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Prefeitura, Estado e União: um olhar sobre os investimentos, para 2020, em Feira de Santana

28 de Dezembro de 2019 | 15h 34
Prefeitura, Estado e União: um olhar sobre os investimentos, para 2020, em Feira de Santana
Foto: Reprodução

O Brasil respira um tanto aliviado, neste final de 2019, quando o assunto é investimento. As projeções são otimistas, em vista da taxa de juros alcançada este ano – a menor da história do país –, uma inflação moderada e a perspectiva da retomada do crescimento econômico, em diversas áreas. Nada que possa empolgar, mas, sem dúvida, há um cenário alentador. Recomenda-se, no réveillon, brindar a chegada de 2020 com o pensamento positivo, sem, contudo, perder de vista a prudência nos gastos. Expectativas são meras expectativas, nada garantido. A virada da economia nacional parece estar ao alcance, mas é preciso esperar, para ver o ovo sair da galinha.

E, em Feira de Santana, o que aconteceu de bom, em 2019, para o seu desenvolvimento econômico? Pode-se dizer muita coisa. Fortalecendo a máxima de que esta cidade tem uma intransponível bateria anticrise, o comércio pulsou com as inaugurações de empreendimentos como o Atakarejo; a gigantesca obra do Maskate, a loja da rede Comercial São Roque, na Avenida Fraga Maia; o Shopping Avenida, na Noide Cerqueira (esses dois últimos, investimentos feitos pelo empresariado local).

O Shopping Feira Portal Center, localizado nas imediações da Estação de Transbordo Centro, foi mais um investimento privado de certa ousadia. E, para fechar o ano, algo que preenche a imaginação dos entusiastas da gastronomia: chegou à cidade a franquia Rei do Pirão, um gigante das refeições, que ocupa o prédio onde funcionou uma grande igreja evangélica – e isto é o suficiente para dar uma noção do tamanho do espaço.

Dois mil e dezenove consolidou uma forte atividade econômica na mais promissora região da cidade, a Artêmia Pires, uma área que teima em se desenvolver, mesmo sofrendo com o descaso do poder público municipal. Em sua origem, a avenida sofreu com a permissividade municipal, que admitiu, com toda a parcimônia, a construção desordenada e predadora de empreendimentos imobiliários, em desrespeito total à legislação, resultando em uma grande anomalia urbana: a inexistência da mais óbvia das estruturas para aquele pedaço da cidade, uma pista dupla, para lhe dar a adequada mobilidade.

O Produto Interno Bruto (PIB) feirense cresce a um ritmo de quase 9% ao ano, conforme divulgado, recentemente. Sua evolução é a maior do Estado e igualmente superior à média nacional. Nos últimos 15 anos, Feira saiu da classificação 98ª, em nível nacional, para a 69ª, conquistando 29 posições, no ranking.

Deixemos, no entanto, o passado que já representa este ano quase findado, para observar o futuro: o que esperar de Feira de Santana, em 2020. Não existe notícia alvissareira na iniciativa privada, em princípio. Esperamos, evidentemente, que o poder de superação desta cidade vacinada contra crises possa estar nos reservando surpresas agradáveis para o decorrer dos próximos 365 dias. Algo pode estar no forno, mas bem guardado, como é comum nos investimentos empresariais.

ESTADO E UNIÃO – Mas nem somente da iniciativa privada vive o desenvolvimento. O poder público também tem suas responsabilidades, quanto a investimentos que possam não apenas proporcionar melhorias na qualidade de vida, mas alavancar a economia. Este ano que já se encontra, praticamente, nas cinzas, não apresentou progressos, ou muito pouco se fez. Pode-se dizer que Prefeitura, Estado e União estão em débito com os feirenses. Dívida que deve ser paga em 2020, ano eleitoral.

