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  • Feira de Santana, quinta, 16 de abril de 2026

Justiça

Polícia Federal aponta que ex-presidente do BRB acertou propina de R$ 146 mi com Vorcaro

16 de Abril de 2026 | 15h 48
Polícia Federal aponta que ex-presidente do BRB acertou propina de R$ 146 mi com Vorcaro
Foto: Lúcio Bernardo Jr/Agência Brasília

Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), teria combinado o recebimento de uma propina estimada em R$ 146,5 milhões. A negociata teria sido feita com o proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, que se encontra preso, sob acusação de fraudes no sistema financeiro.

A informação consta da decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a prisão de Costa. O mandato foi cumprido nesta quinta-feira (16), pela Polícia Federal (PF), durante a deflagração da quarta fase da Operação Compliance.

O montante seria recebido por meio de quatro imóveis de alto padrão na cidade de São Paulo e mais dois em Brasília, capital federal. A corporação afirma ter rastreado, até o momento, o pagamento de, pelo menos, R$ 74 milhões.

Ainda conforme a PF, o restante da propina só não foi pago devido ao fato de Vorcaro ter descoberto a abertura do inquérito policial acerca dos pagamentos feitos a Paulo Henrique Costa. Os investigadores apontam que o banqueiro travou os repasses depois de informado sobre o procedimento sigiloso.

Segundo a PF, no dia 24 de junho de 2025, Daniel Vorcaro recebeu, de Felipe Mourão, funcionário dele, uma cópia da investigação, por meio do aplicativo WhatsApp. A data é posterior à interrupção dos pagamentos, feita em maio.

No entanto, o ministro André Mendonça deu crédito à versão da PF, afirmando que “o conjunto de elementos informativos colhidos até o momento aponta a alta probabilidade de que ele tenha tido ciência da instauração do procedimento antes do recebimento das respectivas cópias”.

Além de Paulo Henrique Costa, o advogado Daniel Monteiro também foi preso, hoje. Ele é acusado de ser testa de ferro do ex-presidente do BRB. A PF também descobriu que o mesmo teria recebido, pessoalmente, R$ 86,1 milhões, em proveito ilegal.

A prisão preventiva dos dois foi decretada com base na “permanência dos atos de ocultação patrimonial, o risco de interferência na instrução, a possibilidade de rearticulação da engrenagem financeira e jurídica do esquema, além da necessidade de assegurar a ordem pública, a ordem econômica e a efetividade da persecução penal”, conforme escreveu Mendonça. 

De acordo com o inquérito aberto pela Polícia Federal, a contrapartida para a propina estabelecia que Costa usasse os recursos do BRB (instituição controlada pelo Governo do Distrito Federal) para comprar carteiras de crédito falsas do Banco Master.

Até o momento, sabe-se que, ao menos, R$ 12,2 bilhões em carteiras ruins foram comprados. O número exato, contudo, ainda não foi apresentado pelo Banco de Brasília, podendo ser ainda maior, conforme a PF.

Desde que foi deflagrada, a Compliance Zero investiga a existência de uma engrenagem ilícita concebida para viabilizar a fabricação, a venda e a cessão de carteiras de crédito fictícias do Banco Master ao BRB.

O que diz a Defesa – Em frente à casa em que Paulo Henrique Costa foi preso, o advogado Cleber Lopes disse que a defesa “não considera essa hipótese como válida”, referindo-se ao pagamento de propina. “A defesa considera que o Paulo Henrique não representa nenhum perigo para a instrução ou para aplicação da lei penal. Não há notícia de que ele tenha praticado qualquer ato que pudesse atentar contra a instrução criminal”, alegou o defensor.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

*Com informações da Agência Brasil.



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