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André Pomponet

Ingênuo, Flávio Bolsonaro cai na arapuca de Trump

André Pomponet - 01 de Junho de 2026 | 08h 26
Ingênuo, Flávio Bolsonaro cai na arapuca de Trump
Foto: Reprodução/X Eduardo Bolsonaro

Flávio Bolsonaro, coitado, deu mais uma demonstração de ingenuidade. Serviu de laranja para Donald Trump anunciar que o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) serão considerados pelo governo norte-americano grupos terroristas. A medida é um pretexto para os Estados Unidos realizarem operações militares no Brasil, caso lhes seja conveniente, além de aplicar um amplo leque de sanções a empresas brasileiras e ao sistema financeiro. Intrépido patriota, o senador vai ficar decepcionado quando perceber o tiro no próprio pé.

Há tempos os acólitos de Jair Bolsonaro, o “mito”, reivindicavam a medida. Houve, inclusive, ampla comemoração quando foi anunciada. Exatamente como ocorreu quando Donald Trump decretou o “tarifaço” que penalizou as empresas brasileiras. Foi preciso muita negociação para reverter parte da taxação. Apesar da ruidosa comemoração da claque patriótica, houve prejuízos e demissões. No Brasil, diga-se.

As facções criminosas – CV e PCC – são nocivas e devem ser combatidas com o rigor da lei. Ninguém em sã consciência defende o contrário. São criminosas, mas não terroristas, é bom atentar para a distinção, especificada em lei no Brasil. Trump alega terrorismo justamente para dispor de ampla margem de manobra para intervir em assuntos brasileiros. No fundo, sua finalidade nem é combater CV e PCC, mas usá-los como pretexto.

O apoio da claque do “mito” veio bem a calhar a Trump. Isso o respalda, porque significa que muita gente no país – boa parte mentecaptos, vá lá – concorda com a interferência. Os patriotas que pelejaram pela medida, aliás, sequer estão preocupados com CV e PCC. Estiveram no poder e nunca os combateram efetivamente. Querem, no fundo, um cenário de terra arrasada que lhes permita voltar ao poder, inclusive com a força, se as urnas não os ajudarem.

Engraçado é que arreganham os dentes para o CV e o PCC, mas mantém um silêncio muito suspeito sobre uma chaga da mesma dimensão na segurança pública: as milícias que se alastram feito epidemia pelo Brasil todo. Por que será, hein? O que é que explica as milícias fora do discurso do combate ao crime organizado? O silêncio ressoa com ensurdecedora eloquência.

Talvez o ingênuo Flávio Bolsonaro e os acólitos do “mito” não saibam, mas a decretação do PCC e do CV como grupos terroristas produz efeitos amplos, que vão muito além das eventuais chacinas nas favelas. Caso tenham juízo, ouvirão especialistas, porque os impactos alcançam inclusive a economia. Mas imagino que, na lá na frente, atribuirão tudo ao petê, esquecendo as celebrações esfuziantes que fizeram...



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