A probabilidade de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ser eleito presidente
é de 76,7%, de acordo fórmula desenvolvida pela Fundação Getúlio Vargas (FGV)
para prever o desfecho do segundo turno, com base nos resultados do primeiro.
Com isto, restaria a Jair Bolsonaro (PL) uma chance de virada de 23,3%.
De acordo com a agência de notícias Folhapress, o modelo foi
criado pelos cientistas políticos George Avelino, Guilherme A. Russo e Jairo T.
P. Pimentel Junior, do Centro de Política e Economia do Setor Público da
FGV-SP, e tem taxa de acerto elevada, funcionando, também, para disputas
estaduais e municipais.
Em 2018, por exemplo, o mesmo cálculo apontou corretamente o
favorito em 13 dos 15 pleitos que foram para o segundo turno, incluindo o
presidencial. Os erros ocorreram, apenas, em Roraima e Santa Catarina. O
desempenho assemelha-se ao das pesquisas de intenção de voto realizadas pelo
Ibope na véspera do segundo turno, que também cravaram o favorito em 13 das 15
disputas daquele ano.
Os pesquisadores argumentam que a diferença é que a pesquisa de
intenção de voto tem um custo alto e só atinge essa precisão um dia antes de os
eleitores irem às urnas. Já a fórmula criada por eles é gratuita. Além disso, pode
ser aplicada imediatamente após os resultados do primeiro turno serem divulgados.
Por isso, os cientista políticos já são capazes de apresentar os favoritos em
todas as corridas estaduais ainda em aberto este ano.
Conforme o Folhapress, por regra, os candidatos que
terminaram na frente no primeiro turno têm uma chance maior de serem eleitos.
No entanto, a vitória é bem menos certa em alguns estados, como é o caso do
Mato Grosso do Sul e de Pernambuco, cuja diferença entre os candidatos é
pequena.
No Mato Grosso do Sul, Capitão Contar (PRTB) tem apenas 51,7%
de chance de vencer, contra 48,3% de Eduardo Riedel (PSDB). Os mesmos
percentuais se repetem em Pernambuco, com leve favoritismo de Marília Arraes
(Solidariedade) sobre Raquel Lyra (PSDB).
Em Alagoas, Paulo Dantas (MDB), alvo de uma recente operação
da Polícia Federal (PF), tem 89,7% de chance de vitória, contra apenas 10,3% de
Rodrigo Cunha (União Brasil). É quase a mesma vantagem de Wilson Lima (União
Brasil) sobre Eduardo Braga (MDB) no Amazonas: 89,6% contra 10,4%.
Os pesquisadores acreditam que a corrida pelo governo de São
Paulo tem cenário parecido com a disputa presidencial, mas com inversão dos
polos. A maior probabilidade de vitória (74%) está com Tarcísio de Freitas
(Republicanos), candidato ligado a Jair de Bolsonaro, enquanto Fernando Haddad
(PT), apoiado por Lula, fica com 26%.
O Folhapress aponta que, para chegar a esses percentuais,
Avelino, Russo e Pimentel utilizam uma equação baseada em dois aspectos: o percentual
de votos válidos recebidos pelo líder do primeiro turno e a diferença em
relação ao segundo colocado. “Enquanto desenvolviam o modelo, eles analisaram
128 disputas presidenciais de segundo turno em 44 países, incluindo o Brasil, e
287 segundos turnos em pleitos estaduais e municipais brasileiros”, diz a
publicação.
Baseando-se nas eleições regionais, eles examinaram outras
variáveis, a exemplo da tentativa de reeleição, das características
demográficas, do perfil dos candidatos e da distribuição dos votos entre os
derrotados no primeiro turno. Com isso, constataram que nada disso aprimorava a
capacidade de previsão da fórmula.
Em artigo publicado em 2020, os cientistas políticos
argumentam que há bons motivos para a equação funcionar, a despeito de sua
simplicidade. Eles afirmam que os resultados do primeiro turno já incorporam as
especificidades das campanhas e que é muito raro haver mudança de voto entre o
líder e o segundo colocado.
Dados de pleitos brasileiros mostram que, em corridas
presidenciais e estaduais, só 6% dos eleitores mudaram de opção entre os dois
candidatos que passaram para o segundo turno. Porém, como a migração ocorre nos
dois sentidos e com frequência aproximada, seu efeito tendo a ser desprezível.
George Avelino, Guilherme Russo e Jairo Pimentel lembram que
os eleitores, em tese disponíveis para o segundo colocado, votaram em
derrotados no primeiro turno ou se abstiveram. Segundo os pesquisadores, é difícil
mover todo esse contingente para o segundo turno.