O Supremo Tribunal Federal (STF) pode formar maioria de votos
contra a tese do marco temporal para demarcação de terras indígenas nesta
quinta-feira (21). Ontem (20), a décima sessão de análise da questão foi
encerrada com placar de 5 votos a 2. O julgamento será retomado a partir das 14
horas de hoje.
Os ministros da Suprema Corte discutem a proposta defendida
por proprietários de terras. Pela tese, os indígenas somente teriam direito às
áreas que eles já possuíam no dia 5 de outubro de 1988, data da promulgação
da sétima, e última, Constituição Federal do Brasil, ou que estavam, à época,
em disputa judicial. Este entendimento desagrada às lideranças dos povos originários.
De acordo com a Agência Brasil, até o momento, os ministros
Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso, Edson Fachin, Cristiano Zanin e Dias
Toffoli se manifestaram contra a tese do marco temporal. Para os magistrados, a
limitação é inconstitucional.
Votaram a favor da solicitação dos proprietários de terras os
ministros Nunes Marques e André Mendonça. Agora, a Corte abre a votação para os
ministros Luiz Fux, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes e Rosa Weber, que preside a
mais alta esfera do Poder Judiciário.
Alcance – O placar, até aqui, indica
que a posição contrária ao marco temporal deve mesmo ser consolidada. Mas,
apesar disso, os
ministros ainda precisam deliberar sobre o alcance da decisão.
Segundo a Agência Brasil, entre os votos já proferidos, está
a possibilidade de indenização de particulares que adquiriram terras de
“boa-fé”. O ministro Alexandre de Moraes votou contra o limite temporal, mas,
no seu entendimento, a indenização por benfeitorias e pela terra nua valeria
para proprietários que receberam do governo títulos de terras que deveriam ser
consideradas áreas indígenas.
Já o ministro Dias Toffoli abriu a possibilidade de
exploração mineral e de lavouras dentro das terras indígenas. Isto mediante
aprovação de uma lei pelo Congresso Nacional e devida autorização dos
indígenas.
As entidades que representam e defendem os direitos dos povos
originários posicionam-se contrárias a ambos os pontos. A Articulação dos Povos
Indígenas do Brasil (Apib) diz que a possibilidade de indenização pode
inviabilizar as demarcações. E argumenta que a exploração econômica flexibiliza
o usufruto exclusivo das terras pelos indígenas.
Desde ontem, indígenas
oriundos de diversas regiões do país estão mobilizados em Brasília,
acompanhando o julgamento no STF. Eles também protestam, pacificamente, contra
a tentativa do Senado Federal de legalizar o marco temporal.