O presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT),
descartou, nesta quinta-feira (10), a possibilidade de o vice-presidente eleito,
Geraldo Alckmin (PSB), vir a ser ministro do futuro governo. A declaração foi
dada durante reunião com políticos aliados, no Centro Cultural Banco do Brasil
(CCBB), em Brasília, onde atua a equipe de transição. Além do próprio Alckmin,
estava presente a presidente do Partido dos Trabalhadores, deputada federal Gleisi
Hoffmann.
De acordo com o portal de notícias g1, Lula fez questão de
enfatizar que o posto ocupado por Geraldo Alckmin é o de vice-presidente. "Eu
fiz questão de colocar o Alckmin como coordenador para que ninguém pensasse que
o coordenador vai ser ministro. Ele não disputa vaga de ministro porque é o
vice-presidente", disse o presidente eleito.
O ex-governador de São Paulo coordena a equipe de transição
de governo e dividiu os trabalhos em grupos, que discutem, dentre outros
aspectos, a saúde, o desenvolvimento social e a economia.
Na sua fala, Lula também afirmou que os "perdedores"
da disputa eleitoral, referindo-se ao atual presidente Jair Bolsonaro (PL) e à
sua equipe, terão o direito de "escrever" a história do país e de participar
do processo de mudança governamental. "A gente costuma dizer que quem
conta a história de uma nação são os vencedores, os perdedores não têm o
direito de escrever. Nesse caso, eu queria dizer pra vocês: os perdedores vão
ter o direito de escrever e vão ter o direito de participar desse processo de
transição e desta governança", declarou.
Integram a equipe de transição de Lula a senadora Simone
Tebet (MDB), que concorreu à vaga de presidente no primeiro turno das Eleições
2022; os economistas Pérsio Arida e André Lara Resende, que participaram da
equipe que criou o Plano Real, em 1994, durante o governo do sociólogo Fernando
Henrique Cardoso; e os ex-ministros Alexandre Padilha, Humberto Costa, Aloizio
Mercadante e Nelson Barbosa.
AGENDA – Lula chegou a Brasília na noite de terça-feira
(8). Ontem (9), ele se reuniu com o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur
Lira (PP-AL), e com o presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
Também se encontrou com a ministra Rosa Weber, presidente do Supremo Tribunal
Federal (STF), e com o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE),
ministro Alexandre de Moraes.
Segundo Valdo Cruz, colunista do g1, em Brasília, Lula busca a
estabilidade institucional, movimento que tem sido chamado, internamente, de
"reconstrução nacional". Isto por causa dos constantes ataques do
governo Bolsonaro aos demais poderes.
Ainda conforme o g1, após as reuniões, o presidente eleito participou
de uma coletiva de imprensa, na qual enfatizou ser "plenamente possível"
recuperar a "normalidade" nas relações entre as instituições.