O jovem deputado federal Otto Filho, nomeado recentemente pelo governador Jerônimo Rodrigues para conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, não chegou lá de paraquedas. O importante cargo parlamentar que ocupa, mais algumas funções que exerceu antes de se eleger congressista, podem não tornar seu currículo expressivo, mas, vamos lá, ele tem alguma experiencia na vida pública.
Currículo, aliás, convenhamos, definitivamente não está entre as exigências maiores para tornar alguém conselheiro dos nossos tribunais de contas. Portanto, está tudo ok, nesse quesito. O cerne destas poucas linhas é outro, certamente já abordado em colunas políticas diversas, mas que, aqui, desejo também, e brevemente, analisar.
Se trata de como deverá se portar, por diante, o pai do escolhido, o poderoso senador Otto Alencar, neste ano eleitoral que se apresenta um tanto confuso nas hostes governistas, quando se fala em composição de chapa majoritária.
Seu partido, o PSD, tem um segundo senador, Ângelo Coronel, que deseja ardentemente a reeleição. E seriam razoáveis as suas chances, uma vez ele permanecesse exatamente onde está, do lado do PT.
O problema é que o ministro Rui Costa tem a vontade dele mesmo, mais o apoio do governador Jerônimo Rodrigues, do terceiro senador baiano, Jaques Wagner e, principalmente, do presidente Lula, para substituir Coronel na chapa.
Ou seja: o ex-governador é um nome muito mais forte, mas muito mais mesmo, do que o de Coronel, com toda sua bagagem de ex-prefeito de Coração de Maria, deputado estadual, presidente da Assembleia Legislativa e também deputado federal.
Uma chance de pressionar o PT a manter Coronel candidato à reeleição com apoio da legenda seria eventual pressão, neste sentido, do senador Otto Alencar. No entanto, ao menos nos bastidores, esta não é mais uma possibilidade concreta. E a nomeação de Otto Filho, para o TCE, deve ter muito a ver com isto.
Jogo grande como este, disputa por vaga em chapa majoritária de tamanha relevância, se joga com compensações para eventuais perdas, mas também com ofertas capazes de arrefecer um possível estado de beligerância de quem tem bala na agulha, ou ainda diminuir o poder de fogo de eventuais movimentos solidários.
A mensagem de boas festas do ex-prefeito Colbert Martins Filho, em suas redes sociais, leva um recado bem objetivo aos feirenses: deixar claro que tem participação dele nos projetos do Governo Municipal que estarão sendo executados em 2026. A estratégia é bem elaborada. Recado sutil, mas que não deixa dúvidas sobre as intenções. "A cidade segue com trabalho e união", ele diz, dando a entender a continuidade da gestão e da aliança com José Ronaldo.
"Todo projeto sério começa no papel, passa pelo bom planejamento até ganhar vida. E nós ajudamos a planejar. Em 2026 Feira de Santana vai viver este tempo. O tempo de sonhos virando obras começa já. Tá ganhando forma e caminhos são abertos para o futuro".
Sua inclusão nos resultados é reforçada adiante, quando ele afirma que "muitos projetos, pensados com responsabilidade, apresentados com visão, caminham para se tornar realidade e nós participamos disso".
Pra ficar mais fácil do grande público entender, ele deverá, adiante, informar quais desses projetos aos quais se refere tiveram a sua efetiva participação e como ela se deu.
A última edição do Diário Oficial Eletrônico do Município em 2025, publicada no dia 31 de dezembro, registrou 12 decretos, do Gabinete do Prefeito, abrindo crédito adicional suplementar ao Orçamento da Prefeitura de Feira de Santana. No total R$ 18.783.000,00.
O crédito adicional suplementar é aberto por decreto do Executivo para reforçar uma dotação pré-existente no Orçamento, considerada insuficiente para determinada despesa pública planejada. Tem que ser aprovado pela Câmara.
Estes últimos créditos adicionais suplementares do ano tem valores diversos. O menor é de R$ 10 mil e o maior, R$ 5,8 milhões.
A lagoa do Prato Raso, localizada no bairro Queimadinha, às margens da avenida José Falcão, outrora uma das mais belas da cidade, está no radar dos dois políticos mais fortes de Feira de Santana na atualidade, o prefeito José Ronaldo e o deputado federal Zé Neto. Abandonada, deverá agora ser urbanizada, uma vez cumpridas as promessas das duas grandes lideranças.
No final do primeiro semestre de 2025, Ronaldo informou à imprensa a aprovação de um financiamento, junto ao Banco Internacional, para a urbanização de cinco lagoas no município em Feira de Santana, entre as quais, Prato Raso. Naquele 25 de junho, uma quinta-feira, quando se comemorava o Dia Mundial do Meio Ambiente, ele disse que o processo estaria "em fase de finalização para liberação dos recursos".
O financiamento também deverá contemplar, conforme o gestor, a Lagoa de Berreca, no bairro Jardim Brasil, parte da Lagoa Salgada, na avenida Noide Cerqueira, além de uma nascente do canal do Feira X.
"Infraestrutura urbana, recuperação de áreas degradadas, instalação de equipamentos públicos, melhorias na drenagem e ações de educação ambiental", são as intervenções anunciadas pelo prefeito em órgão oficial de comunicação: “Nossa intenção é iniciar as obras no menor prazo possível".
Ao apagar das luzes de 2025, exatamente na véspera do Natal, o deputado federal Zé Neto anunciou como liberados R$ 52 milhões, em recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), com finalidade semelhante. Segundo ele, o projeto seria de responsabilidade da União e do Governo do Estado, que faria a execução por meio da Conder.
A versão de urbanização do deputado, para o Prato Raso, prevê, de acordo com pronunciamento dele em suas redes sociais, a relocação de 80 famílias, com intervenções de macrodrenagem e microdrenagem pluvial, implantação de redes de saneamento básico e recomposição hídrica do espelho d’água, "além de ações de controle de enchentes que visam mitigar episódios de alagamentos que afetam historicamente bairros vizinhos".