O time do Brasil mostrou toda sua dificuldade, fragilidade
até, no jogo de estreia na Copa 26, contra a boa equipe do Marrocos. A sensação
era de que se via de um lado o bólido andando a mil e do outro lado um tanque
não apenas pesado, mas com tecnologia ultrapassada. Lento, se deslocando com
dificuldade.
Os brasileiros erraram muito, principalmente na troca de
passes e mostraram que ainda não estão entrosados, um dos principais requisitos
para uma equipe se tornar competitiva. Claro que o time de Ancelotti vai passar
à fase seguinte da competição, dada as facilidades para seguir adiante, por um
regulamento benevolente.
O meio de campo foi uma tragédia. Se perdeu na maior parte do
tempo e pode ser responsabilizado pelo gol de Marrocos, num contra ataque que
lembrou aquele gol tomado contra a Bósnia, na Copa da Rússia.
Mas, se não engrenar, vai levar para o campo toda a descrença
da torcida. Se pegar um time do primeiro mundo do futebol, a volta para casa de
parte da delegação vai ser antecipada, porque os jogadores saem para curtir
suas férias em hotéis e iates de luxo no verão europeu, parecendo que nada
aconteceu. A raiva fica por aqui.
Não é preciso ser especialista em futebol para ver que
o time brasileiro jogou mal. Não foi bem. Aliás está em distante dos seus
melhores dias, bem aquém das suas históricas qualidades técnicas. É por isso
que a torcida não está numa mesma vibe do time e, por não querer se
decepcionar, ficam distantes, ou não tão ligados, ao que acontece nos gramados
da América do Norte.
Como bem escreveu o jornalista esportivo Juca Kfouri:
“Marrocos tem um time e o Brasil alguns talentos”. A troca de passes curtos,
rápidos, precisos dos marroquinos envergonhou o país que um dia foi do futebol.
Muitos jogadores do Brasil pareciam estar fora do peso – para cima, diga-se, por
não apresentar torque nas corridas.
Foi o quarto empate do Brasil em estreias em mundiais – em nenhum dos três primeiros o time se sagrou campeão.
*João Batista Cruz é jornalista. Integrou a equipe que fundou o Jornal Tribuna Feirense.