Registro uma discussão ocorrida recentemente, no plenário da
Câmara de Feira, entre os atuantes vereadores Edvaldo Lima e Sílvio Dias, com
uma única finalidade: alertar para a perda de precioso tempo e de energias, em
debates que não valem à pena. O tema em questão foi a entrega, recentemente, de
mais de 450 escrituras residenciais para moradores dos arredores da Lagoa
Grande, comunidade localizada na região do bairro Rocinha.
O trabalho, valioso para aquela comunidade, foi compartilhado
entre a Prefeitura, através da Secretaria Municipal de Habitação Popular, e a
Conder, órgão do Governo da Bahia. Compareceram ao ato público o governador
Jerônimo Rodrigues e o prefeito José Ronaldo, que se comportaram com muita
civilidade.
Mas os vereadores tentaram diminuir a participação de cada
ente, defendendo o seu aliado. "Vejo o Estado querer pongar",
iniciou Edvaldo. Ele disse que a ação "só aconteceu porque o secretário
Valdivan Nascimento (titular da pasta de Habitação do Município) trabalhou
incansavelmente".
Sílvio Dias contestou, de imediato, afirmando que a
iniciativa de fazer as inscrições dos moradores partiu da Conder (órgão
estadual) e do deputado federal Zé Neto: "Se dependesse da
Prefeitura...fez a reboque, teve participação obrigatória. Só aconteceu (a
entrega dos títulos) porque o Estado tomou à frente".
O líder da bancada governista, José Carneiro, entrou na
conversa. De certo modo, reforçou o pensamento de Edvaldo. Não criticou o
Estado, mas disse que a legalização dessas propriedades, "só acontece porque
a Prefeitura cumpre papel decisivo". Na verdade, politizou-se o tema
desnecessariamente.
Na verdade, Estado e Prefeitura cumpriram com a sua obrigação, atuaram institucionalmente muito bem e fizeram uma bela cerimônia, na entrega das escrituras para aqueles moradores. Essa discussão sobre quem fez mais, certamente, não agrada a ninguém. As autoridades responsáveis pelo bem sucedido trabalho souberam dividir os méritos com muita tranquilidade. Se os próprios gestores não disputaram protagonismo, vereadores não deveriam acirrar os ânimos.