Caruaru, no agreste de Pernambuco, uma das mais prósperas cidades do interior do Nordeste, com o seu importante polo comercial e industrial de confecções, fica a 125 quilômetros de Recife, onde se encontra provavelmente o maior aeroporto do Nordeste. Estive por lá, há um ano, e vi, presencialmente, a grandeza daquele município de 405 mil habitantes. Realmente, impressiona o potencial econômico local. A governadora Raquel Lira tomou uma decisão que vai impactar positivamente a vida dos empreendedores e da sociedade, em geral, de Caruaru e sua região.
Vai ampliar o aeroporto Oscar Laranjeira, daquela cidade, em um investimento de R$ 98 milhões com recursos próprios. Isto mesmo, verba do Estado. O objetivo maior do investimento é aumentar a pista de pouso e decolagem, que atualmente conta com 1.800 metros e vai para 2.250 metros. As obras foram iniciadas em 27 de março, começando pela implantação do canteiro, levantamento topográfico e limpeza da vegetação em uma área de 300 mil metros quadrados.
Será feita a requalificação das pistas de táxi, instalação de equipamentos de auxílio à navegação aérea e implantação de sistema de drenagem, adequação da faixa de pista e da área de segurança de fim de pista. O projeto integra o novo PAC do Governo Federal e o investimento final deverá alcançar R$ 150 milhões, resultando na modernização completa do terminal de passageiros e pátio de aeronaves. A previsão de entrega é de 14 meses, primeiro semestre de 2027.
- Caruaru é um país, tem quer respeitar - diz a governadora, em sua rede social, no dia em que assinou a ordem de serviço. Ela disse ser "uma alegria realizar o sonho do povo do agreste pernambucano", com a ampliação do aeroporto, que será "de ponta". A expansão da pista e as outras obras de infraestrutura, segundo ela, vai dar ao equipamento um caráter regional.
É a "garantia de conectar Pernambuco com todo o país e o mundo", afirmou Raquel Lira, proporcionando "mais oportunidades de alavancar novos negócios, permitir crescimento sustentável". Ao exaltar o setor de confecções, carro-chefe da economia em Caruaru, ela lembrou de outros segmentos não menos fundamentais para o desenvolvimento regional: "temos aqui outros vários polos, a assistência médica e a diversidade da prestação de serviços".
A governadora considera que, se "queremos atrair novos negócios, um novo aeroporto é extremamente relevante". Não perdeu, obviamente, a oportunidade de provocar seus antecessores e adversários. "Por muito tempo o que recebemos foi promessa, não havia sequer projeto. Fizemos (o projeto), captamos os recursos, exclusivamente do Governo do Estado de Pernambuco e vamos fazer", declarou, com uma bandeira de Caruaru estendida por suas mãos.
Enquanto isso, em março de 2024, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, visitou Caruaru e anunciou investimento de R$ 140 milhões no aeroporto local. Ele disse que o objetivo será a ampliação da oferta de voos diretos para o Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. A previsão é de que as obras sejam finalizadas em 2026.
O projeto contempla novo estacionamento, meio-fio e via de acesso, boulevard comercial, saguão público de desembarque, área de check-in, salão de embarque e sala de desembarque, praça de alimentação com vista para o pátio. O ministro justificou que Caruaru é "cidade polo do interior de Pernambuco" e disse que as obras vão beneficiar 50 cidades.
Em Feira de Santana, o Governo Federal fecha os olhos para o Aeroporto João Durval, embora sejamos, também, importantíssima cidade polo não de cinco dezenas de municípios, mas mais de 100. O máximo que conseguimos, por meio do novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), anunciado no ano passado, foi a liberação de um pequeno montante de recursos para "estudos e projetos básicos" no equipamento. Não se tem notícia a quantas está andando esse trabalho.
E o Governo da Bahia? Bem, o Estado toca, aqui, uma obra de R$ 10,2 milhões - 10 vezes menos recursos que o investido pela governadora de Pernambuco em Caruaru. A ação se arrasta desde agosto de 2024. Em julho do ano passado, havia uma previsão de término em seis meses. Já se passa quase um ano e nada de conclusão.
É inevitável comparar. Além da diferença absurda nos valores, a pista do aeroporto feirense, de 1.500 metros, vai ganhar 300 metros mais, apenas. A dimensão futura da pista, 1.800 metros, é a atual do aeroporto de Caruaru, que será ampliada para 2.250 metros. Há diferença significativa. E isto não acontece porque Feira de Santana seja menos estratégica, na Bahia, do que é Caruaru para Pernambuco.
Com uma população estimada em 660 mil habitantes, conforme o IBGE, portanto, bem superior a de Caruaru, Feira também é um centro regional de grande relevância, com forte influência nos segmentos de saúde, educação, indústria, comércio e serviços. A distância para Salvador é praticamente a mesma da cidade pernambucana para Recife.
O governador Jerônimo Rodrigues, que em campanha prometera uma grande transformação do Aeroporto João Durval, pelo visto, não concretizará o compromisso. Feira de Santana merece, sim, como acontece com Caruaru ou Campina Grande na Paraíba, estar conectada, por transporte aéreo, com os principais destinos brasileiros. A população regional, de mais de 2 milhões, exige, há muito tempo, um equipamento ao menos de médio porte. Demanda tem, e muita.