Os passageiros do Aeroporto Governador João Durval Carneiro, em Feira de Santana, já puderam escolher para quais destinos queriam viajar. Os aviões que decolavam do aeródromo inicialmente seguiam em direção às cidades baianas de Salvador e Vitória da Conquista e, depois, somente para o Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, centro de tráfego aéreo importante, com voos para diversas cidades do país e do exterior e um dos maiores centro de transporte de cargas. Atualmente, o único voo disponível é semanal, sempre aos domingos, para o Aeroporto Internacional de Belo Horizonte - Confins.
A empresária Jamylle Silva, dona de uma agência de turismo em Feira de Santana, lembra que o movimento no terminal aéreo era intenso e que havia muita procura por passagens, principalmente por parte de moradores de outros municípios. “Meu público maior era de pessoas de cidades vizinhas. O destino mais procurado era Campinas, em São Paulo. Quando havia voos diários para lá, de segunda a sexta-feira, a gente tinha uma rotatividade muito alta. A ocupação dos voos era de 98%. Eu tive uma loja no aeroporto só para comercializar passagem e a gente vendia uma média de 40% da capacidade do voo diário”, afirmou.
A retomada de um voo para São Paulo é importante para Feira de Santana e traria ganhos para diversos setores empresariais e comerciais da região, pelo menos é o que acredita o presidente da Associação Comercial e Empresarial de Feira de Santana (Acefs), Marcelo Alexandrino. “Minha opinião é que aqui deveria ter um voo que chegasse à noite e voasse para São Paulo pela manhã, porque facilitaria muito a vida do empresariado local e também das pessoas que viessem tratar de negócios aqui. Além disso, movimentaria outros setores, porque a pessoa que pernoitasse em Feira teria que pegar um transporte no aeroporto, dormiria em um hotel e ainda frequentaria um restaurante”, observa.
O presidente da Acefs também destacou que a região metropolitana de Feira de Santana possui quase 2 milhões de habitantes e que muitas empresas possuem relações com o sudeste do país. “Feira é um entroncamento rodoviário e um centro de logística. Por isso o modal aéreo é fundamental para consolidar este papel. São por volta de 20 mil empresas comerciais e muitas com relação direta com o grande centro comercial do país, que é São Paulo. O fluxo de viagens de pessoas indo e vindo para a capital paulista é muito grande”, afirmou.
Marcelo Alexandrino ainda salientou que muitas pessoas da região iriam optar pelo aeroporto da cidade ao invés do terminal de Salvador, desafogando, assim, o aeroporto da capital.
Além do voo para São Paulo, outro destino apontado como atrativo é Recife, capital do estado de Pernambuco. “A nossa demanda inclui voos para Recife, um para o norte e um para o sul do país”, elenca Marcelo Alexandrino.
Essa opinião também é defendida por quem atua na área de turismo. “Uma rota para Recife, como ponto de conexão para demais cidades do Nordeste, seria o ideal para o turismo emissivo e receptivo, porque os feirenses gostam muito de viajar para essa região. A maioria das viagens que eu vendo para períodos como carnaval e micareta é para locais de praia”, disse Jamylle Silva.
PASSAGEIROS E CARGAS - O diretor do Centro Industrial do Subaé (CIS), José da Paz, também defende que a oferta de mais voos no Aeroporto João Durval Carneiro pode trazer mais benefícios para o município. Ele acredita que, para que haja um maior crescimento industrial de Feira de Santana e região metropolitana, é necessário transportar cargas e passageiros para diversas partes do país. “O ideal seria voos para todo país, a fim de escoar a produção das empresas e aumentar o fluxo de passageiros, mas as prioridades seriam São Paulo e a região Nordeste”, salienta.
Ainda de acordo com o diretor do CIS, uma pesquisa interna mostrou que a região tem demanda para utilizar o transporte aéreo. “Fizemos uma pesquisa, recentemente, com uma mostra de 100 indústrias, de um universo de 552, e verificamos uma forte demanda por carga aérea, em torno de 60%. Quanto à vocação do aeroporto de carga e passageiros, hoje as cargas são transportadas nos aviões de passageiros e não precisa exatamente de aeronave de carga”, enfatizou José da Paz.
Marcelo Alexandrino, presidente da Acefs, também acredita que a melhor solução para Feira de Santana é um centro de tráfego aéreo para transportar passageiros e cargas. “É importante que a gente tenha as duas coisas, porque um aeroporto só de cargas é difícil de viabilizar”, afirmou.
Terminal feirense movimentou 6,4 mil passageiros em 2017, redução de mais de 10% em relação a 2016
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) publicou, no último dia 02, as estatísticas de movimentação de passageiros em voos comerciais relativas a dezembro de 2017. Segundo a Anac, nesse período, o Aeroporto João Durval Carneiro, em Feira de Santana, movimentou 555 passageiros, sendo 149 embarques e 406 desembarques. A movimentação total, ao longo de 2017, foi de 6.395 passageiros, sendo 3.001 embarques e 3.394 desembarques. Os dados da Anac apontam redução do número de passageiros em relação ao ano de 2016, quando houve 7.325 passageiros transportados, em voos comerciais, no terminal.
A maior movimentação registrada no Aeroporto João Durval Carneiro ocorreu no ano de 2015, quando 32.423 passageiros passaram pelo terminal feirense, em voos comerciais. Naquele ano, estava em vigor a oferta de 05 voos semanais, inicialmente para Campinas (SP) e, posteriormente, para Confins (MG).
O balanço da Anac foi divulgado no dia em que o voo inaugural Campinas - Feira - Campinas completou 02 anos. Na ocasião, o governador Rui Costa, que estava a bordo com a sua comitiva, solicitou à companhia Azul que estudasse uma possível oferta de voos para Brasília. O grande movimento registrado em 2015 deixa claro que o argumento da falta de demanda para o aeroporto local não se sustenta.