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César Oliveira

Chega!

César Oliveira - 27 de Janeiro de 2026 | 07h 42
 Chega!

Filósofos como Epicuro e Sêneca viam a ganância como um erro existencial e cognitivo: "Nada é suficiente para quem o suficiente  é pouco". O desejo compulsivo de possuir tudo é uma cova sem fundo que destrói a paz interior. Se ficássemos limitados ao foro íntimo, o abismo consumiria apenas o indivíduo; contudo, quando essa ganância ameaça destruir o Sistema Judiciário — e, por conseguinte, a ordem jurídica e a própria nação —, a ameaça atinge outro patamar.

A postura do Ministro Fachin, utilizando a democracia como escudo para defender o corporativismo; as manifestações omissas e covardes da Procuradoria-Geral da República; e as notas de Gilmar Mendes — aquele a quem o ex-ministro Barroso definiu como "uma mistura do mal com atraso e pitadas de psicopatia" — revelam que, no topo da hierarquia do Poder Judiciário, a falência  ética é endêmica.

O escandaloso e inexplicável contrato de R$ 129 milhões entre o Banco Master e a esposa de Alexandre de Moraes — advogada de currículo ínfimo — exigiria o imediato impedimento do juiz. O claro conflito de interesses e o potencial tráfico de influência ferem de morte a "conduta ilibada" exigida para o cargo.

No caso de Dias Toffoli, o espírito é o mesmo, mas a pluralidade de suspeitas é ainda mais vasta. A longa biografia do ex-advogado do PT, que jamais logrou aprovação em concurso para a magistratura, assemelha-se a negócios de "balcão de esquina", porém envolvendo recursos milionários. Apesar das tentativas da cúpula de esconder os fatos — lembrando que o poder absoluto corrompe absolutamente —, a imprensa desvenda continuamente o pântano da corrupção do Banco Master.

Recentemente, revelou-se que, apesar da vida modesta dos irmãos do ministro, eles eram sócios de um resort onde Toffoli possuía residência e passava mais de 180 dias por ano, recebendo banqueiros e celebrando festas a custo zero. Um segundo resort já fez parte do patrimônio familiar.  Torna-se evidente por que o ministro empenha-se tanto em manter o sigilo dos processos e obstruir as apurações, através de condutas " ortodoxas".

O escândalo agora atinge a classe política: sabe-se que Jaques Wagner teria solicitado ao Banco Master um "emprego" de R$ 1 milhão mensais para Guido Mantega — o ex-ministro da Fazenda que conduziu o país à recessão e manteve recursos ocultos no exterior.

A ganância sem limites e o poder sem contenção estão estraçalhando o país, indignando a população produtiva e devastando as instituições. Não haverá esperança enquanto o "cupim" que corrói o moral e os cofres públicos — de cima para baixo — não for contido. Essa contenção depende de um Congresso Nacional hoje omisso, mas sensível à pressão das ruas.

É dever de cada cidadão reagir. Sejamos, ao menos,  os  212 milhões de "pequenos soberanos" , que a triste ministra Carmem Lúcia tentou calar, e vamos exigir o respeito que merecemos.  É hora de gritar: chega!



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