Tribuna Feirense

  • Facebook
  • Twiiter
  • (75) 9707-1234
  • Feira de Santana, quarta, 03 de junho de 2026

Valdomiro Silva

O caso 'Flávio-Daniel' e a pluralidade opinativa da Tribuna Feirense

Valdomiro Silva - 24 de Maio de 2026 | 15h 54
O caso 'Flávio-Daniel' e a pluralidade opinativa da Tribuna Feirense
Fotomontagem: Andressa Anholete/Agência Senado (Arquivo); e Reprodução/TV Lide (Arquivo)

"Flávio é ingênuo demais para ser presidente", escreveu ontem, com poderosa dose de ironia, em sua coluna neste portal, o excelente jornalista e economista André Pomponet – não estranhe o sobrenome. É assim mesmo, e não, "Pamponet", de origem francesa, mais comum no Brasil. Hoje, muito provavelmente em contraponto, o igualmente experiente e grande articulista e jornalista Batista Cruz, registrou, aqui: "Brasília é a terra dos ingênuos porque todos recebem dinheiro e são gravados".

André é um prestigiado colunista permanente deste site, escreve, três vezes por semana, sobre os mais variados temas. Gosta muito dos dados estatísticos, extraídos das pesquisas e tem feito um bom retrato social "da Feira de Santana". Trata também, e com a mesma eficiência, das questões políticas latentes, como esta mais recente, envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, preso por aplicar golpe bilionário no país.

O colunista disse com outras palavras que Flávio Bolsonaro está desclassificado, ou desqualificado, como queiram, para ser presidente do Brasil, depois do escândalo em que se envolveu. Ele, realmente, decidiu ir comer farelos no mesmo prato de Daniel Vorcaro, sob o singelo pretexto de que nada mais se tratou de "um filho que buscava patrocínio para o filme do pai".

Batista também é da casa, um dos fundadores do jornal Tribuna Feirense, 26 anos atrás. O irmão do saudoso jornalista e professor Anchieta Nery não escreve ainda com a regularidade que desejamos, neste veículo onde ele não é, obviamente, visto como um convidado, por toda sua história entre nós. Promete, e vamos cobrar, aparecer mais vezes, com a sua caneta inteligente e afiada.

Ele diz, em seu artigo, que a esquerda também estaria fazendo parte deste "banquete de Thyestes" e relembra escândalos outros, como o do INSS, descontos indevidos dos aposentados, Petrolão e Mensalão, nos quais as digitais da esquerda, incluindo do presidente Lula, estariam indelevelmente registradas.

De algum modo, ele deseja minimizar as responsabilidades de Flávio neste imbróglio, uma missão absolutamente inglória. Acerta, porém, no cerne: de fato, o senador não é o único "ingênuo demais" para ser presidente, em Brasília, um lugar cheio de gente direita, de esquerda e de centro a fazer inveja a Keyzer Söse.

A Tribuna tem história de valorização da pluralidade opinativa e assim deveria ser exercido o jornalismo em todo lugar. Parece ser a maneira mais ética e justa de oferecer ao leitor a diversidade de ideias e de análises, para ajudá-lo a melhor formar o seu entendimento sobre os fatos, partindo do pressuposto de que todos temos o direito de interpretar e de divergir. Ninguém é senhor da verdade.

O "efeito Master", guardadas as devidas proporções, o caso "Lehman Brothers" brasileiro, parece mesmo ter  seus tentáculos por toda parte. Por enquanto, não há sossego, na direita, esquerda ou centro da política brasileira, nem em qualquer dos poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário. Evidentemente, alguns estão sendo atingidos com maior força e o senador Flávio Bolsonaro é quem mais corre perigo, neste momento.

As gravações que foram reveladas, expondo conversas nada insuspeitas entre o filho do ex-presidente e o banqueiro, são mesmo uma bomba de alto teor explosivo, em torno da captação de receita para bancar ou patrocinar o tal filme bibliográfico de Bolsonaro pai. Está tudo muito confuso, pro lado do senador.

Começou errado ao pedir, ou aceitar, oferta do sujeito, possivelmente ignorando – ou deixando de obter – as necessárias referências no mercado. Depois foi pilhado em outro "ato falho", negando, quando um jornalista lhe perguntou, que houvesse recebido dinheiro do Master.

Patrocínio secreto, sigiloso, para filme, principalmente para biografar uma personalidade política, é algo simplesmente terrível. Orçar os custos em um valor duas vezes maior que o comum, no mercado cinematográfico nacional, é mais uma pérola. A empresa responsável pela produção afirmar que não recebeu um centavo sequer dos primeiros R$ 60 milhões liberados... minha nossa,  que péssimo! A grana estar sendo administrada por um fundo no Texas, Estados Unidos, "controlado por aliados de Bolsonaro", outra piada de mau gosto.

E, para alimentar ainda mais as chamas deste incêndio, pro seu lado, o senador visitou o Daniel Vorcaro depois de preso, sob liberdade condicional e com tornozeleira eletrônica. Ora, alguém nestas condições a gente visita quando se trata de familiar, ou olhe lá, amigo de longas datas. Fora disso, é submeter-se a riscos de imagem que filme algum pode justificar.

O envolvimento mais ruidoso com o banqueiro, até aqui, é "privilégio" de Flávio e de seu colega senador, e aliado, Ciro Nogueira (PP-PI), o "destinatário central" de vantagens indevidas. Estes dois tentam escapar das magmas do Vesúvio brasileiro, mas "não está sendo fácil", como na canção romântica escrita por Roberto Carlos e lindamente interpretada por Kátia, em meados da década de 80.

Isto não significa que a esquerda esteja completamente à margem da encrenca, seja em Brasília ou na Bahia. O caso parece longe de terminar e uma delação premiada, que se cogita, pode acrescentar ingredientes inesperados, contra e a favor de figurões. Neste estado, aliás, há três personagens muito conhecidos e frequentemente mencionados no noticiário sob ligações suspeitas, diretamente ou não, com Vorcaro.

Na esquerda, o ex-governador e atual ministro de Lula, Rui Costa; e o ex-governador, atual senador e líder do governo petista na Casa, Jaques Wagner. Na direita baiana, o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto. Quem está acompanhando o caso, sabe do que estou falando e, para não alongar o texto, não vou entrar em detalhes.

A direita vem sendo alvejada, competentemente, pelo Intercept Brasil, um órgão de comunicação progressista, de linha editorial aparentemente contrária a pautas conservadoras. Foi este veículo que descobriu as ligações perigosas de Flávio com o Master. Nenhuma queixa contra o veículo, é bom que se diga.

"Não quer que seja divulgado, não deixe que o fato aconteça", aconselhou, por décadas, Edval Souza, lendário radialista de grande sucesso em Feira de Santana. Bom seria, para o melhor esclarecimento do eleitor, que a esquerda também fosse "premiada" com o pente fino e o poder investigativo de um Intercept Brasil politicamente às avessas.



Valdomiro Silva LEIA TAMBÉM

Charge da Semana

Charge do Borega

As mais lidas hoje