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  • Feira de Santana, quarta, 03 de junho de 2026

André Pomponet

Uma lição sobre o Pix

André Pomponet - 03 de Junho de 2026 | 08h 56
Uma lição sobre o Pix
Foto: Divulgação

O cenário foi um mercadinho, um daqueles estabelecimentos comerciais de bairro em Feira de Santana. O cidadão chegou com um garrafão de água e estendeu uma nota de vinte reais. Apressado, o proprietário e dublê de balconista recolheu a nota, abriu a gaveta e ficou examinando as escassas cédulas disponíveis. Recolheu algumas, estendeu o troco.

“Hoje ninguém usa mais dinheiro. É um sufoco nessa hora!”, comentou.

Aproveitou para emendar a observação com o assunto do momento: as ameaças norte-americanas de retaliar instituições financeiras brasileiras, sob o pretexto de combater o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). No bojo das medidas, especulam-se restrições ao Pix.

– Todo mundo paga hoje com Pix. Ninguém usa mais dinheiro. Aí vem aquele lá [Donald Trump] querendo proibir. Um absurdo!

Observei que restrições ao Pix vão favorecer as empresas de cartão de crédito, que são norte-americanas. Pelo menos as maiores delas, as mais aceitas. O sujeito concordou com veemência, acrescentando que as bandeiras dos cartões cobram taxas. Já o Pix, é gratuito, não há taxa de intermediação.

Saí de lá com uma lição: nesse imbróglio – arranjado pelos familiares e acólitos de Jair Bolsonaro, o “mito” – quem sentirá na pele os efeitos tem muita clareza sobre o que está acontecendo. Está menos suscetível às narrativas. A medida alvejará sobretudo os empreendedores, a vasta e diversa categoria que a extrema-direita diz defender há tempos.

Depois daquela conversa saiu a notícia de que o desgoverno Trump estuda sobretaxar produtos brasileiros em 25%. E já entrarão em vigor, nesta semana, medidas contra PCC e CV, que podem servir de pretexto para sanções ao Pix. Afinal, o meio de pagamento foi utilizado em transações realizadas por organizações criminosas, ao que tudo indica.

No fundo, como já foi mencionado, pretende-se atingir o sistema financeiro brasileiro utilizando PCC e CV como pretexto. Só que os impactos são abrangentes, com potencial de alcançar boa parte da população brasileira, caso as ameaças se efetivem. Calculo que será necessário muito malabarismo para a extrema-direita explicar tanta efusão para celebrar medidas que vão contra o Brasil.

No provável conturbado segundo semestre, quando acontecerão as eleições presidenciais, a ingerência norte-americana, a depender da escala, pode produzir o caos por aqui. O que seria excelente para quem pretende chegar ao poder sem passar pelo crivo das urnas...



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