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André Pomponet

O Rio de Janeiro continua lindo

André Pomponet - 29 de Janeiro de 2026 | 08h 51
O Rio de Janeiro continua lindo

Colega de trabalho e amigo de longa data, o repórter fotográfico Luiz Tito me pediu para fazer um texto sobre o Rio de Janeiro. Algo positivo, que fugisse do tradicional noticiário de violência, de crimes, de corrupção. Ano passado fiz algumas viagens à Cidade Maravilhosa e – tarefa difícil! – fiquei matutando sobre o que escrever. Os encantos mil estão lá, à vista do visitante, desafiando-o a lançar um olhar diferente daqueles que já se lançam há tantas décadas.

Acostumado a palmilhar centros de cidade – hábito antigo, legado pelos incontáveis passeios ao comércio da Feira de Santana – pensei em escrever sobre o centro do Rio Janeiro. Lapa, Santa Teresa, Praça XV, Praça Mauá, Cinelândia, mesmo o agitado Saara, tudo veio feito onda, mas sem entusiasmar. Escrever sobre monumentos, patrimônio arquitetônico, fatos históricos é tarefa espinhosa, exige tempo e estudo. Então, desisti.

A breve intimidade estabelecida com o Rio de Janeiro, porém, permitiu uma constatação: nenhuma cidade no Brasil oferece tantas opções de lazer gratuitamente. Neste cardápio não estão só as praias deslumbrantes ou a contemplação das montanhas magníficas que circundam a cidade, imortalizadas em cartões postais.

Depois de muita hesitação, espasmos de entusiasmo e recuos cautelosos, menciono aqui três atrações, pouco conhecidas de quem chega de fora. Um deles é o Parque Penhasco Dois Irmãos, acessível pelo Leblon. Vou poupar quem lê dos detalhes sobre a subida íngreme – mas por via pavimentada – e as paisagens deslumbrantes que se sucedem nos mirantes. Pássaros coloridos, macacos e a exuberância da Mata Atlântica acompanham o visitante.

Trilha de fato, no coração do Rio de Janeiro, é a do Morro da Catacumba, cujo acesso é pela Lagoa Rodrigo de Freitas. Lá existiu a Favela da Catacumba, removida décadas atrás. Quem sobe não deixa de perceber o contraste entre o trânsito infernal da Avenida Epitácio Pessoa e a paz em meio à mata, centenas de metros acima. Ao fim da caminhada, a recompensa: um mirante de tirar o fôlego que resta, com vista ampla de Ipanema e da Zona Sul.

Por fim, a Pista Cláudio Coutinho, que margeia o Morro da Urca e o mar defronte à Praia Vermelha, em Botafogo. A proximidade do mar dá a sensação de que se está navegando, numa embarcação, sobretudo quando as ondas se agitam. A estreita faixa de areia, cercada pelas montanhas limosas, é visível no retorno da trilha, de 1,25 quilômetro. Lá, quem se dispõe, acessa também a trilha do Morro da Urca.

Além destas, há inúmeras outras opções de passeio no Rio de Janeiro, gratuitas, vivenciadas ao ar livre. Nenhuma cidade brasileira – repita-se – oferece tantos atrativos a quem se dispõe ao contato com a natureza, com a fruição ao ar livre. É claro que o turismo convencional adota outra perspectiva, movida pelo consumo. Neste, há maior impacto ambiental, diferente de caminhadas e passeios.

Pesquisa e planejamento são essenciais para se viver estas experiências inesquecíveis. Entusiasmado por sua cidade natal, o carioca Luiz Tito está certo: o Rio de Janeiro vai muito além dos clichês sobre violência e corrupção, visíveis no noticiário.

As fotos que ilustram o texto são da Pista Cláudio Coutinho, na Praia Vermelha, em Botafogo.



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