O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou
um prazo de 72 horas para o governo do atual presidente, Jair Bolsonaro (PL),
esclarecer o bloqueio de recursos orçamentários destinados à Coordenação
de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). O confisco da verba incorrerá
na falta de pagamento de bolsas de pesquisa a mais de 200 mil estudantes de
mestrado, doutorado e pós-doutorado.
Protocolada nesta quinta-feira (8), a decisão, segundo o
jornal Correio Braziliense, atende a um pedido conjunto da Associação Nacional
de Pós-Graduandos (ANPG), União Nacional dos Estudantes (UNE) e União
Brasileira dos Estudantes (Ubes). "Notifique-se a autoridade apontada como
coatora, para que preste prévias (cuja cópia deverá acompanhar a missiva)
informações acerca do alegado na inicial, no prazo de 72 (setenta e duas)
horas. Dada a relevância do tema e considerando que o debate dos autos envolve
diretamente a atuação da Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Ensino
Superior (CAPES), notifique-se a entidade para que, querendo, apresente
informações nos autos, em prazo concomitante de 72 (setenta e duas)
horas", escreveu o magistrado.
As instituições de ensino apontam que o corte também
impedirá o pagamento de despesas básicas, como água e luz, e dos auxílios voltados
à política de permanência estudantil. Os gastos estavam empenhados para
dezembro.
O Governo Federal já havia tentado bloquear os recursos da
área educacional, em duas oportunidades. O primeiro ensaio aconteceu no dia 28
de novembro, quando R$ 1,4 bilhão foi travado. Deste total, R$ 344 milhões eram
destinados a universidades. Após críticas, o Ministério da Educação liberou
parte do montante.
No dia 1º de dezembro, no entanto, foi feita a segunda
tentativa, quando o Ministério da Economia fez um novo bloqueio, antes que
o dinheiro pudesse ser usado pelas instituições. Nesta ocasião, o governo bloqueou
e desbloqueou os recursos em um intervalo de 6 horas.