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Saúde

Paciente de transplante cardíaco recebe alta nesta sexta-feira

18 de Dezembro de 2015 | 17h 55
Paciente de transplante cardíaco recebe alta nesta sexta-feira
Cosme Bispo, 38 anos, foi submetido ao procedimento no Hospital Ana Nery (HAN), acompanhado do secretário estadual da Saúde, Fábio Vilas-Boas

Desde 2009, a Bahia não realizava um transplante cardíaco. Essa história mudou no dia 27 de novembro deste ano, quando o paciente Cosme Bispo, 38 anos, foi submetido ao procedimento no Hospital Ana Nery (HAN) e, nesta sexta-feira (18), acompanhado do secretário estadual da Saúde, Fábio Vilas-Boas, recebeu alta hospitalar. Essa é uma das primeiras conquistas da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), que ao lançar uma nova política de estímulo à doação de órgãos, busca ampliar o número de transplantes na Bahia. 

“Infelizmente, a Bahia figura entre os estados que menos transplantam no País. É um compromisso do governador estimular a doação e os transplantes”, afirmou Vilas-Boas. O procedimento foi realizado no HAN pela primeira vez e com sucesso, como ressaltou o diretor-geral Luis Carlos Passos. 

De acordo com ele, a expectativa é realizar entre dez e 20 transplantes de coração por ano, considerando que o hospital possui toda a estrutura para procedimentos dessa natureza, uma vez que já faz transplantes de rins. “Temos um excelente parque de bioimagem, recursos humanos especializados e profissionais dedicados”. 

Para o coordenador clínico do serviço de transplantes, André Durães, o paciente evoluiu “muito bem, dentro do período previsto para cirurgias dessa natureza”. Cosme Bispo reforça que a cirurgia foi bem sucedida e já comemora a realização de atividades simples do dia a dia, como tomar um banho, que antes [demandava] a ajuda de alguém. “Eu estava tão mal, que até deitado eu sentia cansaço”. Segundo ele, os seus dias eram marcados por constantes idas e vindas às emergências das unidades de saúde e o transplante era a única opção.

Ato de amor

“Doar órgãos é um ato de amor”. A afirmativa é do coordenador do Sistema Estadual de Transplantes (Coset), da Sesab, Eraldo Moura. Segundo o especialista, uma doação de múltiplos órgãos pode salvar até sete vidas e melhorar a qualidade de vida de mais de uma dezena de pessoas que estão em fila de espera para transplante de tecidos, como córneas e pele. 

Além desse aspecto humanitário, investir em transplante resulta em economia de recursos públicos. Anualmente, a Sesab gasta cerca de R$ 10 milhões com tratamentos fora do domicílio (TFD), sendo mais de 80% com transplantes. No caso de transplantes renais, o custo anual de manter um paciente em hemodiálise é similar ao de um transplante, com uma diferença fundamental - a qualidade de vida de um paciente transplantado é muito superior.

Cerca de dois mil baianos aguardam um transplante e, para transforma r essa realidade, foi lançada em setembro deste ano uma nova política de incentivo a doação de órgãos e transplantes. “Serão investidos mais de R$10 milhões por ano, como forma de incentivo financeiro às etapas de doação, captação e transplante (incluindo pré e pós). É um recurso suplementar aos valores já pagos pelo Sistema Único de Saúde [SUS]”, afirma o secretário.

Números

Na Bahia, existem unidades hospitalares e equipes autorizadas para realizar transplantes de rim, fígado, coração, pulmão, córnea, medula óssea e osso, mas o quantitativo de transplantes ainda está muito aquém da necessidade. Este ano, entre os meses de janeiro e novembro, foram feitos 508 transplantes, incluindo um transplante cardíaco, o primeiro realizado em hospital público, marcando também a retomada desse tipo de transplante no Estado - na década de 90 foram realizados seis transplantes cardíacos no estado, entre 1991 e 1992, no Hospital Português. Dezesseis anos depois, em 2008, no Hospital Santa Isabel, houve a retomada do transplante cardíaco, e, na mesma unidade, feito o último procedimento no estado, em 2009. 

Na Bahia, de cada 100 potenciais doadores, o diagnóstico de morte encefálica só é realizado em dez pacientes. Destes, os órgãos de apenas três são transplantados, muitos deles em outros estados. "Temos o desafio de reduzir a subnotificação do diagnóstico de morte encefálica e reduzir a negativa familiar à doação, que na Bahia alcança 70%, sobretudo, por falta de conhecimento sobre o processo e por questões religiosas, além de ampliar o doador efetivo e o número de transplantes. 

Por isso, atividades educacionais e campanhas de conscientização devem ser desenvolvidas. Para Eraldo Moura, o esclarecimento sobre o procedimento de doação deve começar desde cedo, e a equipe médica continuar sendo acompanhada, para estimular a realização de protocolos que comprovem a morte encefálica. 

"Primeiro ponto desafiador, é um processo cultural do envolvimento da equipe médica na abertura dos protocolos, mas, passado isso, há o índice grande de rejeição dos familiares. Queremos reforçar a educação desde a infância, nas escolas, passando pelas academias e faculdades, educando os profissionais. Participando mais ativamente na gestão dos hospitais e aumentando esses fluxos”, explica o coordenador Moura.

Balanço – de janeiro a novembro de 2015

Fila de espera
Fígado – 42
Rim – 573
Córnea – 1.189

Transplantes realizados

Fígado – 28
Rim – 54
Rim intervivos - 20
Córnea – 357 
Esclera - 60
Coração – 1
Pulmão - 1 
Medula - 40 

FONTE: SECOM-BA



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