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Valdomiro Silva

Audiência pública antes de licitação para gestão do Matadouro, uma ótima ideia

VALDOMIRO SILVA - 18 de Maio de 2026 | 18h 03
Audiência pública antes de licitação para gestão do Matadouro, uma ótima ideia
Foto: Danielly Cerqueira Secom PMFS
Historicamente, a Câmara de Feira de Santana, em cada legislatura, tem alguns vereadores mais preocupados com o meio ambiente. Antônio Carlos Coelho iniciou trajetória na vereança no início dos anos 70 e se tornou primeiro Diretor Municipal de Meio Ambiente, órgão criado pelo prefeito Colbert Martins da Silva. Hoje, uma importante secretaria, da qual o ex-vereador também foi titular. Outro nome marcante nesta luta, Messias Gonzaga, grande defensor da causa. Após encerrar seus vários mandatos na Câmara, dirigiu o Inema, órgão estadual do meio ambiente.  A relação de nomes é grande. Fiquemos apenas nestes dois, como bons exemplos, entre tantos que poderia aqui citar.

Na composição atual, certamente o vereador Jurandy Carvalho é um dos mais dedicados ao assunto. Muitos dos seus discursos é voltado ao meio ambiente, em especial, dedicados aos problemas de poluição dos nossos rios e riachos. Faz denúncias, frequentemente, para alertar os órgãos ambientais quanto aos riscos de contaminação da bacia de Pedra do Cavalo, responsável pelo abastecimento de milhões de baianos, feirenses, principalmente.  Ele, inclusive, já fez ações de limpeza no Rio Jacuípe, de onde ajudou a retirar toneladas de lixo e dejetos sanitários. Merece aplausos, por sua preocupação.

Recentemente, Jurandy fez mais uma séria advertência, ou melhor, reiterou ocorrência por ele registrada várias vezes: dejetos gerados no matadouro público, de gestão privada mediante concessão, no Campo do Gado, estariam sendo despejados no Riacho das Panelas, que corre aos fundos do equipamento. O afluente deságua no Rio Jacuípe, o que por si, revela sua importância.

Sem desejar "desqualificar" a denúncia, Pedro Américo (Cidadania) cobrou de Jurandy "provas técnicas", por se tratar de "algo sério e que precisa ser investigado”, disse. Ele advertiu a administração municipal de  que a futura concessão deve seguir normas sanitárias e ambientais "mais rígidas, incluindo regras atualizadas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), relacionadas ao descarte correto de resíduos e à preservação ambiental".

A Câmara aprovou dias atrás projeto do Poder Executivo pedindo autorização legislativa para que o Município continue a conceder, para a iniciativa privada, a gestão do Matadouro - grande obra realizada pelo prefeito José Falcão - como vem acontecendo nos últimos mais de 20 anos. Este é o momento adequado para que as nossas autoridades endureçam as regras, visando impedir que estes problemas continuem a se registrar, muitas vezes sem que a Prefeitura possa adotar medidas punitivas severas contra eventuais negligências.

AUDIÊNCIA PÚBLICA

O mau cheiro, insuportável em determinados horários, é um outro problema atribuído ao Matadouro Municipal e suas indústrias de reciclagem animal acopladas, com o trabalho de processamento de resíduos e subprodutos (restos de origem bovina, como sangue, vísceras e ossos). Em buscas na internet, verificamos as muitas reclamações de moradores de bairros próximos, como Gabriela, Sobradinho, Jardim Cruzeiro, Pedra do Descanso.

Uma proposição objetiva partiu do vereador Professor Ivamberg (PT): a realização de uma audiência pública para discutir o funcionamento do Matadouro e contribuir com a construção do edital de licitação da concessão. O petista deve materializar a sua intenção e dar entrada, imediatamente, de um requerimento neste sentido.

Gean Caverna (Podemos) propôs a participação, neste debate, de moradores da região no entorno do Matadouro e defendeu uma  visita ao Complexo, por comissão de parlamentares, para ver de perto os problemas. É válida esta iniciativa, desde que, vereador, técnicos do meio ambiente acompanhem a comitiva, para uma análise competente das observações. O vereador Lulinha acrescentou que comerciantes do entorno também sejam convidados para a audiência pública.

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente possui limitações orçamentárias para ampliar as ações de fiscalização e acompanhamento, assinalou Ismael Bastos. Segundo ele, a questão ambiental envolvendo o Campo do Gado "é antiga e demanda investimentos maiores". Sim, vereador, provavelmente requer mais recursos, mas este não é o xis da questão, esteja certo disso. A principal ausência, salvo engano, é mesmo de iniciativa e prioridade da parte de quem deve agir.



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