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Valdomiro Silva

Ronaldo terá que apoiar dupla Pablo/Zé Chico a federal e correr risco de não eleger ninguém mais uma vez

VALDOMIRO SILVA - 26 de Março de 2026 | 15h 08
Ronaldo terá que apoiar dupla Pablo/Zé Chico a federal e correr risco de não eleger ninguém mais uma vez
Fotos: Divulgação

Falta bem pouco tempo para encerrar o prazo de desincompatibilização, de cargos públicos, por parte dos detentores de mandato interessados em participar das próximas eleições. Vence exatamente no dia 4 de abril, dentro de 10 dias. Nesta quinta-feira, o pré-candidato a deputado federal,  vice-prefeito e secretário de Educação, Pablo Roberto, confirmou que renuncia ao cargo na primeira semana de abril e vai pra disputa, independentemente de o seu companheiro de grupo político, o empresário Zé Chico estar concorrendo ao mesmo cargo. 

Na verdade, não há nada de novo no front. O ex-deputado estadual - cumpriu pouco mais de dois anos do mandato na Assembleia Legislativa e renunciou para ser candidato a vice de José Ronaldo, em 2024 - já havia manifestado em entrevista a esta coluna da Tribuna Feirense a firme intenção de lançar seu nome ao Congresso em outubro, mesmo que tenha de enfrentar um concorrente interno. Hoje, ele apenas confirmou esta expectativa, ao falar logo cedo ao "Acorda Cidade" e, pouco depois, a este jornalista. Embora sem entrar em detalhes, afirmou contar com  "elementos técnicos e estudos" que  dão sustentação à sua candidatura. Deve se referir a pesquisas de opinião para consumo interno, certamente. 

Ao manifestar aceitação da ideia de duas candidaturas do mesmo time, Pablo disse que espera um debate "em alto nível", tema da última conversa entre ambos. Haveria um compromisso neste sentido. A preocupação maior seria com a militância, que "às vezes se excede".  São boas as perspectivas de uma disputa saudável. Ele e Zé Chico mantem uma relação política respeitosa e até já fizeram dobradinha. 

O secretário de Educação disse que, em sua candidatura a deputado estadual, na eleição passada, quando conquistou vaga na Assembleia, votou no amigo para federal. O diálogo entre os dois tem sido intenso, média de um encontro a cada quatro dias. Tamanha frequência, indica a literatura política, pode ter como pano de fundo a discussão de possíveis acordos.

Ao desistir de sua candidatura a prefeito, em 2022, acatando a proposta de ser o vice de José Ronaldo - de quem, caso se mantivesse no páreo, tiraria votos preciosos - Pablo alimentou a esperança de ser o único nome do atual prefeito, para a Câmara dos Deputados. Pode ter acontecido, inclusive, acordo neste sentido. Se existiu, não vai vingar, pois talvez não se tenha chamado para o entendimento a outra parte interessada. Zé Chico, que não fez acordo com ninguém para não ser candidato agora, está absolutamente convícto. 

Parafraseando Caetano em sua canção em inglês "It's a long away", de 1972,  o empresário está  "mais firme do que quando começou", em sua primeira de três tentativas sem lograr êxito. Mas e o prefeito José Ronaldo, o que pensa da possibilidade de duas candidaturas no espectro político sob seu comando? Ele ainda não falou diretamente à imprensa local sobre o assunto, mas deverá respeitar o estilo próprio de agir nessas situações, buscando o consenso entre os aliados. Seu desejo, muito provavelmente, seria de candidatura única. 

No entanto, com tamanha convicção dos dois postulantes, a tendência é de que o líder político alerte para os riscos da divisão de votos, especialmente no cenário local, mas respeite a vontade de Pablo e Zé Chico, figuras de muita proeminência em seu grupo. Não haverá veto de sua parte, mas, treinador experiente, sabe que este "clássico Ba-Vi" pode terminar empatado e, em igualdade de placar, ninguém conquista os três pontos. Um  ponto apenas para cada seria insuficiente à classificação tão almejada. 




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