensas à presidente do TSE

Da Redação - 24 de Outubro de 2018 | 16h 28
Polícia Federal tem quatro inquéritos instaurados para apurar ameaças e ofensas à presidente do TSE
Foto: Carlos Moura/SCO/STF

A Polícia Federal (PF) instaurou inquérito para investigar o coronel do Exército Carlos Alves, do Rio de Janeiro, que divulgou um vídeo, nas redes sociais, chamando a ministra Rosa Weber, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de “vagabunda e corrupta”.

De acordo com o Jota, site especializado em notícias jurídicas, na terça-feira (23), os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitaram a instauração do inquérito. Nesta quarta-feira (24), o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, confirmou o início das investigações contra o militar. “Ontem mesmo determinei instauração de inquérito para apurar essas agressões que ela foi vitima, sabemos de quem se trata e onde se encontra”, afirmou o magistrado.

No vídeo, o coronel ameaça e desrespeita não apenas a ministra Rosa Weber, mas a todo o STF e critica o fato de a magistrada ter recebido representantes do Partido dos Trabalhadores (PT). Os membros da legenda estiveram no TSE cobrando providências acerca da ação movida contra o candidato Jair Bolsonaro, por ter se beneficiado de recursos de empresas que teriam comprado pacotes de mensagens com a finalidade de difamar o candidato petista.

No vídeo, o coronel Alves afirma: “Essa salafrária, essa corrupta, essa ministra corrupta e incompetente. Se ela fosse séria, patriótica e não devesse nada para ninguém, ela nem receberia essa cambada no TSE”.

Segundo o Jota, esse é o quarto inquérito aberto para apurar ameaças à presidente da Corte Eleitoral. O site informou ainda que dois processos se referem a e-mails enviados ao Tribunal contendo ataques à Rosa Weber e um ao caso de uma mulher que ofendeu a ministra em frente à Corte. Conforme Raul Jungmann, todos já foram identificados, até mesmo o responsável pelo envio de um do Japão com ataques à ministra.

REAÇÃO DO STF – Ontem, o ministro Celso de Mello, decano do STF, teceu críticas contundentes ao coronel Carlos Alves. O magistrado enfatizou que o militar fez um “discurso imundo, sórdido e repugnante”.

O ministro disse ainda que alguns cidadãos abusam dos privilégios da liberdade de expressão, optando por “manifestar ódio visceral e demonstrar intolerância com aqueles que consideram inimigo. Tem incapacidade de conviver com harmonia no seio de sociedade fundada em bases democráticas. Todo esse quadro imundo que resulta no vídeo que mencionei que longe de traduzir liberdade de palavras constitui corpo de delito com ofensas”.

O QUE DIZ O EXÉRCITO –De acordo com o Jota, o Centro de Comunicação Social do Exército, por sua vez, divulgou uma nota, por meio da qual afirma que a fala do militar em questão não reflete o pensamento da instituição. Confira o teor do documento:

1. A pessoa que aparece no vídeo é o Coronel Carlos Alves, militar da reserva.

2. O referido militar afronta diversas autoridades e deve assumir as responsabilidades por suas declarações, as quais não representam o pensamento do Exército Brasileiro. O General Villas Bôas, Comandante do Exército, é a autoridade responsável por expressar o posicionamento da Força.

3. Cabe ressaltar, ainda, que o Comandante do Exército, por intermédio de seu Gabinete, encaminhou uma representação ao Ministério Público Militar solicitando que fosse investigado o cometimento de possível ilegalidade.



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