O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal
(STF), suspendeu, em caráter temporário, as autorizações para todas as espécies
de porte de armas de fogo, a partir das 18h desta quarta-feira (28) até o dia 2
de janeiro de 2023, no Distrito Federal. A medida abrange, ainda, o transporte
de armas e munições, por parte de colecionadores, atiradores e caçadores em
todo o território.
De acordo com a agência de notícias Folhapress, o descumprimento
da medida, conforme decisão do magistrado, implicará em flagrante delito, por
porte ilegal de arma. A do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT),
acontece neste domingo (1º).
Alexandre de Moraes afirmou que atos de violência na capital federal
tiveram conivência de determinadas autoridades públicas, "cuja
responsabilidade por omissão ou conivência serão apuradas".
O ministro, que também é presidente do Tribunal Superior Eleitoral
(TSE), fez referência à prisão do bolsonarista George Washington de Oliveira
Sousa, sob a acusação de terrorismo. Ele tentou explodir um caminhão de
combustível nas imediações do Aeroporto Internacional de Brasília, no último sábado
(24).
Moraes também elencou os atos de vandalismo ocorridos em
Brasília, no início do mês. "Lamentavelmente, grupos extremistas
financiados por empresários inescrupulosos, explorando, criminosa e
fraudulentamente, a boa-fé de diversos eleitores, principalmente com a
utilização de covardes milícias digitais e sob a conivência de determinadas
autoridades públicas, cuja responsabilidade por omissão ou conivência serão
apuradas, vem praticando fatos tipificados expressamente na lei",
escreveu.
O magistrado citou, por exemplo, legislações relativas aos
crimes contra o Estado Democrático de Direito e que regulamentam o artigo 5º da
Constituição Federal, disciplinando o combate ao terrorismo, inclusive punindo
os atos preparatórios.
No entendimento de Alexandre de Moraes, nesse contexto, a
proibição temporária de circulação e porte de armas de fogo é essencial, a fim
de “evitar situações de violência armada” durante a cerimônia de posse do novo
governo.
Contudo, a suspensão não se aplica aos membros das Forças
Armadas nem aos integrantes do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP).
Tampouco às polícias Legislativa e Judicial e às empresas de segurança privada
e de transporte de valores constituídas.
O magistrado enfatizou que os fatos mencionados demandam
medidas legalmente restritivas, com a finalidade de garantir a segurança não só
do presidente e do vice-presidente eleitos, mas também “de milhares de pessoas
que comparecerão à posse no próximo dia 1º de janeiro de 2023".
Segundo a Folhapress, a decisão se baseou em um pedido feito
pela Polícia Federal (PF) ao STF. O futuro ministro da Justiça e Segurança
Pública, Flávio Dino, disse, na terça-feira (27), que a equipe de transição do
governo Lula havia ingressado com a mesma solicitação junto à Suprema Corte.