A Polícia Federal (PF) indiciou, nesta quarta-feira (12), o
ministro das Comunicações, Juscelino Filho (União Brasil-MA), sob suspeita de
participação em organização criminosa.
De acordo com a corporação, o inquérito aponta que o político
teria praticado corrupção passiva, ao, supostamente, desviar verbas de projetos
de pavimentação financiados com recursos da Companhia de Desenvolvimento dos
Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), estatal federal vinculada ao
Ministério do Desenvolvimento Regional. A empresa tem por missão desenvolver a
bacia hidrográfica do rio São Francisco e a bacia do rio Parnaíba, de forma
integrada e sustentável, contribuindo para a redução das desigualdades
regionais.
O indiciamento de Juscelino Filho, conforme a PF, também
ocorre por suspeita dos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro.
O acusado ainda não se manifestou.
Os indícios recaem sobre possíveis irregularidades em obras
realizadas em Vitorino Freire (MA), cidade gerida por Luanna Rezende, irmã do
ministro. Os trabalhos teriam sido financiados por emendas parlamentares
indicadas por Juscelino Filho, quando o mesmo exercia o cargo de deputado
federal durante o atual governo.
As investigações que levaram a corporação a deflagrar a ação
contra Juscelino Filho têm por base um relatório da Controladoria-Geral da
União (CGU), que indica que uma das obras beneficiou propriedades pertencentes
à família do ministro.
O relatório conclusivo do caso foi encaminhado ao ministro
Flávio Dino, responsável pela condução do inquérito no Supremo Tribunal Federal
(STF).
Investigação – Em janeiro de 2023, o "Estadão" revelou que
Juscelino Filho destinou R$ 5 milhões do chamado orçamento secreto para
financiar o asfaltamento de uma estrada de terra que passa em frente à sua
propriedade rural, no município Vitorino Freire, no Maranhão.
Durante o mandato que exerceu como deputado federal pelo
partido União Brasil, o político também teria, conforme a PF, direcionado os
recursos para a prefeitura local, que é administrada pela irmã dele.
Em setembro do ano passado, a PF deflagrou uma operação que teve
como alvo Luanna Rezende. A corporação chegou a solicitar autorização para
realizar buscas na residência de Juscelino Filho ao ministro Luis Roberto
Barroso, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), mas o mesmo foi negado.
As investigações apontam, ainda, que, por meio da Codefasf, pelo
menos quatro empresas, foram beneficiadas com contratos que totalizam mais de
R$ 36 milhões com a Prefeitura Municipal de Vitorino Freire, todas elas
relacionadas a amigos, ex-assessores e até mesmo a uma cunhada do ministro.