Detido, inicialmente, em caráter temporário, pela Polícia Federal
(PF), na última segunda-feira (12), o cacique bolsonarista José Acácio Serere
Xavante, acusado de convocar pessoas armadas para tentar impedir a diplomação
do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), continuará preso. A
decisão foi tomada pela Justiça do Distrito Federal, durante audiência de
custódia. O suspeito foi transferido para o Complexo Penitenciário da Papuda.
O mandado de prisão contra Serere Xavante foi cumprido por
determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O magistrado acatou o pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). O órgão
denunciou o cacique por suspeita de "condutas ilícitas em atos
antidemocráticos". Ele e outros apoiadores do presidente Jair Bolsonaro
(PL) teriam invadido a sala de embarque do Aeroporto Internacional de Brasília,
no último dia 2.
Segundo Moraes, o indígena também teria participado de protestos
em frente
ao Congresso Nacional e, também, diante de um shopping e do hotel onde Lula estava hospedado.
Conforme a Agência Brasil, a PGR alega que o suspeito vem utilizando sua
posição de cacique do Povo Xavante para arregimentar indígenas e não indígenas
a cometer crimes, a exemplo de ameaças de agressão contra Lula e contra ministros da
Suprema Corte.
De acordo com o jornal Estado de Minas, o cacique estaria
sendo financiado pelo fazendeiro paulista Dide Pimenta, proprietário de terras
no município de Campinápolis, no estado do Mato Grosso. Parte da população
Xavante e a família de Serere vivem na região, em uma área demarcada como Terra
Indígena Parabubure.
NÃO É CACIQUE – Na realidade, o suspeito não exerce a
função de cacique na aldeia dele. Quem comanda o agrupamento é o cacique
Celestino. Conforme o Estado de Minas, interlocutores da Articulação dos Povos
Indígenas do Brasil (Apib) informaram que o indígena não é tradicional. Além de
ser casado, há seis anos, com uma mulher não indígena, ele também atua como pastor
evangélico. A conversão religiosa teria ocorrido após ele ter sido preso por
tráfico de drogas.
REPÚDIO – Em entrevista ao jornal, Rafael Weree,
presidente nacional do Movimento Indígena do PDT e membro da população Xavante,
afirmou que o seu povo é a favor da democracia. Ele repudiou as ações de José
Acácio Serere. "Inclusive, foi muito alertado para ele sair desse barco,
mas ele não deu ouvidos para ninguém e continuou nessa caminhada muito extrema.
Na pandemia, presenciamos a morte de tantos anciãos, então, não deveríamos
apoiar uma pessoa dessa, que deu descaso total no atendimento à saúde
indígena", observou, referindo ao presidente Jair Bolsoanro.
Para Weree, é lamentável o envolvimento do indígena nos atos
antidemocráticos. "Infelizmente, ele insistiu na divulgação de fake news sobre o resultado da eleição e
atacou o presidente do TSE. Meu povo apoia a atitude do Alexandre de Moraes de
encerrar esse assunto, essa bagunça que ele vem fazendo", destacou.
Ele também enfatizou que o povo Xavante sempre lutou pela
justiça, pelos direitos e pelas terras, sem se afastar da noção de
coletividade. "Não existe, para nós, luta individual, sempre existiu a
coletividade. Respeitamos o resultado da eleição", assegurou.
PROTESTOS EM BRASÍLIA –
A
prisão de Serere Xavante foi apontada como estopim dos violentos protestos ocorridos
em Brasília, na última segunda-feira (12). Além de tentarem invadir a sede
da Polícia Federal, apoiadores de Bolsonaro vandalizaram a região central da
capital federal. Segundo a polícia. Eles depredaram e atearam fogo em diversos carros
e ônibus.
A Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal
(SSP-DF) disse, por meio de nota, que as forças de segurança aturaram para conter
os "distúrbios civis" e se comprometeu a identificar e
responsabilizar os envolvidos na onda de violência.