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Saúde

Clientes da Camed sofrem após migração para Unimed

JULIANA VITAL - 15 de Abril de 2015 | 08h 47

Procon recorreu à justiça para tentar resolver a questão

Clientes da Camed sofrem após migração para Unimed
Suzana Mendes, do Procon, espera a intervenção da Justiça

O Procon de Feira de Santana, entrou na justiça com uma ação civil pública contra as operadoras de saúde Camed e Unimed. A Camed vendeu sua carteira de clientes para a Unimed, cujo serviço vem desagradando os clientes que foram obrigados a migrar.

Em média surge quase uma reclamação por dia no Procon, feita por antigos clientes da Camed, de acordo com a superintendente do órgão, Suzana Mendes. Metade das queixas, devido à urgência, são encaminhadas diretamente à justiça, para que o interessado tente obter uma liminar. São casos de cirurgias caras ou exames complexos e medicamentos de alto custo.

A transação entre Camed e Unimed ocorreu em outubro do ano passado e desde então o Procon vem atendendo reclamações de usuários que se sentem prejudicados.  A começar pela comunicação da mudança. Os clientes receberam uma carta informando que o plano de saúde Camed não existe mais e que agora eles passariam a ser atendidos pela Unimed Norte Nordeste (que não é a mesma empresa Unimed de Feira de Santana). Alguns clientes nem carta receberam.

“Na minha casa não chegou carta. Apenas se o cliente entrasse no site havia um pequeno banner informando. Falta de respeito total. Minha família toda tem a Camed. Ao ligar para marcar um pneumologista em fevereiro, a atendente foi logo dizendo que marcação só a partir de março, com atendimento para abril”, reclama a publicitária Mabel Chalegre.

Logo em novembro de 2014 foram abertos oito termos de denúncia no Procon. “As pessoas não conseguiam marcar exames, consultas, não conseguiam mais encontrar especialistas que antes eram credenciados e com a mudança para a Unimed, passaram a não atender mais os pacientes pelo plano”.  Além disso, os clientes não tinham mais a mesma gama de clínicas, hospitais e profissionais.  "Quem antes tinha costume de ser atendido em diversas clinicas e hospitais, passou a ser atendido apenas no hospital Unimed e em poucas clinicas", afirma Suzana.

Um exemplo disso é Fabiano Coelho, que usava com freqüência o serviço da Camed, mas desde a mudança vem sofrendo para marcar consultas. "É uma verdadeira peregrinação até saber quem são os profissionais credenciados. Sem falar que no meu caso, por ser diabético, era acompanhado por profissionais com quem tinha um relação de confiança. Agora estou contando com a sorte para encontrar um novo profissional. Tentei no mês passado marcar um dermatologista. Em duas tentativas a secretaria me informou que o agendamento para o plano Unimed ocorre em um único dia, como forma de limitar o número de atendimentos pelo plano. Eu só conseguiria uma data mais próxima para maio, um absurdo", lamenta.

De acordo com a superintendente, pelo número de queixas o Procon já percebeu que a nova rede assistencial não é compatível com a anterior, como determinam as regras do setor quando uma empresa é absorvida por outra. Além do Procon os prejudicados podem recorrer à ANS (Agência Nacional de Saúde) para reclamar.

Suzana conta que muitas vezes o Procon resolveu situações pequenas ligando para a Unimed junto com o cliente, e exigindo que o plano providenciasse a marcação de consulta ou exame, dando um prazo de 24h. Uma tentativa de resolver o problema de forma administrativa também foi feita.  O Procon convocou as duas operadoras de saúde para uma reunião  para tentar resolver internamente, de forma apenas administrativa, mas somente a Camed compareceu.

Na reunião, a Camed  explicou que não tem mais interesse em operar como plano de saúde de pessoa física nem empresarial. Será exclusiva dos funcionários do Banco do Nordeste.

"Abrimos após a reunião um processo administrativo com base nas queixas já registradas no Procon e aplicamos uma multa no valor de 50 mil reais tanto para a Unimed quanto para a Camed. Foi uma multa cautelar, pois ainda não concluímos de quem é realmente a responsabilidade", admite Suzana.

Após esta tentativa de resolver de forma administrativa, o órgão de defesa do consumidor resolveu entrar com uma ação civil pública contra a Unimed, com pedido de multa para cada caso não resolvido. O Procon propôs que sejam pagos R$ 20 mil por queixa, mas só o juiz pode definir o valor. O problema é que não há um juiz. O processo deu entrada no dia 17 de março na 7a Vara. O processo ainda não andou, porque o juiz titular entrou de férias e não foi nomeado um substituto.

Desde 26 de março a reportagem da Tribuna Feirense vem tentando falar com alguém da Unimed. Fomos encaminhados à assessoria de imprensa local, que encaminhou para a regional Norte/Nordeste, na Paraíba, que ficou de responder, mas não o fez.



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