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Valdomiro Silva

Cinco razões que devem fazer José Ronaldo manter trajetória e apoiar ACM Neto

VALDOMIRO SILVA - 11 de Março de 2026 | 12h 18
Cinco razões que devem fazer José Ronaldo manter trajetória e apoiar ACM Neto
Foto: Divulgação

Estamos bem próximos do fim do prazo previsto pelo prefeito José Ronaldo para que ele anuncie quem vai apoiar a governador, em outubro. Conforme o chefe do Executivo da maior cidade do interior da Bahia, esse período de avaliação vai até o fim de março. Portanto, coisa de 20 dias mais. No jornalismo político, analistas, como eu, gostam de fazer prognósticos. Acertamos alguns, erramos tantos outros.

Estas tendências, vistas por nós, devem ser fundamentadas em fatos, declarações, evidências. Para não ficar parecendo, a quem acompanha nosso raciocínio, que queremos estabelecer vontade pessoal ou ainda o desejo de influenciar na decisão, poder que alguns articulistas acreditam de que são capazes.

Esta semana, vários jornalistas que, como eu, opinavam pela negativa de Ronaldo a um eventual convite para ser candidato a vice-governador, puderam constatar que acertaram, quanto ao capítulo final da novela. 

Eram vários os nossos argumentos, defendendo a ideia de permanência dele na Prefeitura:

Palavra empenhada em campanha e em várias entrevistas; elevado risco de se tornar o primeiro prefeito do país a renunciar duas vezes e deixar o mandato com seu vice, candidatar-se e ser derrotado de novo; deixar os projetos que anunciou para a cidade para que outro político possa entregar.

Vamos lá, tratemos de uma outra aposta, que até já fiz alguns dias atrás e quero reiterar, agora, com um pensamento, digamos, mais completo. É sobre o apoio de Ronaldo a ACM Neto ou à reeleição do governador Jerônimo Rodrigues.

Embora faça suspense, nesta altura do campeonato o prefeito está mais que decidido, creio. O que acontece é um "castigo" muito bem dado ao neto do falecido Antonio Carlos Magalhães, por conta do ocorrido em 2022, que explico adiante. O ex-prefeito de Salvador já entendeu o jogo e não pode reclamar, ou fica pior.

Esqueçamos a possibilidade de Ronaldo vir a cruzar os braços, buscar a neutralidade. Até porque, isto poderia parecer inteligente, mas seria um erro político imperdoável, de sua parte. Nunca ficou em cima do muro.

Mesmo quando se viu diante de um cenário complicado, ao disputar para governador, em 2018, declarou apoio a Bolsonaro, deixando em saia justa o mentor de sua candidatura, ACM Neto, que continuou com o então tucano Geraldo Alckimin e até afastou-se consideravelmente da campanha do aliado na Bahia.

Neste momento, simplesmente, Ronaldo não tem um só motivo, plausível, para anunciar ao seu eleitorado aquela que seria a mudança mais radical de sua vida, deixar a direita e unir-se ao projeto da esquerda, comandada pelo partido que combateu desde sempre, o PT. Mas teria vários argumentos no sentido oposto.

1. Explicar ao público que mudou para poder captar mais recursos e realizar mais obras em Feira de Santana, não convém a alguém cujo discurso é absolutamente contrário. Ele defende, veementemente, que independente de estar alinhado ao presidente da República e ao governador, a cidade se desenvolve.

2. Justificar o bom tratamento recebido pelo governador Jerônimo Rodrigues e seus companheiros Jaques Wagner e Rui Costa não funcionaria, pois o prefeito acredita e prega que o relacionamento institucional não deve ser misturado com o político-partidário.

3. Rompimento com ACM Neto quatro anos depois deste ter cometido o maior erro político de sua trajetória ao trocá-lo por uma ilustre desconhecida, na chapa majoritária de 2022, configuraria flagrante perda de "taime". O próprio Ronaldo já declarou, várias vezes, que isto é passado. Sem falar que, na disputa pelo quinto mandato, em 2024, utilizou ACM Neto em sua campanha.

4. Desde sua origem na política, jamais deixou a direita. Milita por toda a carreira em um mesmo lado, desde o antigo PDS, passando por PFL, Arena, DEM e agora União. Maior parte do seu grupo político, vereadores, inclusive, é contrária a esta adesão.

5. Com a perspectiva de uma eleição equilibrada, haveria risco eminente de derrota e, nesse caso, o final de carreira política do prefeito estaria definitivamente comprometido, reduzindo drasticamente as chances de fazer sucessor ou dele mesmo ser reeleito, em 2028.

Para encerrar, transcrevo trecho de uma nota do jornal "Tribuna da Bahia", da capital, publicada em 2 de dezembro de 2024, dias após Ronaldo eleger-se para o quinto mandato de prefeito: "Sobre a eleição de 2026, José defende que ACM Neto represente o grupo político na disputa contra Jerônimo Rodrigues (PT). 'ACM Neto é um bom nome para o governo, mas precisa intensificar sua presença no interior, aproximando-se das lideranças e do povo dos pequenos municípios', ressaltou".



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