O plenário do Senado Federal aprovou, na noite desta quarta-feira
(13), a indicação do atual ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino,
para ocupar a vaga da ex-ministra Rosa Weber (aposentada compulsoriamente, em
função da idade) no Supremo Tribunal Federal (STF).
Dino foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e obteve 47 votos favoráveis, 31 votos contrários e duas abstenções. Esta foi a última etapa antes da confirmação de seu nome como novo magistrado da Suprema Corte.
De acordo com a Agência Brasil, antes da votação em plenário,
Dino passou por uma sabatina de quase 11 horas na Comissão de Constituição e
Justiça (CCJ) do Senado, onde recebeu
17 votos favoráveis. O colegiado é composto por 27 integrantes.
O subprocurador da República, Paulo Gonet, também foi
sabatinado na mesma sessão. Ele foi indicado por Lula para assumir a Procuradoria-Geral
da República (PGR). Gonet obteve 23 votos favoráveis, quatro contrários e
nenhuma abstenção. Ele também passou pelo crivo do Senado Federal, tendo
recebido 65 votos a favor e 11 contra. A votação no plenário foi secreta.
Sabatina – A sabatina começou por volta das 9h40 e foi realizada
em sessão conjunta com os dois indicados. Segundo a Agência Brasil, o formato inédito
foi decidido pelo presidente da CCJ, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
A oposição criticou a análise conjunta das autoridades.
No entanto, apesar dos protestos, Alcolumbre negou os pedidos
dos senadores contrários, argumentando que os integrantes do colegiado já
estavam cientes do esforço concentrado no Congresso Nacional, em razão da
proximidade do recesso parlamentar.
Após a mudança no rito permitiu que os senadores fizessem as
perguntas de forma individualizada, e não a cada bloco de três inquirições,
como previamente estipulado.
Segundo a Agência Brasil, em sua apresentação, Flávio Dino
enumerou os princípios que pretende seguir em suas atividades no STF: defesa da
separação e harmonia entre os poderes; forma federativa do Estado, com direito
ao voto e eleições periódicas; e garantia dos direitos fundamentais.
Dino, além de ministro da Justiça, é senador licenciado. Ele seguiu
a carreira de juiz federal durante 12 anos, período no qual ocupou a
presidência da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) e a
secretaria-geral do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Em sua fala durante a sabatina, ele procurou diferenciar os
papéis de político e juiz e rebateu críticas sobre sua atuação à frente da
pasta da Justiça durante a tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro. Opinou,
ainda, sobre temas diversos, como é o caso do mandato para ministro do STF e a
regulação de redes sociais.
Perfil – O futuro magistrado do STF é formado em Direito pela
Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e possui mestrado na Universidade
Federal de Pernambuco (UFPE). Ele deixou a magistratura para seguir a carreira
política, elegendo-se, em 2006, deputado federal pelo estado do Maranhão.
Além disso, presidiu a Embratur, entre 2011 e 2014, ano em
que se elegeu governador do Maranhão. Em 2018, foi reeleito para o cargo. Nas
últimas eleições, em 2022, elegeu-se senador e, logo após tomar posse, foi
nomeado ministro do governo Lula.
Agora com 55 anos, Dino assumirá a vaga deixada por Weber no
início de outubro. A magistrada havia sido nomeada, em 2011, pela então
presidente Dilma Rousseff.