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Valdomiro Silva

Pré-candidato a estadual, vereador Sílvio Dias deve ficar atento a 'síndrome de Marialvo', no PT feirense

VALDOMIRO SILVA - 17 de Abril de 2026 | 15h 32
Pré-candidato a estadual, vereador Sílvio Dias deve ficar atento a 'síndrome de Marialvo', no PT feirense
Foto: Ascom/Câmara Municipal

Não sabemos (o que pensa) o deputado Robinson (Almeida). Mas, diferentemente do que podemos imaginar, para o vereador Sílvio Dias, do PT feirense, outro forte pré-candidato regional à Assembleia Legislativa em outubro, soa bem, a chegada do deputado estadual Ângelo Almeida ao partido, para concorrer à reeleição. "Ajuda, no contexto", ele respondeu-me, ao questioná-lo se, ao deixar o PSB para ser acolhido no Partido dos Trabalhadores, o ex-secretário estadual de Desenvolvimento Econômico não lhe seria um obstáculo.

O que pensamos nós mortais sobre isto,  grosso modo, certamente, é que, se já seria difícil para o vereador, disputar votos em Feira de Santana com Robinson, um político de Salvador, aqui sob o poderoso guarda-chuva do deputado federal Zé Neto - arrancou mais de 15 mil, na eleição passada - fica ainda mais complicado havendo mais uma concorrência interna pelo eleitorado.

E o que faz Sílvio Dias ter um entendimento diferente? Ele diz que a federação PT, PV e PC do B elegeu 11 deputados estaduais, na última eleição. Agora, são quatro pré-candidatos de mandato. "Ângelo, Fabíola, mais dois do Podemos, que entraram. Agregam no mínimo 200 mil votos". Enquanto isso, assinala, abriram-se duas vagas. A deputada estadual Olívia Santana, do PC do B, será candidata a federal e o também estadual Vitor Bonfim fez o caminho inverso de Ângelo, deixando o PSB para filiar-se no PT, visando, igualmente, uma candidatura a federal. "Perspectiva é ampliar o total de eleitos, para 15 ou 16", calcula. 

Parece confuso, pra gente e, certamente, para o leitor. Mas o vereador conhece da aritimética eleitoral e sabe o que está dizendo. E é ele quem tem que acreditar, ora bolas. Se suas contas se confirmarem nas urnas e a federação sair de 11 para 15 deputados, são quatro vagas a mais, o que lhe faz entender que estará bastante vivo neste jogo.

Elegante, como é de seu perfil, o vereador avalia que o novo companheiro de PT e de chapa fez "caminhada boa" nesses últimos quatro anos. "Ângelo obteve 8 mil votos (em Feira, na eleição anterior). A tendência é de que cresça". No entanto, deixando um pouco de lado a modéstia, considera que, no plano local, ele, Sílvio, tem um "trabalho mais consolidado, em termos do dia a dia da cidade, talvez sejamos uma referência maior", o que lhe faz pensar ser possível superar o ex-secretário, no grande colégio eleitoral que é este município. 

Feira é o seu ponto de partida, mas Sílvio sabe que precisa do voto em outras cidades, para ter chances de eleger-se. Mesmo não tendo feito como seu colega Juracy Carvalho, que deixou o mandato com o suplente por quatro meses, para colocar o pé na estrada, Sílvio Dias diz estar percorrendo várias cidades, buscando firmar sua pré-candidatura e obter apoios. Assim, tem feito o seu périplo desde as próximas Santo Estevão, Santa Bárbara, Antonio Cardoso, entre outras, até Euclides da Cunha, no alto Sertão, e Jacobina, na Chapada. "A expectativa é boa de votação fora também. Meu voto será pulverizado", aposta.

Zé Neto poderia, sozinho, eleger Sílvio Dias. Mas, como todos sabem, o deputado federal prioriza a candidatura de Robinson, em Feira. O vereador, evidentemente, não deve achar isto uma maravilha. Cauteloso, porém, ele anuncia sua crença em algum apoio local do correligionário e amigo. Fará dobradinha com "alguns candidatos a federal" mas, aqui, orientará seus eleitores a votar neste companheiro: "Naturalmente, casamos voto. Temos relação de proximidade. Trabalharemos juntos", diz, otimista.

Seu colega de partido e de bancada na Câmara, o vereador Professor Ivamberg também poderia ser um importante apoio à candidatura de Sílvio a deputado estadual, mas este é mais um auxílio que também deve ficar com o soteropolitano. Sem entrar em detalhes, Sílvio diz compreender as razões.

Vereador de segundo mandato - 3.900 votos na primeira eleição e, com destacado crescimento, 5.400 sufrágios em 2024 - Sílvio, indiscutivelmente, é um quadro de alto nível do PT feirense e baiano. O advogado e policial rodoviário federal aposentado tem sido um vereador coerente, combativo e de boas ideias. Por causa de manobras necessárias da legenda, na eleição passada, para prefeito, ele perdeu o comando do único órgão estadual na cidade, a Ciretran. 

O que fará o PT, para ajudar a alavancar sua candidatura por uma maior representação na política? por enquanto, uma incógnita. Sílvio deve estar bem atento. No passado recente, tentou fazer este mesmo roteiro o vereador petista, de cinco estrelas, Marialvo Barreto. O professor e fundador do partido na cidade tentou alçar voo à Assembleia, mas nem mesmo a vereança lhe restou, ao final. E ele reclama, até hoje, da falta de solidariedade de companheiros estratégicos.



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