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  • Feira de Santana, sexta, 30 de janeiro de 2026

Valdomiro Silva

Coronel e o PT (cap. V): candidato avulso, no PSD, ou filiado a outra legenda, senador deve encerrar aliança com 'trio de ferro'

30 de Janeiro de 2026 | 12h 38
Coronel e o PT (cap. V): candidato avulso, no PSD, ou filiado a outra legenda, senador deve encerrar aliança com 'trio de ferro'
Valdemir Barreto/Agência Senado


Expressão popular que significa uma grande confusão, desordem, bagunça e, em alguns casos, situação caótica, "balaio de gatos" é o que parece melhor traduzir o momento vivido pelo forte PSD na Bahia. No plano regional, a legenda está em uma tremenda saia justa, com seus dois principais quadros, os senadores Otto Alencar e Ângelo Coronel, pressionados pelo PT, com a sua trinca de ferro formada pelo senador Jaques Wagner, pelo ministro-chefe da Casa Civil da Presidência da República, Rui Costa, e pelo governador Jerônimo Rodrigues - esta parece ser, extra-oficialmente, a ordem hierárquica.

O Partido dos Trabalhadores ainda não oficializou, mas o martelo está batido em torno das candidaturas de Wagner e Rui ao Senado, em outubro, rifando Coronel, que sonha com a reeleição. O rolo compressor petista está passando por cima do PSD baiano sem dó, nem piedade. Aproveita que Coronel não é Otto, e vice-versa, para afastar o ex-presidente da Assembleia Legislativa do jogo. Porque, se o nome a ser deletado fosse o de Otto, a história seria bem diferente.

Nenhum dos envolvidos vai admitir, mas como não existe jantar de graça, em política, 10 em 10 analistas creem que a ascenção de Otto Filho a conselheiro do Tribunal de Contas do Estado faz parte da estratégia petista de conter o pai dele em uma eventual defesa do colega a ser defenestrado. Evidente, se Otto pai, que tem uma patente bem mais elevada que a de Coronel, entra em cena de maneira firme, em solidariedade ao compadre, as consequências para o projeto do PT seriam imprevisíveis. 

O PT sabe que, o que está fazendo com Coronel, não se faz, mas não vê outra saída, desde que o ministro, seu primeiro (ou segundo?) mandatário, já disse que uma vaga para a chapa do Senado é sua e ninguém tasca. Se fosse para compensar o senador de abrir mão de disputar a reeleição, a única alternativa seria lhe oferecer a candidatura à vice-governadoria. No entanto, encobriria um santo para descobrir outro, e mais complicado ainda: o MDB de Geddel e do atual vice, Geraldinho Júnior. Nem pensar.

Há duas propostas na mesa, para a escolha de Coronel. Uma delas, de candidatura avulsa (descolada da chapa petista), partiu de Otto Alencar, com possível aval do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab.  Coronel não disse sim, nem não. O problema é que o núcleo duro do PT não concorda. Ao "Bahia Notícias", Jaques Wagner  considerou "dificil" esta possibilidade. Um outro petista influente teria afirmado que “não existe candidatura independente de partido da base”. Ou seja, caso seja levada adiante a proposta, é fim de linha para Coronel na base aliada.

A outra ideia é de Wagner, que vê como solução o aliado tornar-se candidato à sua suplência. Uma vez eleito, o ex-governador poderia vir a ser ministro de um quarto mandato do presidente Lula, abrindo vaga no Senado para Coronel, que, na mídia, rechaçou completamente esta solução. Mandato de senador é de oito anos. Lula reeleito e Wagner também, a garantia deste no ministério seria de apenas quatro anos. De fato, parece algo draconiano. 

Restam, em tese, duas opções para Coronel conseguir candidatar-se à reeleição: desgarrar-se do PT e disputar o Senado de maneira avulsa, sem coligação, ou abandonar o PSD e abrigar-se em outra legenda. Em ambas alternativas, o mais provável é que apoie ACM Neto governador, abandone o 'trio de ferro' Wagner, Rui e Jerônimo e perca o encanto por seu compadre Otto. As bets, com sua jogatina online, poderia lançar essa aposta. Seria um sucesso. 




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