Estamos bem próximos do fim do prazo previsto pelo prefeito
José Ronaldo para que ele anuncie quem vai apoiar a governador, em outubro.
Conforme o chefe do Executivo da maior cidade do interior da Bahia, esse
perÃodo de avaliação vai até o fim de março. Portanto, coisa de 20 dias mais.
No jornalismo polÃtico, analistas, como eu, gostam de fazer prognósticos.
Acertamos alguns, erramos tantos outros.
Estas tendências, vistas por nós, devem ser fundamentadas em
fatos, declarações, evidências. Para não ficar parecendo, a quem acompanha
nosso raciocÃnio, que queremos estabelecer vontade pessoal ou ainda o desejo de
influenciar na decisão, poder que alguns articulistas acreditam de que são
capazes.
Esta semana, vários jornalistas que, como eu, opinavam pela
negativa de Ronaldo a um eventual convite para ser candidato a vice-governador,
puderam constatar que acertaram, quanto ao capÃtulo final da novela.
Eram vários os nossos argumentos, defendendo a ideia de
permanência dele na Prefeitura:
Palavra empenhada em campanha e em várias entrevistas;
elevado risco de se tornar o primeiro prefeito do paÃs a renunciar duas vezes e
deixar o mandato com seu vice, candidatar-se e ser derrotado de novo; deixar os
projetos que anunciou para a cidade para que outro polÃtico possa entregar.
Vamos lá, tratemos de uma outra aposta, que até já fiz alguns
dias atrás e quero reiterar, agora, com um pensamento, digamos, mais completo.
É sobre o apoio de Ronaldo a ACM Neto ou à reeleição do governador Jerônimo
Rodrigues.
Embora faça suspense, nesta altura do campeonato o prefeito
está mais que decidido, creio. O que acontece é um "castigo" muito
bem dado ao neto do falecido Antonio Carlos Magalhães, por conta do ocorrido em
2022, que explico adiante. O ex-prefeito de Salvador já entendeu o jogo e não
pode reclamar, ou fica pior.
Esqueçamos a possibilidade de Ronaldo vir a cruzar os braços,
buscar a neutralidade. Até porque, isto poderia parecer inteligente, mas seria
um erro polÃtico imperdoável, de sua parte. Nunca ficou em cima do muro.
Mesmo quando se viu diante de um cenário complicado, ao
disputar para governador, em 2018, declarou apoio a Bolsonaro, deixando em saia
justa o mentor de sua candidatura, ACM Neto, que continuou com o então tucano
Geraldo Alckimin e até afastou-se consideravelmente da campanha do aliado na
Bahia.
Neste momento, simplesmente, Ronaldo não tem um só motivo,
plausÃvel, para anunciar ao seu eleitorado aquela que seria a mudança mais
radical de sua vida, deixar a direita e unir-se ao projeto da esquerda,
comandada pelo partido que combateu desde sempre, o PT. Mas teria vários
argumentos no sentido oposto.
1. Explicar ao público que mudou para poder captar mais
recursos e realizar mais obras em Feira de Santana, não convém a alguém cujo
discurso é absolutamente contrário. Ele defende, veementemente, que
independente de estar alinhado ao presidente da República e ao governador, a
cidade se desenvolve.
2. Justificar o bom tratamento recebido pelo governador
Jerônimo Rodrigues e seus companheiros Jaques Wagner e Rui Costa não
funcionaria, pois o prefeito acredita e prega que o relacionamento
institucional não deve ser misturado com o polÃtico-partidário.
3. Rompimento com ACM Neto quatro anos depois deste ter
cometido o maior erro polÃtico de sua trajetória ao trocá-lo por uma ilustre
desconhecida, na chapa majoritária de 2022, configuraria flagrante perda de
"taime". O próprio Ronaldo já declarou, várias vezes, que isto é
passado. Sem falar que, na disputa pelo quinto mandato, em 2024, utilizou ACM
Neto em sua campanha.
4. Desde sua origem na polÃtica, jamais deixou a direita.
Milita por toda a carreira em um mesmo lado, desde o antigo PDS, passando por
PFL, Arena, DEM e agora União. Maior parte do seu grupo polÃtico, vereadores,
inclusive, é contrária a esta adesão.
5. Com a perspectiva de uma eleição equilibrada, haveria
risco eminente de derrota e, nesse caso, o final de carreira polÃtica do
prefeito estaria definitivamente comprometido, reduzindo drasticamente as
chances de fazer sucessor ou dele mesmo ser reeleito, em 2028.
Para encerrar, transcrevo trecho de uma nota do jornal
"Tribuna da Bahia", da capital, publicada em 2 de dezembro de 2024,
dias após Ronaldo eleger-se para o quinto mandato de prefeito: "Sobre a
eleição de 2026, José defende que ACM Neto represente o grupo polÃtico na
disputa contra Jerônimo Rodrigues (PT). 'ACM Neto é um bom nome para o governo,
mas precisa intensificar sua presença no interior, aproximando-se das
lideranças e do povo dos pequenos municÃpios', ressaltou".