O deputado Ângelo Almeida (nome completo, Ângelo Mário Cerqueira de Almeida), herdou do pai, o ex-vereador Antônio Carlos Pinto de Almeida, o gosto pela política. Cirurgião-dentista, há muito tempo não exerce a profissão. Enveredou pelos negócios imobiliários, sendo sócio-gerente da DGN Consultoria Empresarial Ltda, com sede em Salvador. Mas é na política, que está no sangue, onde ele se realiza. Sua primeira filiação partidária é datada de 1993, no PMN. Passou pelo PDT, entre 1994 e 2007 e daí até 2017, esteve no PT. Migrou para o PSB, legenda em que permaneceu até poucos dias, até retornar agora ao Partido dos Trabalhadores.
Vereador com destaque, em Feira de Santana, pelo PT, cumpriu mandato de 2009 a 2012. Já no PSB, assumiu, na condição de suplente, vaga na Assembleia Legislativa para um curto período, de janeiro de 2017 até abril de 2018, pelo afastamento do titular, João Bonfim. Voltou a cumprir mandato temporário em lugar da deputada Luíza Maia em maio daquele ano. Foi empossado em caráter definitivo na AL com a cassação do deputado Targino Machado, em novembro de 2020. Então, finalmente, conquista o mandato próprio, que se encerra no início de 2027.
Após sua eleição para mais um mandato de deputado estadual, diante de necessidade de arrumação política do governador Jerônimo Rodrigues, licenciou-se do cargo logo no início do mandato para ocupar o cargo de secretário estadual de Desenvolvimento Econômico. Por força da lei eleitoral, deixou a função no começo do mês para que possa concorrer a uma terceira legislatura em outubro próximo.
Ex-candidato a prefeito da cidade, no pleito de 2016, Ângelo Almeida é um político bem articulado, que não guarda o ranço e o radicalismo de alguns esquerdistas. A forma moderada e coerente como se relaciona com adversários o torna um quadro com bom trânsito em várias frentes. Com exceção do PMN, partido pelo qual se elegeu prefeito em 1992 o ex-governador João Durval - de quem o pai de Ângelo era grande amigo e aliado - ele passou longo período em cada partido onde esteve.
O que o levou a deixar o PSB é muito simples de explicar: a saída de alguns quadros do partido, que passou a sofrer riscos de não atingir quociente para eleger um número mínimo de deputados estaduais. Ele disse ao BNews que a decisão foi necessária diante da redução significativa de pré-candidatos, com ou sem mandato, no Partido Socialista Brasileiro, capitaneado na Bahia pela deputada federal Lídice da Mata, "criando um cenário muito desfavorável para esta disputa eleitoral e uma necessidade de me reorganizar.
Com Ângelo no páreo, Robinson Almeida, o vereador Sílvio Dias e outros tantos petistas pré-candidatos a deputado estadual este ano ganham um concorrente de peso. O prejuízo é maior para o primeiro. Apresentado em Feira de Santana pelo cacique petista Zé Neto, Robinson foi eleito com mais de 15 mil votos nesta cidade, no pleito anterior. A tendência é que ele sofra uma perda agora. Almeida pode dialogar, em busca, quem sabe, do apoio de Sílvio, o que implicaria na desistência deste de concorrer agora - até porque, a viabilidade do vereador também diminui, a partir deste fato novo.
Quando acontece de última hora, uma filiação como a de Ângelo Almeida é inevitável a rejeição da parte de quem já está ocupando o espaço há mais tempo. Consciente disso, o parlamentar leu e ouviu tudo com muita calma, se manteve sóbrio, não passou recibo. Procurou não reagir às críticas, que terminaram por ser abafadas, pelo menos no plano regional, pelo deputado federal Zé Neto, que demonstrou ter absorvido a novidade. Tratou de apaziguar os ânimos, certamente porque a decisão de levar Ângelo de volta ao PT partiu de escalões superiores e pouco havia a fazer.