Conflito entre Israel e Hamas pode entrar na pauta
O secretário de Estado dos Estados Unidos da América (EUA),
Antony Blinken, desembarcou no Brasil, na noite desta terça-feira (20), a fim
de participar de uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
De acordo com a CNN Brasil, o encontro ocorrerá nesta quarta-feira
(21). A agenda de Blinken também inclui participações em reuniões do G20. O
grupo, que este ano está sendo presidido pelo Brasil, reúne ministros de
finanças e chefes dos bancos centrais das 19 maiores economias do mundo mais a
União Africana e União Europeia.
A agenda do secretário norte-americano com Lula também prevê
discussões acerca de questões bilaterais e globais entre Brasil e Estados
Unidos.
Há, ainda, a expectativa de que os dois conversem, também,
sobre o conflito entre Israel e o grupo extremista palestino Hamas. Antony
Blinken vem atuando na negociação entre os países, a fim de encontrar uma solução
para o conflito. Isto por que seu cargo no governo norte-americano equivale ao
de um ministro de Relações Exteriores, sendo ele, portanto, responsável pela
diplomacia do país.
No último domingo (18), Lula comparou os ataques perpetrados
pelo Estado de Israel na Faixa de Gaza, que, até o momento, conforme a Organização
das Nações Unidas (ONU), deixaram um saldo de 30 mil mortos, sendo a maior
parte deles composta por crianças e mulheres, ao holocausto dos judeus, na
década de 1940, durante a Segunda Guerra mundial, pelo governo nazista de
Aldolf Hitler.
O presidente brasileiro também classificou a contraofensiva
israelense, que, há 130 dias, responde, brutalmente, ao ataque do Hamas ao Sul
de Israel. A investida do grupo extremista, no dia 7 de outubro de 2023, resultou
na morte de quase 1,2 mil pessoas, entre israelenses e estrangeiros.
INCIDENTE DIPLOMÁTICO – A declaração de Lula teve forte
repercussão internacional. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e
o ministro das Relações Exteriores do país asiático, Israel Katz, declararam o presidente brasileiro persona
non grata até que o mesmo se retratasse. Ao invés disso, o chefe de Estado
chamou o embaixador do Brasil em Tel Aviv, Frederico Meyer, de volta ao
país.
O governo de Israel havia convocado o emissário brasileiro
para uma reunião no Museu do Holocausto, em Jerusalém, em caráter de urgência,
com o objetivo de repreendê-lo pelas afirmações feitas por Lula. Especialistas
consideraram o ato do Estado israelense intimidatório e constrangedor.
No Brasil, diz a CNN, o ministro das Relações Exteriores,
Mauro Vieira, também convocou o embaixador israelense, Daniel Zonshine, para
uma reunião.
Ontem, a primeira dama do Brasil, Janja Silva, afirmou que a
fala de Lula não teve caráter antissemita, uma vez que o presidente criticou não
os judeus, e sim o governo sionista de Israel, que é de extrema direita, pela resposta
desproporcional e morte massiva de civis, que estão submetidos a incessantes
bombardeios, investidas violentas por terra, deslocamentos forçados e embargo
total de suprimentos essenciais à vida, como água, comida, combustíveis e remédios.
Israel vem sendo acusado, pela ONU e por diversos organismos
internacionais de ajuda humanitária, de cometer crimes de guerra. Isto porque o
Exército israelense vem bombardeando zonas neutras, como hospitais, ambulâncias,
escolas, templos e acampamentos de refugiados, ao tempo em que não dá chance de
refúgio seguro para os civis. Além disso, o país também está sendo criticado
pelo suposto uso de armas proibidas pelas legislações internacionais que regem
os conflitos bélicos, como é o caso do fósforo branco.
Outras pautas – No Brasil, o secretário Antony Blinken ainda deve enfatizar
as comemorações dos 200 anos das relações diplomáticas entre os dois países
americanos. O governo estadunidense informou que seu secretário ressaltará o
apoio dos Estados Unidos à presidência do Brasil no G20; à realização da
reunião de ministros das Relações Exteriores do G20 no Rio de Janeiro; à
parceria Brasil-EUA pelos direitos dos trabalhadores; e à cooperação na
transição para a energia limpa.
De acordo com a CNN, Blinken seguirá para o Rio de Janeiro, após
a reunião com Lula, a fim de participar de uma reunião do G20. A visita à
América do Sul, no entanto, não se restringirá ao Brasil. O secretário também
deverá viajar a Buenos Aires, capital argentina, para se encontrar com o
presidente local, Javier Milei.