A
inauguração do novo terminal rodoviário de Salvador, em Águas Claras, atiçou as
discussões sobre uma nova rodoviária também na Feira de Santana. O assunto surgiu
mais como uma reação à obra em Salvador que, propriamente, como um debate estruturado,
com números e argumentos claros em defesa da proposta. Esvaiu-se, portanto, no
vertiginoso suceder de assuntos das mídias eletrônicas.
A
discussão sobre o transporte intermunicipal na Feira de Santana segue como essencial,
mas sob outro viés. Por aqui, não se precisa de uma nova rodoviária, mas
de estruturação e organização das múltiplas “rodoviárias” já existentes,
espalhadas pelo centro da cidade.
Trata-se
dos pontos de embarque e desembarque por meio de vans, micro-ônibus e veículos
de passeio que, todos os dias, transportam milhares de pessoas. Boa parte opera
via cooperativas ou na informalidade. Os destinos são os mais diversos, desde municípios
próximos – como Anguera e Antônio Cardoso – até cidades mais distantes, como
Capim Grosso e Itaberaba.
Há,
ainda, o incessante vaivém da gente dos distritos da Feira de Santana, que,
somados a povoados e pequenas comunidades, contam-se às dezenas. Assim, as
múltiplas “rodoviárias” que embarcam e desembarcam estão em praças, como as do
Tropeiro, Froes da Mota e Matriz e, também, em ruas, como a Papa João 23, Visconde
do Rio Branco e Barão de Cotegipe.
As
múltiplas “rodoviárias” feirenses são bem precárias: não dispõem de cobertura,
nem de assentos – menos ainda de sanitários – e, muitas vezes, nem da
sinalização mais básica. Fica-se de pé, sob sol ou sob chuva. Quem enfrenta
estas viagens intermunicipais conta com até menos conforto que os passageiros do
transporte urbano.
Não,
não defendo a construção de pomposos terminais rodoviários pelo centro da
cidade, com toda a infraestrutura para os viajantes. É óbvio que não se trata
disso. Mas se trata de oferecer um conforto mínimo para quem, afinal, desloca-se
para a Feira de Santana e, aqui, gasta seu dinheiro contribuindo para o desenvolvimento
do município.
Em
Salvador, o transporte para o interior não se dilui pelas diversas regiões da
cidade, como se vê aqui na Feira de Santana. Mas a capital ganhou um merecido –
e moderno – terminal rodoviário. Como se disse, o problema da Feira de Santana
não é de um terminal novo, mas dos múltiplos terminais miúdos que
recebem gente todos os dias.
Sendo
assim, o governo estadual deveria mexer-se, propor um projeto, obviamente em
parceria com a prefeitura, e contribuir para estruturar as múltiplas “rodoviárias”
feirenses. Custaria bem menos que o terminal de Salvador e ajudaria a melhorar
a vida de muita gente.
“E
os recursos?” Indagará alguém. Poderiam vir – por exemplo – das polpudas
emendas parlamentares...