Filósofos como Epicuro e Sêneca viam a ganância como um erro
existencial e cognitivo: "Nada é suficiente para quem o suficiente é pouco". O desejo compulsivo de possuir tudo é uma cova sem
fundo que destrói a paz interior. Se ficássemos limitados ao foro íntimo, o
abismo consumiria apenas o indivíduo; contudo, quando essa ganância ameaça
destruir o Sistema Judiciário — e, por conseguinte, a ordem jurídica e a
própria nação —, a ameaça atinge outro patamar.
A postura do Ministro Fachin, utilizando a democracia como
escudo para defender o corporativismo; as manifestações omissas e covardes da
Procuradoria-Geral da República; e as notas de Gilmar Mendes — aquele a quem o
ex-ministro Barroso definiu como "uma mistura do mal com atraso e pitadas
de psicopatia" — revelam que, no topo da hierarquia do Poder Judiciário, a
falência ética é endêmica.
O escandaloso e inexplicável contrato de R$ 129 milhões
entre o Banco Master e a esposa de Alexandre de Moraes — advogada de currículo ínfimo
— exigiria o imediato impedimento do juiz. O claro conflito de interesses e o
potencial tráfico de influência ferem de morte a "conduta ilibada"
exigida para o cargo.
No caso de Dias Toffoli, o espírito é o mesmo, mas a
pluralidade de suspeitas é ainda mais vasta. A longa biografia do ex-advogado
do PT, que jamais logrou aprovação em concurso para a magistratura,
assemelha-se a negócios de "balcão de esquina", porém envolvendo
recursos milionários. Apesar das tentativas da cúpula de esconder os fatos —
lembrando que o poder absoluto corrompe absolutamente —, a imprensa desvenda continuamente
o pântano da corrupção do Banco Master.
Recentemente, revelou-se que, apesar da vida modesta dos
irmãos do ministro, eles eram sócios de um resort onde Toffoli possuía
residência e passava mais de 180 dias por ano, recebendo banqueiros e
celebrando festas a custo zero. Um segundo resort já fez parte do patrimônio
familiar. Torna-se evidente por que o
ministro empenha-se tanto em manter o sigilo dos processos e obstruir as
apurações, através de condutas " ortodoxas".
O escândalo agora atinge a classe política: sabe-se que
Jaques Wagner teria solicitado ao Banco Master um "emprego" de R$ 1
milhão mensais para Guido Mantega — o ex-ministro da Fazenda que conduziu o
país à recessão e manteve recursos ocultos no exterior.
A ganância sem limites e o poder sem contenção estão
estraçalhando o país, indignando a população produtiva e devastando as
instituições. Não haverá esperança enquanto o "cupim" que corrói o
moral e os cofres públicos — de cima para baixo — não for contido. Essa
contenção depende de um Congresso Nacional hoje omisso, mas sensível à pressão
das ruas.
É dever de cada cidadão reagir. Sejamos, ao menos, os 212
milhões de "pequenos soberanos" , que a triste ministra Carmem Lúcia
tentou calar, e vamos exigir o respeito que merecemos. É hora de gritar: chega!