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Saúde

Novembro Azul: Especialista tira dúvidas sobre o câncer de próstata

03 de Novembro de 2016 | 11h 58
Novembro Azul: Especialista tira dúvidas sobre o câncer de próstata
Foto: Roberta Costa | Médico João Batista Cerqueira
Roberta Costa 
 
O câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens no Brasil. E é de olho naqueles que não se cuidam que a campanha Novembro Azul foi criada. O objetivo é levar informação e reduzir os números de mortes por causa da doença, que é silenciosa e, quando apresenta algum sintoma, pode ser tarde demais. Por isso, o Tribuna Feirense conversou com o médico urologista, Doutor João Batista Cerqueira. Ele esclareceu as principais dúvidas quando se fala em câncer de próstata.
 
Tribuna Feirense: Qual é a função da próstata?
 
João Batista: A próstata é uma glândula. As glândulas são órgãos responsáveis pela produção de substancias. Nós temos glândulas endócrinas e glândulas exócrinas. As endócrinas produzem substâncias que são jogadas diretamente no sangue. As exócrinas, produzem substâncias que são excretadas no meio externo. Por exemplo, as glândulas sudoríparas, que produzem o suor que é excretado pela pele, é uma glândula exócrina. A próstata também é uma glândula exócrina, pois produz uma substância que é parte do líquido seminal, que vai constituir o ejaculado masculino. 35% do que o homem ejacula durante o ato sexual ou a masturbação é produzido pela glândula prostática.
 
TF: Qual a relação entre a próstata e a ereção?
 
JB: Não tem relação. A próstata é uma glândula anexa do sistema genital masculino. Ela pura e simplesmente produz líquido, que é fundamental para a vitalidade do espermatozoide, mas não possui relação com a ereção. 
 
TF: Qual a chance de um homem ter câncer de próstata?
 
JB: Só três doenças acometem a próstata. As doenças infecciosas, conhecidas prostatites, muito comuns na juventude, devido a prática de atividades sexuais. Em segundo, as doenças benignas da próstata, a hiperplasia prostática benigna; 85% dos homens ao longo da vida terão um crescimento benigno da próstata. E a terceira doença é o câncer de próstata; à medida que o homem vai envelhecendo, aumenta a chance de ter câncer de próstata. Estima-se que, em media, 10% dos homens com 60 anos, tem câncer de próstata. Aos 70, o número aumenta para 20% e com 80 anos, 40%. Ou seja, o envelhecimento é um fator de risco.
 
TF: Qual o exame mais eficaz no diagnóstico?
 
JB: Não existe exame que é mais especifico e recomendado. É um conjunto de exames que hoje permitem uma maior segurança para o diagnóstico do câncer de próstata. Um exame não substitui o outro, eles se somam. 
 
TF: O que é um tumor e qual a diferença entre tumor benigno e maligno?
 
JB: Tumor é um termo genérico, que se refere ao crescimento de um tecido. O tumor benigno é localizado, ou seja, não muda de posição. Já o maligno é migratório, por exemplo, sai da próstata e invade os ossos. Portanto, a hiperplasia prostática benigna fica limitada a próstata, enquanto os tumores malignos como o câncer prostático, podem invadir tecidos vizinhos, como os ossos, pulmão e crânio. 
 
TF: É possível ter um câncer de próstata sem evolução?
 
JB: Existem o câncer que é mais agressivo e o que é menos agressivo. A próstata é uma glândula exócrina, similar à glândula mamaria da mulher. Na medida em que o câncer de próstata surge em pessoas mais jovens, ele é muito agressivo. Aos 40, 45 e 50 ele é extremamente agressivo, já aos 80 anos, provavelmente, o indivíduo vai morrer de outras causas e não pelo câncer de próstata. Dependendo do estágio da doença, a pessoa não sente nada. Se estiver em uma fase avançada, há dores ósseas, por isso é importante se prevenir e fazer exames a cada seis meses.
 
TF: Como estão as pesquisas em relação ao câncer de próstata?
 
JB: Estudos avançados em centro de referências já estão buscando vacinas para tratar, não só  o câncer de próstata, mas todos os tipos de câncer. Na área urológica, o que está mais avançado é o tratamento para combate ao câncer de rim. A vacina é a grande esperança para o tratamento de câncer. Com fé em Deus teremos vacinas para combater o câncer, assim como temos hoje para doenças infectocontagiosas. 
 
TF: O que pode diminuir a chance de ter essa doença?
 
JB: O estilo de vida é fundamental para a prevenção. Fazer exercícios físicos com regularidade, de 4 a 5 dias por semana, cuidar da alimentação. Não vamos culpar quem fabrica refrigerante e bebidas alcoólicas, temos que evitar o consumo. Usar pouca carne vermelha e gordura saturada, consumir frutas e verduras e evitar a obesidade.
 
TF: Quais são os perigos da automedicação?
 
JB: A sociedade brasileira está tomando remédio demais. Remédio é droga, droga mata. A medicação faz
bem, mas em excesso, faz mal. A política de medicamentos do Brasil tem que mudar e os médicos também devem passar menos remédios.
 
TF: Como a campanha Novembro Azul ajuda no combate ao câncer de próstata?
 
JB: Embora o tema mais falado seja a próstata, a campanha tenta mudar o estilo de vida do homem, para que ele vá ao médico, faca exames. É possível prevenir. Um simples exame de sangue conhecido como PSA pode ser a salvação. Para um diagnóstico mais preciso faz-se o toque retal. Detectado inicialmente, a chance de cura é de 90%. 


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