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  • Feira de Santana, quarta, 11 de fevereiro de 2026

André Pomponet

O tsunami mercantil chinês na Feira (2)

André Pomponet - 23 de Janeiro de 2026 | 08h 50
O tsunami mercantil chinês na Feira (2)
Foto: Reprodução - portal Feira360

Talvez os mais jovens não saibam, mas o Feiraguay não começou no atual Feiraguay, cujo nome oficial é praça Presidente Médici. Começou bem no início dos anos 1990, na praça do Lambe-Lambe e na Sales Barbosa. Até então, a indústria chinesa engatinhava e os produtos daquele país chegavam ao Brasil como contrabando, transportados a partir do Paraguai em longas viagens clandestinas.

Naquela época, minúsculas barracas exibiam relógios metálicos de parede e rádios de pilha, produtos da então incipiente indústria chinesa. O desemprego era alarmante e a pobreza endêmica: quem ia ficando de fora do mercado de trabalho, que passava por uma profunda crise e por um acelerado processo de reestruturação, aventurava-se pelas ruas, vendendo contrabando.

O processo não era, exatamente, novidade na mercantil Feira de Santana: as feiras-livres e o comércio de rua inspiravam os empreendedores que debutavam. O que trazia uma mudança profunda era o produto: frutas, verduras, ervas medicinas e pequenos utensílios de fabricos artesanais foram substituídos pelos produtos eletrônicos chineses, uma novidade então.

Naquele tempo – no famigerado governo Fernando Collor – a economia atravessava uma profunda recessão e a indústria brasileira cambaleava após a abertura comercial açodada. Cenário perfeito para a introdução de produtos chineses contrabandeados, vendidos a brasileiros que enfrentavam uma feroz escassez de recursos.

Quem debutava no novo – e precário – nicho comercial penou muito. O “rapa” perseguia os camelôs de maneira implacável, apreendendo mercadorias; sucediam-se manifestações pelas ruas da cidade; discursos inflamados retumbavam na imprensa, mas não se chegava a qualquer solução. Quem empreendia insistia, até por falta de alternativa.

A solução, em grande medida, foi providenciada pelos próprios camelôs. Depois de sucessivas expulsões, fixaram-se na abandonada praça Presidente Médici. Aquilo ali ficava distante das artérias mais valorizadas, como Sales Barbosa e Senhor dos Passos e incomodava pouco os lojistas tradicionais. Isso ainda em meados dos anos 1990.

Mais à frente, acordos comerciais viabilizaram a importação legal de produtos chineses, cuja qualidade cresceu vertiginosamente, a indústria brasileira arruinou-se com décadas de câmbio sobrevalorizado e o Feiraguay só cresceu, tornando a região outrora esquecida um dinâmico centro de comércio.

Neste século XXI, o entreposto contribuiu para a projeção da Feira de Santana Brasil afora, rendendo inclusive muito folclore. Mas, com folclore ou não, o Feiraguay e seu ecossistema geram milhares de postos diretos e indiretos de trabalho e movimentam a economia feirense, ajudando a sustentar a Feira de Santana como polo comercial de extensa região.

Mas mais detalhes sobre isto ficam para o próximo texto...



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