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Valdomiro Silva

Diálogo e pesquisa: líderes políticos de Feira deveriam enxugar número de candidatos à Assembleia

VALDOMIRO SILVA - 29 de Abril de 2026 | 18h 07
Diálogo e pesquisa: líderes políticos de Feira deveriam enxugar número de candidatos à Assembleia
Fotos: Divulgação

Relembramos ontem, nesta coluna, peculiaridades de eleições para deputado estadual e federal realizadas há mais de três décadas em Feira de Santana. Contando com a ajuda da excelente memória do jornalista Jair Onofre, um especialista em política local e estadual, resgatamos pleitos eleitorais em uma época que até poderia haver vários candidatos, mas prefeito e governador deixavam muito bem claro quais seriam aqueles que teriam o seu apoio. Estes, entravam na disputa com reais possibilidades.

Acontecia uma peleja de dois ou no máximo três vereadores em busca do apoio do prefeito, para tentar chegar à Assembleia Legislativa. Geralmente apenas um era escolhido e os demais se afastavam do processo, aguardando, quem sabe, que aquele privilegiado fracassasse. Assim, em uma próxima eleição, a outro seria dada a oportunidade.

Os que, avisados fossem, mas ainda assim insistissem, eram fatalmente rejeitados nas urnas e, ainda por cima, arranjavam um problemão com as principais lideranças, perdendo prestígio e cargos.  Os "caciques" não reconheciam os que se insurgiam, resistência por entenderem que atrapalhariam a votação dos nomes mais cotados, os "oficiais".

Desde o início dos anos 2000, mais ou menos, este cenário sofre uma transformação radical no município. Políticos com ou sem mandato, de grande ou menor expressão, se lançam candidatos a deputado, estadual e federal, sem se importar com a reação dos influentes chefes das duas instâncias do Poder Executivo. Em Feira de Santana, este quadro é bastante forte.

Em outubro próximo, somente na Câmara Municipal, no grupo do prefeito Zé Ronaldo, são quatro vereadores candidatos a deputado estadual. Lulinha vai tentar pela terceira ou quarta vez. Jurandy Carvalho fará sua estreia neste tipo de disputa. Na Casa da Cidadania, ele já disse reiteradas vezes que não deseja ser mais vereador. Mas a Assembleia Legislativo, pelo visto lhe atrai.

Pedro Américo, que perdeu o significativo apoio do vice-prefeito Pablo Roberto, igualmente, vai buscar pela primeira vez um mandato de deputado estadual. Rom do Povo é a mais recente pré-candidatura lançada. Há ainda os que não tem mandato, como Tom e o ex-prefeito Colbert Filho. Ambos já passaram pela Assembleia e, agora, pretendem retornar.

Também o deputado José de Arimatéia, em luta pela reeleição. O radialista e pastor é do grupo, embora seu nicho principal de eleitores não esteja diretamente sob influência de Ronaldo, mas da Igreja Universal. A tendência é que dois, apenas, se elejam, sendo uma dessas vagas praticamente assegurada por Arimatéia.

A dificuldade de eleição é semelhante entre os pré-candidatos a deputado federal. No grupo governist, salabe-se, havendo mais de um nome, a tendência é não eleger ninguém. Esta é uma das razões, talvez a principal, para Ronaldo não conseguir ter representante em Brasília desde Fernando de Fabinho, em 1998. Até semanas atrás, duas pré-candidaturas para a Câmara estavam postas, na base governista: Zé Chico e Pablo.

Curiosamente, Pablo, que desde sua eleição para vice-prefeito, em 2024, alimentava o sonho de alcançar a Câmara dos Deputados, desistiu subitamente. Caminho aberto para o empresário e ex-presidente do Fluminense de Feira, que deverá enfrentar dentro do mesmo grupo um nome menos contundente. O radialista e ex-deputado estadual Carlos Geilson não tem o mesmo poder de fogo junto ao eleitorado local, nem a mesma influência com Ronaldo.

Na oposição ao grupo ronaldista, o deputado federal Zé Neto não tem dor de cabeça em sua reeleição. É "candidato solo" da esquerda, em Feira de Santana. No entanto, para a Assembleia Legislativa, a briga é boa entre seus aliados. Robinson Almeida, que busca a reeleição, não estará sozinho na disputa. Além de ter que enfrentar os vereadores Sílvio Dias e Luiz da Feira, ganhou recentemente outro concorrente peso-pesado, o deputado Ângelo Almeida, ex-PSB e agora filiado ao PT. Dos quatro, eleição garantida, apenas um deles. No máximo dois.

Para a Câmara dos Deputados, como aqui descrito, o quadro está unificado no PT. No time ronaldista, quase pacificado. Mas a guerra por uma vaga na Assembleia Legislativa está bem confusa e complicada. Na direita, todos sonham em ser o predileto de Ronaldo. Na esquerda, a esperança é garantir o apoio de Zé Neto. Não dá pra acolher todo mundo, ao menos com chance de vitória. Os líderes devem abrir o diálogo, sufocar vaidades e chegar a um consenso, com os próprios candidatos, visando uma definição, fundamentada em pesquisas, sobre quem realmente tem viabilidade. 

Se não houver bom senso, a cidade, mais uma vez, se decepcionará, como tem sido nas últimas eleições. Risco muito grande de eleger somente um de cada grupo, o que seria irrisório para a importância de Feira de Santana no Estado. O mais provável, nesse cenário, é que direita e esquerda, com seus candidatos, "morram abraçados" nas urnas.



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