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Aumento da frota de veículos agrava situação do trânsito

Karoliny Dias - 12 de Dezembro de 2017 | 17h 07
Aumento da frota de veículos agrava situação do trânsito
Foto: Ísis Moraes
 
O trânsito de Feira de Santana já pode ser chamado de caótico. Números do Departamento de Trânsito do Estado da Bahia (Detran/BA) indicam que são, ao todo, 272.154 carros e 76.890 motos. Essa era a frota oficial da cidade em setembro desse ano. No entanto, segundo a 3ª Circunscrição Regional de Trânsito de Feira de Santana (Ciretran), além desse número provavelmente já ter aumentado um pouco, é preciso levar em consideração a frota de mais 12 cidades circunvizinhas, já que são veículos que, frequentemente, também circulam em aqui. O volume total sobe, então, para 337.154 automóveis e 104.057 motocicletas.
 
Por ser um entroncamento rodoviário, o município também abarca veículos de todas as regiões do país, ainda que apenas de passagem. E para agravar ainda mais a situação, as vias públicas não são adaptadas para acomodar tantos veículos de forma ordenada. A cidade está inchada e sequer tem um Plano Diretor atualizado, que indique soluções a curto, médio e longo prazos.
 
Sílvio Dias, coordenador da 3ª Ciretran, ressaltou que a frota de veículos automotores cresceu muito em um curto período de tempo. “Em determinados anos, o crescimento da frota chegou a 10%, sem que investimentos fossem feitos para melhorar as vias. As poucas intervenções realizadas se mostraram ineficientes, porque não previram o aumento exacerbado da quantidade de carros”, avalia.
 
O coordenador disse ainda que somente agora as obras estão começando a ser planejadas em função dessa previsão. Um bom exemplo é a Avenida Noide Cerqueira, pensada a partir da perspectiva de expansão da cidade. “Os investimentos nas vias públicas precisam ser mais eficientes. E isso só é possível com planejamento”, lembra.
 
TRANSPORTE COLETIVO - Outro problema apontado por Sílvio Dias é a grande quantidade de carros fazendo transporte individual. No seu entendimento, isso ocorre porque o transporte coletivo não é de qualidade e não atende plenamente às necessidades da população. “Para melhorar o trânsito em nossa cidade, primeiro é preciso aperfeiçoar o transporte coletivo. Isso estimulará as pessoas que possuem automóveis a optarem por deixá-los em casa. Um bom investimento nessa área e que surte efeito é a implantação de metrôs. Estamos vendo essa mudança de perto, com a ativação do sistema metroviário em Salvador”, observa.
 
Ainda conforme o coordenador, de nada adianta investir em transporte coletivo, se o mesmo não atender às demandas da maioria da população. “Fazer investimentos volumosos em um modal que, no fim das contas, não vai suprir as necessidades da maior parte dos usuários, que está concentrada nos bairros periféricos, e não no centro, resultará inútil”, prevê.
 
E os problemas não param por aí. São diversos e não há previsão de melhora. A falta de sinalização horizontal e vertical, semáforos operando com sistema defasado e falta de acessibilidade são apenas alguns deles e fazem com que Feira de Santana não seja uma cidade para todos. Poucos são os investimentos em mobilidade urbana. Não há ciclovias. As faixas de pedestres são escassas, principalmente no centro da cidade, onde há uma maior circulação de transeuntes. E a imprudência dos motoristas, que não obedecem ao Código Brasileiro de Trânsito, contribui ainda mais para transformar o trânsito em uma ameaça real e constante. Outra frequente reclamação dos pedestres são as calçadas ocupadas, por carros, motos, mesas ou barracas. A existência de tantos obstáculos acaba incentivando os feirenses a caminharem pela rua, aumentando o risco de atropelamentos e atrapalhando ainda mais o tráfego.
 
ANEL DE CONTORNO - O arquiteto e urbanista Flávio Monteiro destacou que, ao contrário do que muitos pensam, a cidade de Feira de Santana não foi planejada para a expansão urbana que vem sofrendo. Para ele, há uma completa falta de direcionamento nesse crescimento, principalmente no que diz respeito ao anel viário. “Fora do Anel de Contorno não há planejamento, muito menos baseado em um Plano Diretor. A cidade cresce para todos os lados e isso gera um problema gravíssimo, inclusive de trânsito”, enfatiza.
 
Ele salienta que o principal problema do Anel de Contorno está nas travessias, realizadas sem nenhum ordenamento. “Um exemplo do erro que é o Anel de Contorno é o sinal de trânsito que fica perto do restaurante Los Pampas. É uma situação catastrófica. Outra zona de crescimento sem ordenamento é a Avenida Artêmia Pires. O fluxo de veículos é completamente desorganizado. Os carros saem literalmente da terra para encontrar qualquer lugar por onde possam seguir”, ressalta. 
 
De acordo com Flávio Monteiro, a solução para o Anel de Contorno está no enfrentamento do problema, pelo governo municipal. “Não cabe mais ficar jogando a responsabilidade para as outras instâncias governamentais, porque quem sofre com isso é a população”, adverte.
 
VIADUTOS - Sobre os viadutos, o arquiteto disse que os equipamentos estrangulam o crescimento da cidade e interrompem o seu fluxo. Em relação ao centro, ele afirma que a manutenção do trânsito está abandonada e que nada se faz em relação aos ambulantes, que “tomaram conta da cidade”. Destacou ainda a desobediência dos condutores como um dos fatores que mais tornam a cidade caótica. Outro problema apontado por Flávio Monteiro é a elevada quantidade de motos. “Os motociclistas, infelizmente, não obedecem aos sinais de trânsito nem à ordem dos retornos. E ainda fazem ultrapassagens indevidas, pela direita, o que aumenta o risco de acidentes”, enumera.
 
