O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu se
manifestar, neste sábado (15), após dias de silêncio, sobre o Projeto
de Lei nº 1.904/24, que visa equiparar o aborto ao crime de homicídio, se
cometido após 22 semanas de gravidez, mesmo em situações atualmente amparadas
pela lei, como é o caso de estupro, anencefalia e risco de vida para gestantes.
Para o chefe do Executivo Nacional, é uma “insanidade” punir a vítima com pena superior
à do criminoso.
O presidente ressaltou que é contra a prática do aborto em
situações não legalmente amparadas, mas enfatizou que o tema precisa ser discutido
em profundidade e com cautela, principalmente quando se trata de vítimas de violência
sexual. “Eu sou contra o aborto. Entretanto, como o aborto é a realidade, a
gente precisa tratá-lo como questão de saúde pública. Eu acho que é insanidade
alguém querer punir uma mulher com uma pena maior do que o criminoso que fez o
estupro. É, no mínimo, uma insanidade isso”, ponderou.
Essa é a primeira declaração de Lula sobre a PL do Aborto,
cuja urgência
de análise foi aprovada, às escuras e apressadamente, na última quarta-feira
(12), pela Câmara dos Deputados. A matéria não foi submetida às comissões da
Casa Legislativa, não teve votação em plenário e passou pelo crivo do
presidente Arthur Lira (PP-AL) em apenas 24 segundos.
Lula resolveu se posicionar sobre a proposta, que gerou uma
avalanche de críticas ao longo desta semana, durante uma coletiva concedida a
jornalistas que acompanhavam a reunião do G7, na Itália.
O presidente brasileiro encerrou, hoje, sua participação no
evento e demais compromissos em solo italiano, onde o grupo composto pelos Estados
Unidos (EUA), Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Japão, países
considerados como detentores das maiores economias do mundo, se reúne. Ele
também participou da conferência da Organização Internacional do Trabalho
(OIT), realizada na Suíça.