O Governo Federal iniciou, há pouco tempo, a obra de duplicação da BR 116 Norte, trecho Feira-Serrinha, mas o que se noticia é a falta de recursos para a continuação dos trabalhos, em 2020. Anunciou-se, também, mais uma vez, a intenção de duplicar o que resta da Avenida Fróes da Motta, nosso anel rodoviário, mas, por enquanto, são apenas promessas, nada de concreto a comemorar.

O Estado da Bahia precisará encerrar, em 2020, uma triste novela, a conclusão do – já se pode dizer famigerado – Centro de Convenções. Não dá mais para inventar desculpas. Do mesmo modo, deve concluir a interminável obra da Lagoa Grande, parte do esgotamento sanitário, sem a qual todo o trabalho, até aqui realizado, se torna, praticamente, inócuo. Aeroporto João Durval Carneiro é mais uma demanda que se arrasta, ao longo dos anos, sem solução e tem que constar da pauta do governador Rui Costa, em Feira de Santana, no ano que vem. O Hospital Clériston Andrade 2, de tudo isso, é o que se pode considerar mais consolidado – espera-se não haver contratempos também nesta obra.

OS PROJETOS MUNICIPAIS – A Prefeitura, sob o comando do médico Colbert Martins Filho, naturalmente, é quem mais tem poder de fogo, em 2020. O gestor conclui mandato iniciado por José Ronaldo, afastado do cargo para concorrer a governador, em 2018. Precisa de realizações, para viabilizar a sua candidatura à reeleição. E parece determinado a promover uma série de investimentos, no município. O foco é a mobilidade urbana, o que é animador, sendo esta uma grande carência dos feirenses, especialmente na região central da cidade, onde inexistem passeios e calçadas livres, ciclovias e ciclofaixas, tampouco acessibilidade para os milhares de pessoas Portadoras de Necessidades Especiais.

Colbert promete uma revolução no centro comercial e o dinheiro para tal está garantido. É um empréstimo de R$ 100 milhões, junto à Caixa Econômica Federal. Recursos previstos para essas intervenções – a mais interessante delas é a que pretende desobstruir a Rua Sales Barbosa, com o seu calçadão.  Outra frente a ser atacada é a duplicação de dois viadutos, talvez os de maior fluxo de veículos, localizados às portas de dois importantes vetores em expansão, nos últimos anos: as avenidas Noide Cerqueira e Fraga Maia. O investimento é de R$ 15 milhões. O processo licitatório da elaboração dos projetos executivos para essas duas importantes ações está finalizado. Em breve, a Prefeitura selecionará a empresa que fará as obras.

Ainda no âmbito da Prefeitura, Feira de Santana aguarda, com ansiedade, para 2020, a ampliação de duas avenidas igualmente estratégicas. A extensão, com pistas duplicadas e ciclovias, vai conectar a Fraga Maia e a Ayrton Senna com a  Avenida Rubens Francisco Dias, antiga estrada do Papagaio e principal acesso a esse que é um  bairro em plena evolução, na cidade.

Talvez o mais importante feito do prefeito Colbert Martins Filho, em seu curto mandato, o Feira Tênis Clube, cuja área foi desapropriada e adquirida pela Administração Municipal, por cerca de R$ 9 milhões, será transformado em um grande centro educacional voltado para o atendimento das crianças do nosso Ensino Fundamental, com foco em alunos especiais, portadores de deficiências, mas também importantíssimo para os professores, que irão dispor de um espaço de formação, auditórios e de toda a estrutura, para que possam se atualizar e entregar um ensino de melhor qualidade. No total, o equipamento deve receber investimentos da ordem de R$ 25 a 30 milhões.

A iluminação pública, calcanhar de Aquiles na vida da população, é mais um alvo do prefeito, em 2020. Reclamação que lidera os protestos de ouvintes nos programas de rádio pode ser reduzida sensivelmente, caso a Prefeitura concretize o projeto de aquisição de 10 mil lâmpadas de LED. O material significaria uma mudança radical no cenário sombrio dos dias de hoje, nas principais avenidas da cidade.