Na opinião do arquiteto, o grande erro das autoridades feirenses é não adotar uma fiscalização realmente impactante. “Nas avenidas centrais, diversos veículos estacionam em fila dupla e não são multados. As multas, em sua grande maioria, são apenas para quem utiliza o celular enquanto dirige. Infelizmente, não vemos punições para infrações que verdadeiramente afetam o trânsito. Nem vejo providências sendo tomadas para melhorar isso. As multas parecem ser apenas uma forma de arrecadar dinheiro”, reflete.
 
O superintendente Municipal de Trânsito, Maurício Carvalho, disse que a rápida expansão da cidade trouxe muitos problemas e desafios. “Nos últimos 20 anos, Feira de Santana cresceu de forma vertiginosa, criando vários novos vetores de desenvolvimento. E, nos últimos sete, a cidade teve a sua frota de veículos automotores aumentada em 77%. São mais de 300 mil veículos de todos os modais. Consequentemente, isso faz com que o poder público municipal tenha novos desafios”, analisa.
 
Maurício Carvalho destacou ainda que “várias ações têm sido realizadas para melhorar o trânsito na cidade”. Sem levar em conta a opinião de arquitetos, urbanistas e especialistas em mobilidade, que não veem viadutos e túneis como soluções para os problemas das cidades que sofrem as consequências da rápida modernização sem planejamento, o superintendente Maurício Carvalho afirma que o governo municipal vem investindo nesses tipos de equipamentos. “Vários viadutos foram e estão sendo construídos. Já pronto temos o túnel que liga a Avenida Maria Quitéria à Avenida Getúlio Vargas. Em fase construção, temos o viaduto que liga a Avenida João Durval à Avenida Presidente Dutra. A prefeitura também está executando as obras do BRT (Bus Rapid Transit), para a melhoria dos problemas de transporte coletivo. E várias outras intervenções importantes na área de engenharia também estão sendo implementadas”, acrescenta.
 
ZONA AZUL - Maurício Carvalho apontou a questão do estacionamento no centro da cidade como um dos mais graves problemas que afetam o trânsito. Como solução, ele enfatizou que a prefeitura já está implantando a Zona Azul, sistema de estacionamento rotativo pago em vias públicas, que tem por objetivo racionalizar o uso do sistema viário em áreas adensadas, organizar e disciplinar o espaço urbano.
 
Falando sobre sinalização vertical, horizontal e eletrônica, o superintendente disse que “a cidade está muito bem sinalizada no que diz respeito ao trânsito” e que “novas sinaleiras e fotosensores estão sendo instalados, principalmente nas Avenidas Noide Cerqueira e Ayrton Senna”. Segundo ele, essas medidas darão “mais segurança a condutores e pedestres”. 
 
Maurício Carvalho afirmou ainda que um estudo para modernizar o sistema de sinalização semafórica está em fase de finalização. “Evidentemente, isso passará por processo licitatório, mas o estudo já está sendo realizado, a fim de que os semáforos antigos sejam substituídos por semáforos inteligentes, que operem em tempo real, sobretudo nos principais cruzamentos da cidade. Em outros locais, haverá a colocação de equipamentos com temporizadores. Acredito que, nos meses de janeiro e fevereiro, esse processo já esteja concluído”, supõe. 
 
Segundo o superintendente, a duplicação do Anel de Contorno é uma demanda que precisa ser atendida com urgência. “Feira de Santana é o maior entroncamento rodoviário do Norte e Nordeste e é cortada por cinco rodovias. Isso faz com os problemas de trânsito se agigantem. Por isso a duplicação do Anel de Contorno deve ser tratada como prioridade, porque contribuirá sobremaneira para desafogar o trânsito”, avalia.
 
Outra medida que deve melhorar o trânsito no centro da cidade, de acordo com Maurício Carvalho, será a abertura do canteiro de interseção entre a Avenida Presidente Dutra e a Rua Comandante Almiro. Com isso, dois retornos da Avenida Getúlio Vargas serão fechados. “Isso fará o trânsito fluir melhor”, pondera.
 
EDUCAÇÃO - Parte dos recursos provenientes da arrecadação de multas, conforme Maurício Carvalho, é aplicada tanto em sinalização quanto em policiamento e fiscalização. “Outra parte vai para a engenharia de tráfego e para ações de educação ligadas ao trânsito”, informa.
 
Ele disse que a Superintendência criou o Núcleo de Educação para o Trânsito e que o órgão tem desenvolvido vários projetos, a exemplo do Via Livre, Educação para Seguir. “Esse projeto é realizado nas imediações do Colégio Padre Ovídio, entre a Avenida Senhor dos Passos e a Rua Monsenhor Mário Pessoa, e é um sucesso, porque o trânsito já apresentou uma melhora significativa naquela região. Recentemente, implantamos também na Rua Comandante Almiro, cruzamento com a Avenida Getúlio Vargas, próximo ao Colégio Acesso, local onde o tráfego também já apresentou melhora. Em 2018, levaremos o projeto a outras escolas, públicas e privadas, e também a faculdades”, garante, ressaltando que o Núcleo de Educação para o Trânsito também leva palestras socioeducativas a empresas. “Já tivemos público superior a cinco mil pessoas”, comemora.


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