Ao elencar o combate à fome como a principal missão de seu
governo e de sua vida, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
chorou. O discurso para a base aliada foi realizado na manhã desta quinta-feira
(10), no Centro Cultural Banco do Brasil, em Brasília, onde a equipe de
transição de governo está trabalhando. “Se quando eu terminar o mandato, cada
brasileiro tiver tomando café, almoçando e tiver jantando, eu terei cumprido a
missão da minha vida”, disse o petista, que nasceu no sertão de Pernambuco,
tendo enfrentado a seca e uma infância pobre, o que obrigou sua família a
migrar para o estado de São Paulo.
Visivelmente emocionado, Lula enfatizou que a única razão
pela qual disputou as eleições presidenciais é tentar reestabelecer a dignidade
do povo brasileiro. Airmou, ainda, que não esperava ver o Brasil de volta ao
Mapa da Fome. "Desculpa, mas o fato, é que eu jamais esperava que a fome
ia voltar a esse país. Quando eu deixei a Presidência, dez anos atrás, esse
país estaria igual a França, a Inglaterra, esse país teria evoluído no ponto
das conquistas sociais. Esse país levou o impeachment de uma mulher. Esse país
viveu o maior processo de negação da política que eu conheço na História",
lamentou.
De acordo com o Segundo Inquérito Nacional sobre Insegurança
Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, publicado em junho, 33,1
milhões de pessoas estão passando fome. Este patamar, lembra o jornal Estado de
Minas, é o mesmo verificado há 30 anos. Apesar disso, em várias oportunidades,
o atual presidente da República, Jair Bolsonaro, negou a existência dos
problemas, postura que foi duramente criticada por Lula, durante a campanha
eleitoral.
METAS – Ao lado do vice-presidente eleito,
Geraldo Alckmin (PSB), da presidente nacional do Partido dos Trabalhadores,
Gleisi Hoffmann, e da futura primeira-dama, Rosângela da Silva, mais conhecida
como Janja, discutiu as metas do novo governo com parlamentares aliados.
Lula também falou sobre o receio que o mercado financeiro tem
de que o novo governo fure o teto de gastos. No entanto, o petista destacou
que, em sua avaliação, esta preocupação não considera o papel do Estado como
provedor de políticas sociais. “Por que as mesmas pessoas que dizem que é
necessário cortar gastos, fazer superávit e teto, não discutem a questão social
deste país? Por que o povo pobre não está na planilha da economia e por que a
gente tem meta de inflação e não tem meta de crescimento?”, questionou.
Teto
de gastos – Segundo o Correio Braziliense, a discussão sobre como
o novo governo comandará a política fiscal vem sendo tema de discussões entre
políticos e agentes financeiros. O mercado vem reagindo com preocupação. Isto
porque o governo de transição fala em retirar o programa social Bolsa Família
do teto de gastos. Durante o discurso de Lula, observa o jornal, a Bolsa de
Valores operava em baixa de 2,74%.