Há uma outra aquisição da Prefeitura que pode promover avanços, no município: as máquinas pesadas destinadas ao trabalho de manutenção das vias públicas – ruas e avenidas, mais as estradas da zona rural. São quase R$ 11 milhões investidos na compra de 27 caçambas; mais R$ 5,5 milhões investidos em equipamentos, como motoniveladoras, pá carregadeiras, retroescavadeiras e escavadeiras hidráulicas. Uma frota que, há três décadas, não era renovada, o que emperrava vários serviços essenciais.

BRT E SHOPPING POPULAR – Deixamos por último o BRT e o Shopping Popular. A situação desses dois investimentos municipais é algo bem semelhante ao imbróglio em que o Governo do Estado se meteu com as inconclusas obras da Lagoa Grande, do Centro de Convenções e do Aeroporto João Durval. São projetos que se encontram atrasadíssimos, em prejuízo da população, que aguarda, há tanto tempo. Os motivos da demora, por parte do Estado e da Prefeitura, nesses “elefantes”, são distintos. O Município recebeu toda sorte de ataques políticos, no meio do caminho, o que, em parte, justifica a longa espera. O Estado nem essa desculpa pode dar.

Há os que duvidam da eficácia do BRT. Quem assim entende, está no seu direito. É uma proposta não devidamente apresentada e muito menos bem executada pela Prefeitura, o que resulta em muita desconfiança. No entanto, uma vez tendo se investido tanto dinheiro e, aparentemente, em um curso que se aproxima do final, resta esperar e torcer para que, uma vez concluído e em funcionamento, reduza, verdadeiramente, a demora no deslocamento dos usuários de ônibus, no trajeto dos bairros até o comércio. A avaliação, de momento, é pessimista, mas convém esperar pela prática, para uma análise definitiva da eficácia desse equipamento.

O Shopping Popular, igualmente visto com suspeitas diversas – e, nesse caso, também merecidas, por tudo o que se sabe sobre o contrato de Parceria Público-Privada firmado, pela Prefeitura, com um grupo investidor formado de capital mineiro, chinês e italiano –, tem o propósito de acomodar os milhares de camelôs espalhados pelo Centro, motivo da balbúrdia nos passeios e em outros espaços públicos. Portanto um foco bem objetivo. Quem passa pela Avenida Olímpio Vital, vê o prédio gigante pronto, com obras de acabamento, no seu interior.

A data em que finalmente receberá os camelôs, entretanto, é uma incógnita, como também acontece ainda com o BRT. Ambos investimentos são cercados de polêmica, tendo opinião bastante dividida, na comunidade, quanto ao seu resultado final. Não há que se comemorar, por enquanto, mas parece ser precipitado, igualmente, atacar resultado ainda desconhecido. Com a proximidade do ano eleitoral, há data de validade para inauguração de obras e março parece ser o mês crucial de quem almeja algo em outubro.

Resumo da ópera: a Prefeitura tem, sim, uma proposta de investimentos e melhorias da qualidade de vida da população, para o ano seguinte. Uma vez concretizados todos esses projetos, o município vai dar uma boa alavancada, com certeza, o que repercutirá positivamente na imagem do gestor.

Que essa movimentação do prefeito, necessitado de melhorar a sua imagem perante o eleitor, na busca de mais um mandato, possa inspirar o governador Rui Costa a travar, com ele, guardadas as devidas proporções, uma batalha local de realizações, como acontece em Salvador, onde não deixa ACM Neto construindo sozinho, ciente de que isto lhe seria fatal, nas urnas!

Quanto ao Governo Federal, o eleitorado de Feira de Santana, como de resto a Bahia, fez opção, em sua maioria, por não votar no presidente Jair Bolsonaro. Razão para que, em seu segundo ano de governo, o capitão possa motivar-se, com investimentos, a conquistar a confiança e o gosto deste povo ainda contagiado, por incrível e absurdo que pareça, pelo “efeito Lula”. Até aqui, o novo presidente não deu o ar da graça.



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