O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) no Paraná retoma, a
partir desta quarta-feira (3), o julgamento das ações que podem levar à
cassação do mandato do senador Sergio Moro (União-PR). A sessão está
prevista para começar às 14h.
Segundo a Agência Brasil, na última segunda-feira (1º), o TRE
deu início ao julgamento de dois processos nos quais o PT, o PL e o Ministério
Público Eleitoral (MPE) acusam o ex-juiz da Operação Lava Jato de abuso de
poder econômico, em função da suposta realização de gastos irregulares no
período de pré-campanha das Eleições 2022.
Em 2021, Sergio Moro integrava o Podemos, tendo realizado atos
de pré-candidatura à Presidência da República. A peça acusatória afirma que houve
"desvantagem ilícita", em favor dos demais concorrentes ao cargo de
senador, diante dos "altos investimentos financeiros" realizados
antes de Moro deixar a sigla e se candidatar ao Senado Federal pelo União
Brasil.
O Ministério Público aponta, ainda, gastos de, aproximadamente,
R$ 2 milhões, oriundos do Fundo Partidário, com o evento de filiação de Moro ao
Podemos e com a contratação de produção de vídeos para promoção pessoal, além
de consultorias eleitorais.
Conforme a Agência Brasil, o único voto do julgamento foi
proferido pelo desembargador Luciano Carrasco Falavinha Souza, relator do processo.
O magistrado se manifestou contrário à
cassação de Moro.
O relator não considerou os valores apontados como ilegais
pelas partes do processo. No entendimento de Luciano Falavinha, os valores divergem,
não sendo possível afirmar que foram excessivos.
O PL, diz a Agência Brasil, apontou supostos gastos
irregulares de R$ 7 milhões. Já PT afirmou que foram R$ 21 milhões. O Ministério
Público, entretanto, concluiu que o valor chega a R$ 2 milhões.
Hoje à tarde, votam os desembargadores José Rodrigo Sade,
Claudia Cristina Cristofani, Julio Jacob Junior, Anderson Ricardo Fogaça,
Guilherme Frederico Hernandes Denz e Sigurd Roberto Bengtsson, que preside o TER.
Caso seja cassado, Sergio Moro não deixará o cargo
imediatamente, uma vez que cabe recurso ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Mas se o parlamentar perder o processo no TSE, novas eleições deverão ser convocadas
no Paraná, a fim de que sua vaga seja preenchida. Além disso, se condenado, Moro
ficará inelegível pelo período de oito anos.
Defesa – No primeiro dia do julgamento, a defesa de Moro solicitou a manutenção do mandato, negando irregularidades na pré-campanha. De acordo com a Agência Brasil, o advogado Gustavo Guedes alegou que Sergio Moro não se elegeu no Paraná, conforme acusaram as legendas, por causa da suposta pré-campanha “mais robusta”.