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Valdomiro Silva

Disparidades da emenda pix: Feira recebeu 4,7% do que coube a Jandaira e 4,4% de Tucano, em 2025

VALDOMIRO SILVA - 27 de Abril de 2026 | 18h 11
Disparidades da emenda pix: Feira recebeu 4,7% do que coube a Jandaira e 4,4% de Tucano, em 2025
Foto: Prefeitura de Tucano


A bancada baiana de deputados federais e também dos três senadores  gostou muito, pelo visto, deste novo recurso orçamentário, criado em 2019 pela deputada paranaense petista Gleisi Hoffmann, chamada emenda pix. Tanto assim que este foi o estado recordista, nesta "corrida ao ouro", em 2025, com R$ 121 milhões, à frente do Amapá (R$ 89 milhões), de São Paulo (R$ 40 milhões) e de Mato Grosso do Sul (R$ 33 milhões). 

Fazendo uma releitura dos números do ano passado, verificamos que pequenas cidades da Bahia conseguiram um feito de curiosidade extraordinária: receber mais dinheiro, em emenda pix, do que a capital Salvador e todos os grandes municípios do Estado. 

É o caso de Jandaíra, no litoral norte da Bahia, sede de Mangue Seco, praia que se tornou nacionalmente famosa após receber filmagens da novela "Tieta", nos anos 1980. Com 9,2 mil habitantes, conseguiu a façanha de ser a cidade baiana com maior volume de recursos recebidos no ano passado, R$ 11,4 milhões. 

Em seguida, Tucano, com 48,7 mil habitantes, encravada no sertão, onde está localizado o Jorro - um dos mais importantes destinos turísticos do Estado - recebeu indicações no total de R$ 10,62 milhões. É uma espécie de empate técnico com Itaguaçu da Bahia, na região de Irecê, de apenas 12,3 mil habitantes: R$ 10,20 milhões. 

Das grandes cidades, Porto Seguro ficou com a maior fatia, R$ 4,46 milhões. O rânking que aparece na imprensa, por ordem decrescente, apresenta  Ilhéus (R$ 2,94 milhões), Juazeiro (R$ 2,57 milhões), Itabuna (R$ 1,58 milhões), Salvador, (R$ 1,39 milhões) e Lauro de Freitas, (R$ 1,29 milhões).  

Feira de Santana, segunda maior cidade do Estado, sequer aparece na relação das que tiveram direito a "mais de milhão". Ficou na casa dos R$ 500 mil, o que representa 4,4% do que recebeu Jandaíra. Enquanto isso, Vitória da Conquista, Camaçari e Barreiras "não registraram recebimento desse tipo de transferência no período analisado", informa o "Bahia Notícias".

Em 2024, a Bahia voltou a ser destaque nacional e uma cidade bem próxima daqui, Coração de Maria, 26,6 mil habitantes, alcançou patamar de fazer inveja a qualquer grande capital: R$ 20,3 milhões em emendas pix. O deputado Neto Carletto, que obteve ali 6,5 mil votos, deve ter sido tomado por um amor avassalador pelo pequeno município. 

Mandou pra lá R$ 8,63 milhões, mais até mesmo que o senador Ângelo Coronel, que é da terra, igualmente generoso, com destinação de R$ 7,13 milhões, e também do que o filho deste, o deputado federal Diego Coronel, R$ 1 milhão. Outros parlamentares por demais atenciosos com a pequena e acolhedora cidade, João Carlos Bacelar destinou R$ 2 milhões e Cláudio Cajado, R$ 1,5 milhão. Até mesmo Jorge Solla, natural do Sudoeste do Estado, colaborou com R$ 500 mil.  

Caso essa proporção fosse regra, Feira de Santana deveria receber um grande volume de recursos via emendas pix, com tantos deputados federais bem votados nesta cidade, como o reeleito Zé Neto, que aqui conquistou expressivos 62,9 mil votos em 2022.

As também denominadas "transferências especiais" devem sofrer uma reformulação em seus mecanismos de transparência e controle sobre o uso dos recursos, mas somente a partir do ano que vem. Todas as contratações realizadas com esses valores serão registradas no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP). 

Com as exigências de rastreabilidade previstas, vai passar a ser cobrado apresentação de um plano de trabalho antes da liberação dos recursos, documento a ser registrado na plataforma Transferegov.br, devendo especificar o objeto da despesa e o valor. É inacreditável que o Congresso tenha aprovado esse tipo de operação com dinheiro público sem mínimas normas de acompanhamento e fiscalização.

Mas a pergunta que realmente "não quer calar" é: por qual razão certos municípios baianos, e brasileiros, foram cotejados de forma tão especial, enquanto tantos outros, como Feira de Santana, são esquecidos? Não é por falta de voto, aqui, com certeza. O que seria, então? 




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