A campanha eleitoral que se avizinha, para a Presidência da República, promete ser das mais acirradas dos últimos tempos. Pelo menos nesta fase, de pré-candidaturas, a disputa está polarizada. Não se pode, é claro, afirmar que assim vai permanecer até outubro. Afinal, como dizia o prefeito José Falcão, eleição é como nuvem, que muda de posição repentinamente. Seria mesmo uma surpresa, que uma das terceiras vias apresentadas até aqui seja capaz de entrar no jogo com poder de fogo capaz de modificar o cenário. Parece mais provável que influenciem um segundo turno.
O atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, busca o seu quarto mandato. Na redemocratização, ele já é um fenômeno, com três eleições conquistadas, além de eleger e reeleger a sua pupila, Dilma Rousseff. Tudo junto, foram quatro vitórias consecutivas, convenhamos, um recorde difícil de ser quebrado. Nas últimas seis eleições, Lula venceu cinco.
A sequência foi interrompida com a eleição de Jair Bolsonaro, em 2018, o que, tudo indica, apenas ocorreu porque Lula estava na prisão. Solto, voltou à disputa em 2022 e conquistou o terceiro mandato, a quinta vitória, no total. Bolsonaro deu adeus sem direito a segundo mandato e, de quebra, foi pra cadeia por sua movimentação em torno de um projeto de golpe militar que não se consumou.
Até bem pouco tempo, no segundo semestre de 2025, o petista demonstrava musculatura e uma reeleição aparentemente encaminhada, diante de alguns fatos que lhe eram bastante favoráveis: Bolsonaro preso, a direita dividida e confusa, economia bem, desemprego em baixa, Eduardo Bolsonaro fazendo lobby nos Estados Unidos por penalidades contra o Brasil, Donald Trump dialogando com Lula.
O nado de braçadas dos governistas, no entanto, encontrou recentes obstáculos e já não há aquele absoluto favoritismo. Vieram os escândalos do INSS e do Banco Master, a crise no Supremo Tribunal Federal, a guerra entre Estados Unidos-Israel x Irã com forte alta dos combustíveis, causando forte tensão na economia. Os menos atentos podem imaginar que estes processos não dizem respeito, diretamente, ao governo Lula. Ledo engano.
Tudo isto impacta, sim, a opinião pública, contra a gestão federal, como revelam estudos políticos. Além de todos estes fatos, há um outro componente importante, a pré-oportuna candidatura do senador Flávio Bolsonaro, que está sendo muito bem recebida pelo eleitorado de direita, reforçada com as pré-candidaturas dos ex-governadores de Goiás, Ronaldo Caiado, pelo PSD, e de Minas, Romeu Zema, pelo Podemos.
Assim, "Lula 4" se encontra vivendo um momento eleitoralmente desconfortável, com Flávio bem nas pesquisas, chegando inclusive a superá-lo, em alguns cenários. Evidente, é um quadro absolutamente aberto. Diferentemente de seis meses atrás, não é possível cravar Lula como favorito. Flávio, por sua vez, tem muito que combater, especialmente para melhorar a sua performance no Nordeste, se deseja realmente ganhar o poder.